Adelaide João, nome artístico de Maria da Glória Silva (Lisboa, 27 de Julho de 1921 - Lisboa, 3 de Fevereiro de 2021), foi uma actriz portuguesa.
Inspirou-se nos dois primeiros nomes da mãe e do pai para criar o nome profissional.
Começou como actriz amadora no grupo de teatro da Philips, dirigida por Gonçalves de Castro, pai do ator Morais e Castro.
O primeiro trabalho profissional que desempenhou como actriz foi enquanto integrante do elenco do filme "Fim de semana em Madrid", do realizador Artur Ramos, nos anos de 1950.
Frequentou o Conservatório Nacional. A sua prestação em algumas peças justificou a atribuição de uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar em França. Em 1962 vai para Paris onde frequenta o Cours Simon, o Cours Mimique, de Jacques Lecoq e o Cours Yves Fouret. Chegou, inclusive, a trabalhar com várias companhias francesas de teatro, das quais a Raymon Rouleau, no Théâtre de Montparnasse, e a companhia do Théâtre Sarah Bernhardt, já com carteira de atriz profissional em França. Com efeito, em entrevista para o canal televisivo RTP1, viria a confirmar que chegou até a integrar a trupe de uma companhia de teatro dirigida por Ingrid Bergman.
O seu talento levou-a a ser convidada pelo realizador Artur Ramos para fazer televisão, estreia-se assim como actriz de televisão (RTP) em Fim de Semana em Madrid (1960). Na RTP fez peças como A Intrusa (1960), do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck; A Castro (1961), de de António Ferreira; e Eva e Madalena (1962), de Ângelo César.
Em 1961 fez a peça O Consultório no Teatro Nacional D. Maria II.
Em 1962 participou na peça A Rapariga do Bar no Teatro da Trindade (Companhia Nacional de Teatro).
Ainda em 1962, partiu para Paris para estudar teatro, sendo-lhe atribuída uma bolsa de estudo pela Fundação Calouste Gulbenkian. Trabalhou em várias companhias teatrais francesas.
Em 1965 regressou a Portugal, voltou à televisão e integrou o elenco da Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa (dirigida por Helena Félix e Luzia Maria Martins).
Nos anos seguintes integrou a Companhia do Teatro Experimental de Cascais, Teatro Maria Matos, Casa da Comédia, Empresa Vasco Morgado ou Teatro o Bando.
Também chegou a trabalhar com várias companhias de teatro independentes, das quais se contam "A Comuna", a "Teatro da Cornucópia", os "Bonecreiros" e "A Barraca".
Na televisão fez várias séries, telenovelas, telefilmes e teleteatro. Participa nas primeiras telenovelas portuguesas: Vila Faia (1982), Origens (1983), Chuva na Areia (1985) e Palavras Cruzadas (1987). Em séries como Histórias Simples da Gente Cá do Meu Bairro (1965), Sete Pecados Mortais (1966), Xailes Negros (1986), Cobardias (1988), A Árvore (1991), Débora (1998), A Loja do Camilo (2000), Os Batanetes (2004), Aqui Não Há Quem Viva (2007), Um Lugar Para Viver (2009) e novelas como Nunca Digas Adeus (2001) ou Tudo por Amor (2002).
Em 2017 recebeu o prémio Sophia Carreira.
Teve papel relevante no grupo Teatro o Bando. Participou num grande número de filmes (portugueses e franceses), trabalhando com realizadores tão diversos como Ernesto de Sousa, José Fonseca e Costa, Manoel de Oliveira, Fernando Lopes, Ricardo Costa, entre outros.
Encontra-se arrolada ao elenco do filme "Angola Momentos Kodak", de Rui Goulart, de 2018.
Morreu em 3 de fevereiro de 2021, aos 99 anos de idade, vítima de complicações associadas à COVID-19 durante a pandemia de COVID-19 em Portugal, na Casa do Artista, onde residia. A actriz foi cremada em 12 de fevereiro, no Cemitério dos Olivais, em Lisboa.
Foi galardoada com o Prémio Sophia Carreira, pela Academia Portuguesa de Cinema em 2017.