Anastásia Nikolaevna da Rússia (em russo Анастасия Николаевна Романова; São Petersburgo, 18 de junho de 1901 – Ecaterimburgo, 17 de julho de 1918) foi a quarta filha do czar Nicolau II da Rússia e da czarina Alexandra Feodorovna que, aos 17 anos, foi executada por soldados bolcheviques junto com outros membros da família imperial russa.
Era irmã mais nova das grã-duquesas Olga, Tatiana e Maria, e irmã mais velha de Alexei, Czarevich da Rússia, o mais novo. Morreu executada por soldados bolcheviques aos 17 anos, junto com os demais membros da família imperial russa.
Desde a sua morte, circularam rumores persistentes sobre a sua possível sobrevivência, alimentados pelo facto de a localização da sua sepultura ter permanecido desconhecida durante as décadas do governo comunista. A vala comum que escondia os restos mortais do czar, da sua esposa e de três filhas foi descoberta perto de Ecaterimburgo em 1991, mas os corpos de Alexei Nikolaevich e de uma das irmãs, não se sabia se Maria ou Anastásia, não se encontravam no mesmo local.
Contudo, a teoria da sua possível sobrevivência foi completamente desacreditada. Em janeiro de 2008, cientistas russos anunciaram que tinham desenterrado os restos mortais de um rapaz jovem e de uma mulher perto de Ecaterimburgo em agosto de 2007 e que, muito provavelmente, estes pertenciam ao czarevich de treze anos e a uma das quatro grã-duquesas Romanov. Cientistas forenses russos confirmaram esta possibilidade a 30 de abril de 2008. Em março de 2009, foram publicados os resultados finais dos testes de ADN pelo Dr. Michael Coble, do Laboratório de Identificação ADN das Forças Armadas dos Estados Unidos da América. Estes testes provaram de forma conclusiva que os restos mortais de todas as grã-duquesas tinham sido encontrados e, por isso, nenhuma tinha sobrevivido.
Várias mulheres reivindicaram falsamente tratar-se de Anastásia, sendo a mais conhecida Anna Anderson. O corpo de Anderson foi cremado aquando da sua morte em 1984, mas, dez anos depois, foi possível realizar testes de ADN em pedaços de tecido e cabelo que mostraram que ela não possuía qualquer parentesco com a família imperial.
Quando Anastásia nasceu, os seus pais e família ficaram desapontados por terem tido uma quarta menina e não o desejado herdeiro. O czar Nicolau II deu um longo passeio para se recompor antes de visitar a czarina Alexandra e ver a bebé pela primeira vez. O seu nome tem vários significados, entre eles "aquela que se liberta das correntes" ou "ela reerguer-se-á". A grã-duquesa mais nova recebeu este nome porque, para celebrar o seu nascimento, o seu pai libertou um grupo de estudantes presos no inverno anterior. Outro significado do seu nome é "da ressurreição", uma coincidência que foi referida muitas vezes quando, mais tarde, muitos discutiram a sua possível sobrevivência.
No dia do seu nascimento, Nicolau II escreveu no seu diário: "Exactamente às seis da manhã, uma pequena filha - Anastásia - nasceu. Foi tudo muito rápido e, graças a Deus, sem complicações! Por tudo ter começado e acabado enquanto todos ainda dormiam, ambos temos um sentimento de calma e solidão", Era chamada pela versão francesa de seu nome, "Anastasie" ou pelas suas alcunhas Russas "Nastya", "Nastas" ou "Nastenka". Outras alcunhas de família eram "Malenkaya" que significa pequena ou ""Shvibzik" o equivalente russo a diabinho.
Fazendo justiça às suas alcunhas, Anastásia cresceu como uma criança vivaz e energética, descrita como baixa e com tendência para o excesso de peso, com olhos azuis e cabelo louro-arruivado. Margaretta Eagar, a governanta das quatro grã-duquesas, disse que uma pessoa tinha comentado que Anastásia tinha a melhor personalidade e encanto que alguma vez tinha visto.
Teimosa, travessa e impertinente, Anastásia era uma admirável mímica. Com muita comicidade e de forma cortante, a menina imitava exactamente a fala e o jeito das pessoas ao seu redor. Diz-se também que ela era astuta e observadora, e tinha um apurado sentido de humor. Ao contrário das irmãs, não sabia o significado da palavra timidez. Descrita simultaneamente como inteligente e dotada, Anastásia, apesar de tudo, nunca se interessou muito pelas restrições da sala de aula, pelo menos segundo os relatos dos seus professores Pierre Gilliard e Sydney Gobbes. Gibbes, Gilliard e as damas-de-companhia Lili Dehn e Anna Vyrubova, descreveram Anastásia como uma actriz vivaz, mal-comportada e talentosa. Os seus comentários aguçados e sagazes atingiam, por vezes, pontos sensíveis.
Por vezes, Anastásia excedia os limites do comportamento aceitável. Gleb Botkin disse que ela bateu o recorde de castigos na família, e era um verdadeiro génio a pregar partidas. Uma vez, durante uma guerra de bolas de neve na Polónia, Anastásia escondeu uma pedra dentro de uma bola de neve e atirou-a à sua irmã mais velha, Tatiana, atingindo-a no rosto e fazendo com que caísse ao chão. Finalmente, lágrimas brotaram de seus olhos. Após esse incidente, Anastásia ficou aflita e horrorizada por muitos dias, e isso a curou das propensões de praticar outras brincadeiras. Uma prima distante, a princesa Nina Georgievna, recordou que "a Anastásia era desagradável, ao ponto de ser má," e que fazia batota, dava pontapés e arranhava os seus adversários durante jogos. Também se sentia ofendida por Nina, que era da mesma idade, ser mais alta do que ela. Também se preocupava menos com a sua aparência do que as irmãs. Hallie Erminie Rives, uma escritora americana de sucesso e esposa de um diplomata americano, descreveu como Anastásia, na altura com dez anos de idade, comia chocolates sem a preocupação de tirar as suas luvas longas e brancas na casa de ópera de São Petersburgo.
Era também uma "maria-rapaz" que raramente chorava. A sua tia Olga Alexandrovna recordou que, certa vez ela estava a importuná-la tão excessivamente, que lhe deu uma bofetada. O rosto da menina ficou vermelho claro, mas ela saiu correndo silenciosamente do quarto. Quando o canhão de salva do iate Imperial disparava, Anastásia fugia para um canto, metia os dedos nos ouvidos, arregalava os olhos, e pendia a língua numa expressão trocista de terror.
Pierre Gilliard, o seu tutor de francês, escreveu sobre ela: " A Anastásia era muito travessa e engraçada. Tinha um sentido de humor apurado e os seus comentários sarcásticos atingiam quase sempre assuntos sensíveis. Era uma criança terrível, embora os seus defeitos tendessem a ser corrigidos com a idade. Era extremamente preguiçosa, mas era uma preguiça de criança dotada. O seu sotaque francês era excelente, e ela representava cenas de comédia com um talento notável. Era tão vivaz, e sua alegria tão contagiante, que vários membros da suíte adquiriram o hábito de chamá-la "raio de Sol", a alcunha dada à sua mãe pela corte inglesa.'
Anastásia e a sua irmã mais velha, Maria, eram conhecidas na família como "O Par Pequeno", partilhavam o mesmo quarto, usavam variações do mesmo vestido e passavam a maior parte do tempo juntas. As suas irmãs mais velhas, Olga e Tatiana, também partilhavam um quarto e eram conhecidas como "O Par Grande". As quatro irmãs assinavam as suas cartas usando a alcunha: OTMA. Anastásia também era muito chegada ao irmão hemofílico, o czarevich Alexei ou Bebé. Diz-se que um adivinhava o que o outro estava a pensar sem precisarem de dizer uma palavra, e era ela quem conseguia diverti-lo quando ele sofria ataques de hemofilia.
Desde pequena, Anastásia recorria à influência que tinha sobre Maria, que tinha uma personalidade mais maleável. O quarto das duas irmãs em Czarkoe Selo ficava em cima da sala de recepção da imperatriz. Maria e Anastásia esperavam, escutando silenciosamente, até que a imperatriz levasse um convidado para dentro, e, então, as pessoas em baixo ouviam seu fonográfo o mais alto que a música podia tocar. Pulavam nas suas camas de armar e sobre o chão, dançando e gritando, e fazendo o maior barulho possível.
Apesar da sua energia, Anastásia tinha vários problemas de saúde. A grã-duquesa tinha joanetes, uma condição dolorosa que afectavam ambos os seus dedos dos pés maiores. Tinha também um músculo fraco nas costas, por isso tinha de receber massagens duas vezes por semana. Para fugir destas massagens, Anastásia escondia-se debaixo da cama ou dentro de um armário. Segundo a sua tia Olga Alexandrovna, a sua irmã mais velha, Maria, terá tido uma hemorragia grave durante uma operação a que foi submetida em dezembro de 1914 para tirar as amígdalas. O médico que realizou a cirurgia ficou tão nervoso que teve de receber ordens para prosseguir por parte da imperatriz. Olga Alexandrovna disse que acreditava que todas as suas sobrinhas sangravam mais do que o normal e que eram portadoras do gene da hemofilia, como a mãe. As portadores do gene, embora não sofram da doença, podem mostrar sintomas de hemofilia, entre eles uma capacidade menor de coagular o sangue, o que pode levar a maiores sangramentos. Em 2009, os testes de ADN realizados aos restos mortais da família imperial provaram, de forma conclusiva, que Alexei sofria de hemofilia B, uma vertente mais rara da doença. A sua mãe e uma das suas irmãs, identificada pelos russos como sendo Anastásia e pelos americanos como sendo Maria, era portadora do gene. Anastásia poderia ter passado a doença a um dos filhos, caso os tivesse tido.