Alexandre V ou Pietro Filargi da Candia ou Pedro de Cândia (Kares, Creta, 1339 — Bolonha, 3 de maio de 1410) foi um antipapa no biénio 1409-1410.
Filargi nasceu em Kares, na ilha de Creta, então chamada de Cândia pelos venezianos. Era de uma família muito pobre e ficou órfão, até ser acolhido e educado por um frade franciscano. Seu sobrenome também aparece como Filargo, Philargis, Philarghi, Philaretus, Philarete e Philargos. Também é conhecido como Pietro di Candia e Petrus de Candia. Chamado de Cardeal de Milão.
Ingressou na Ordem dos Frades Menores no convento de Cândia, por volta de 1357. Estudou em Pádua, Norwich e na Universidade de Oxford, onde obteve a licenciatura em teologia; e na Universidade de Sorbonne, em Paris, onde obteve o doutorado em teologia em 1381. Magister em teologia.
Não há informações sobre sua ordenação, mas Filargi lecionou em casas de estudo franciscanas na Rússia, Boêmia e Polônia. Ministrou palestras sobre as "Sentenças" de Pedro Abelardo em Paris, entre 1378 e 1380. Professor de teologia na Universidade de Pavia a partir de 1386. Protégé e conselheiro particular de Gian Galeazzo Visconti.
Durante o papado de Urbano VI, foi eleito bispo de Piacenza em 5 de outubro de 1386. Sucessivamente transferido para a sé de Bréscia em 1387, para a sé de Vicenza em 23 de janeiro de 1388 e para a sé de Novara em 18 de setembro de 1389. Em 1395, Filargi realizou uma missão diplomática para seu patrono, que obteve para este o título de duque de Milão do rei germânico Venceslau. Sob o Papa Bonifácio IX, foi promovido à sé metropolitana de Milão em 17 de maio de 1402. Embaixador do duque de Milão na Boêmia.
Criado cardeal-presbítero dos Santos Doze Apóstolos por Inocêncio VII no consistório de 12 de junho de 1405; manteve a administração de sua sé de Milão. Nomeado legado na Lombardia; deixou Viterbo em 23 de novembro de 1406. Impaciente com o Papa Gregório XII por atrasar o fim do Grande Cisma do Ocidente, rompeu com o papa em maio de 1408 e colaborou com o Cardeal Baldassare Cossa na convocação do Concílio de Pisa. Destituído da administração de Milão pelo Papa Gregório XII em novembro de 1408. O Cardeal de Milão participou do conclave de 1409 e foi eleito papa, com o nome de Alexandre V, em 26 de junho de 1409, no palácio do arcebispo, após a deposição de Gregório XII e de Bento XIII pelo concílio. Coroado em 7 de julho de 1409, na catedral de Pisa, pelo Cardeal Amedeo di Saluzzo, protodiácono de Santa Maria Nova. Não criou nenhum cardeal. Em 1410, Alexandre enviou ao arcebispo Zbynek de Praga uma bula que ordenava a queima das obras heréticas de John Wycliffe.
Alexandre V faleceu em 3 de maio de 1410, no palácio do Cardeal Baldassare Cossa, em Bolonha; algumas fontes, provavelmente falsas, indicam que ele foi envenenado por ordem do cardeal. Seu corpo foi embalsamado pelo famoso médico Pietro di Argeleta; o relato verbal da operação ainda se conserva. Sepultado na igreja de São Francisco, em Bolonha. Em sua morte, o Cardeal Egídio de Viterbo escreveu: Pauperibus levandis ita studuit ut nihil omnino sibi reservaret (Ele era tão dedicado a socorrer os pobres que não reservava absolutamente nada para si mesmo).
Em 1958, quando Angelo Roncalli foi eleito papa, escolheu João como seu nome e XXIII como seu número régio: "Vinte e dois Joãos de legitimidade indiscutível foram Papas, e quase todos tiveram um pontificado breve." Como o "João XXIII" anterior havia sucedido Alexandre V, a linhagem pisana tornou-se ilegítima. O pontificado de Gregório XII foi reconhecido como tendo se estendido até 1415, e a Igreja agora reconhece Alexandre V como um antipapa. No entanto, Alexandre V permanece na sequência numérica do nome régio Alexandre porque Rodrigo Borgia adotou o nome Alexandre VI em 1492.==Referências==