Armando Emílio Guebuza GColIH (Murrupula, Nampula, 20 de Janeiro de 1943) é um político moçambicano que foi presidente do seu país de 2005 a 2015.
Juntou-se à FRELIMO em 1963, pouco após o início da Guerra da Independência de Moçambique, na então Lourenço Marques e abandonou Moçambique em 1964 para estudar numa escola especial na Ucrânia, base de Perevalny. No Governo de Transição (1974-1975), Guebuza ocupou a pasta da Administração Interna e no primeiro Governo do Moçambique independente a pasta de Ministro do Interior. Foi como Ministro do Interior que emitiu a ordem conhecida como "24 20" que dava a todos os residentes portugueses 24 horas para deixar o país, não lhes sendo permitido levar consigo mais de 20 quilos de bagagem. Durante os anos 80, foi responsável pelo muito impopular programa "Operação Produção", que visava deslocar os desempregados das áreas urbanas para as áreas rurais no norte do país. Após a morte de Samora Machel, num acidente de aviação na África do Sul, fez parte da comissão que investigou o acidente. Essa comissão não chegou a qualquer conclusão. Em 1992, foi nomeado chefe da delegação do governo na Comissão de Supervisão e Implementação do Acordo Geral de Paz para Moçambique.
Durante a década de 1980, Armando Guebuza exerceu novamente o cargo de Ministro do Interior, entre 1983 e 1986, período em que esteve associado à implementação da chamada Operação Produção, que determinou a deslocação de desempregados das principais cidades para zonas rurais, sobretudo na província do Niassa. Em 1984, entrou em divergência com o presidente Samora Machel após manifestar resistência em assumir o cargo de governador da província de Nampula. Na sequência da morte de Samora Machel, em 1986, Guebuza integrou a comissão responsável pela investigação do acidente aéreo que vitimou o presidente. Posteriormente, exerceu o cargo de Ministro dos Transportes e Comunicações e, entre 1990 e 1992, chefiou a delegação do Governo nas negociações que conduziram ao Acordo Geral de Paz, assinado em Roma em 4 de outubro de 1992. Após o acordo, participou na sua implementação e no processo de transição que culminou nas primeiras eleições multipartidárias de Moçambique, realizadas em 1994.
Após o abandono das políticas económicas socialistas pelo presidente Joaquim Chissano, que incluiu a privatização de empresas estatais, Guebuza tornou-se um empresário de sucesso, já que muitas das empresas, que antes eram estatais, passaram a pertencer-lhe, particularmente nas indústrias de construção, exportação e pescas. Os bens estatais tornaram-se sua propriedade, por meio de herança do governo.
Em 2002 foi eleito secretário-geral da FRELIMO, cargo que o tornou candidato do partido às eleições presidenciais de 2004, que venceu. Em 2 de Fevereiro de 2005 Armando Guebuza tornou-se o terceiro Presidente da República de Moçambique. Em 28 de outubro de 2009, foi reeleito para um novo mandato, obtendo 75% dos votos.
A 1 de Julho de 2014 foi agraciado com o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.
Casado com Maria da Luz Guebuza, tem 4 filhos e dois netos. A sua filha, Valentina Guebuza foi assassinada a tiro, em 14 de Dezembro de 2016 alegadamente pelo marido, Zófimo Muiuane, em Maputo.
Armando Guebuza exerceu vários cargos políticos, quer ao serviço do Partido FRELIMO (F), do Governo de Transição (GT), da República Popular de Moçambique (RPM), ou da República de Moçambique (RM), incluindo:
Ministro da Administração Interna (GT), 1974-1975
Ministro do Interior (RPM), 1975-1977
Presidente do Comité de Verificação do Partido FRELIMO (F), 1977-1980
Vice-Ministro da Defesa (RPM), 1977-1981
Governador da Província de Sofala (RPM), 1981-1983
Ministro do Interior (RPM), 1983-1986
Ministro dos Transportes e Comunicações (RPM), 1986-1990
Chefe da Delegação do Governo na Comissão de Supervisão e Implementação do Acordo Geral de Paz (RPM), 1990-1992
Chefe da Bancada do Partido FRELIMO à Assembleia da República (F), 1994-2002
Secretário-Geral do Partido FRELIMO (F), 2002-2012