Arthur Moreira Lima (16 de julho de 1940 – 30 de outubro de 2024) foi um pianista concertista brasileiro e um dos principais pianistas de sua geração no país. Chopin ocupou o centro de sua interpretação, mas a música brasileira esteve igualmente presente em seus concertos e gravações, sobretudo a obra de Ernesto Nazareth.
Moreira Lima conquistou o segundo lugar no VII Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, realizado em Varsóvia em 1965, atrás de Martha Argerich. Mais tarde, ficou em terceiro lugar no Concurso Internacional de Piano de Leeds, em 1969, e dividiu o terceiro lugar no Concurso Internacional Tchaikovski, realizado em Moscou em 1970. Apresentou-se em países da Europa, na União Soviética e nas Américas, e retornou a Varsóvia como jurado do Concurso Chopin em 2021.
Seu repertório ia de Bach, Mozart e Beethoven a Liszt, Schumann, Brahms, Rachmaninoff, Mussorgsky, Prokofiev e Villa-Lobos. Dedicou grande parte da carreira à música brasileira, com gravações de Nazareth, Radamés Gnattali, Francisco Mignone, Brasílio Itiberê da Cunha e Waldemar Henrique. Também tocou com músicos de choro, cantores e compositores, reunindo no mesmo palco músicas que costumavam ocupar circuitos separados.
A partir da década de 1990, Moreira Lima passou a tocar com maior frequência fora das salas de concerto. Por meio do projeto Um Piano pela Estrada, percorreu o Brasil com um piano de cauda e um caminhão que se abria para formar um palco, oferecendo concertos gratuitos em praças públicas, bairros periféricos e cidades pequenas. Até 2018, o projeto havia realizado mais de quinhentos concertos para um público total estimado em cerca de um milhão de pessoas.
Moreira Lima nasceu no Rio de Janeiro em 16 de julho de 1940. Seu pai morreu quando ele tinha três anos. Estudou inicialmente no Liceu Francês e depois ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro.
Começou a ter aulas de piano aos seis anos e tornou-se aluno de Lúcia Branco em 1948. No ano seguinte, aos nove anos, deu seu primeiro recital profissional no Theatro da Paz, em Belém.
Branco o inscreveu no Concurso de Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira em 1949. Moreira Lima venceu por decisão unânime depois de tocar o Concerto para piano n.º 23, de Mozart, sob a regência de Eleazar de Carvalho. Em 1952, voltou a vencer, dessa vez com o Concerto para piano n.º 1, de Beethoven. A vitória levou-o ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde se apresentou sob a regência do maestro inglês Richard Austin.
Em 1956, Moreira Lima venceu um concurso promovido pela Rádio Ministério da Educação e Cultura. O prêmio era uma bolsa para estudar em Paris, mas ele adiou a viagem e permaneceu no Colégio Militar. Em 1957, chegou à final do primeiro Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro. Guiomar Novaes, integrante do júri, concedeu-lhe uma menção honrosa. Marguerite Long o convidou a estudar com ela na França, e o presidente Juscelino Kubitschek aprovou outra bolsa para a viagem. Aos dezessete anos, Moreira Lima já havia recebido duas bolsas para estudar em Paris.
Moreira Lima partiu para Paris em 1960 e começou a estudar com Long. Tocou em eventos realizados pelo 150.º aniversário do nascimento de Chopin e participou do Festival Ravel daquele ano. Na Académie Marguerite Long, ficou em primeiro lugar entre cinquenta alunos do Cours de Piano Supérieur. Também recebeu uma menção honrosa no Concurso Marguerite Long-Jacques Thibaud.
Em 1962, ficou em terceiro lugar no terceiro Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro. Foi o único brasileiro na final. O resultado lhe valeu um convite para estudar na Juilliard School, em Nova Iorque. Naquele ano, também participou da primeira edição do Concurso Internacional de Piano Van Cliburn, no Texas. Não chegou à final, mas Van Cliburn o incentivou a prosseguir a formação no Conservatório de Moscou.
Os pianistas russos Yakov Zak, Lev Oborin e Sergei Dorensky apoiaram sua candidatura. Moreira Lima recebeu uma bolsa de cinco anos do governo soviético e ingressou no conservatório em 1963.
Estudou com Rudolf Kehrer até 1968. As aulas se concentravam no fraseado, na sonoridade e na capacidade de fazer o piano "cantar". Quando Moreira Lima demonstrou preocupação por ter de aprender russo, Kehrer lhe disse que muito mais pessoas falavam russo do que tocavam bem o piano. Em 1965, Kehrer o escolheu como um dos sete alunos do Conservatório de Moscou que participariam do VII Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, em Varsóvia.
Em 1965, enquanto estudava no Conservatório de Moscou, Moreira Lima foi escolhido por Rudolf Kehrer para participar do VII Concurso Internacional de Piano Frédéric Chopin, em Varsóvia. Chegou à final, tocou o Concerto para piano n.º 2, de Chopin, e conquistou o segundo lugar, atrás de Martha Argerich. Chopin permaneceu em seus programas de concerto pelo restante da carreira.
Moreira Lima voltou a Moscou, concluiu os estudos e passou três anos como assistente de Kehrer. Durante uma visita ao Brasil em 1966, deu um recital no Theatro Municipal do Rio de Janeiro com obras de Schumann, Chopin e Prokofiev. Encerrou a apresentação com Batuque e Coração que sente, de Ernesto Nazareth.
Moreira Lima ficou em terceiro lugar no Concurso Internacional de Piano de Leeds em 1969, atrás de Radu Lupu e Georges Pludermacher. Boris Petrushansky e Anne Queffélec estavam entre os outros finalistas. No ano seguinte, dividiu o terceiro lugar com Victoria Postnikova no Concurso Internacional Tchaikovski, em Moscou. Na final, tocou o Concerto para piano n.º 1, de Tchaikovski, e o Concerto para piano n.º 3, de Rachmaninoff.
Depois do Concurso Tchaikovski, mudou-se para Viena e passou grande parte da década de 1970 viajando a partir da cidade. Tocou com as orquestras filarmônicas de Leningrado, Moscou e Varsóvia, as orquestras sinfônicas de Berlim, Viena e Praga, orquestras da BBC em Londres e a Orchestre National de France. Apresentou-se sob a regência de Kurt Sanderling, Kirill Kondrashin, Mariss Jansons, Serge Baudo, Jesús López Cobos, Charles Groves, Vladimir Fedoseyev e Rudolf Barshai.
Chopin e outros compositores românticos continuaram em seus programas, enquanto a música brasileira passou a ocupar mais espaço em seus concertos e discos. Em 1975, gravou um álbum duplo com obras de Ernesto Nazareth para o selo Marcus Pereira. Retornou à música de Nazareth em discos e recitais posteriores. Também tocou obras de Heitor Villa-Lobos, Brasílio Itiberê da Cunha, Radamés Gnattali, Francisco Mignone e Waldemar Henrique, além de Chopin, Brahms, Mozart, Rachmaninoff, Schumann, Prokofiev e Mussorgsky.
No fim da década de 1970, Moreira Lima voltou a fazer do Brasil sua base principal, embora continuasse a se apresentar no exterior. Passou a trabalhar com maior frequência com músicos de choro e da música popular brasileira, entre eles Época de Ouro, Elomar Figueira Mello, Paulo Moura e Heraldo do Monte. Gravou Chorando Baixinho com o Época de Ouro e Abel Ferreira, Parcelada Malunga com Elomar e ConSertão com Elomar, Moura e Heraldo do Monte.