A Associated Press (AP) é uma organização sem fins lucrativos e agência de notícias estadunidense com sede em Nova Iorque.
Fundada em 1846, opera como uma cooperativa e associação não incorporada, e produz reportagens que são distribuídas a seus membros, aos principais jornais diários dos Estados Unidos e a emissoras de rádio e televisão. Desde que o Prêmio Pulitzer foi criado, em 1917, a AP recebeu 60 prêmios, incluindo 36 de fotografia. A AP distribui seu amplamente utilizado AP Stylebook, suas pesquisas AP Poll que acompanham os esportes da NCAA, e suas pesquisas e resultados eleitorais durante as eleições nos Estados Unidos. Ela patrocina as premiações anuais da National Football League.
Até 2016, notícias coletadas pela AP eram publicadas e republicadas por mais de 1.300 jornais e emissoras. A AP opera 235 escritórios de notícias em 94 países e publica em inglês, espanhol e árabe. Também opera a AP Radio Network, que fornece noticiários duas vezes por hora e boletins esportivos diários para estações de rádio e televisão aberta e por satélite. Muitos jornais e emissoras fora dos Estados Unidos são assinantes da AP e pagam uma taxa para usar o material da agência sem serem membros contribuintes da cooperativa. Como parte de seu acordo cooperativo com a AP, a maioria das organizações de notícias associadas concede automaticamente permissão para que a agência distribua suas reportagens de notícias locais. Em 2025, a AP recebia mais de 128 milhões de visitas mensais em seu site, o que a colocava entre os dez sites de notícias mais acessados dos Estados Unidos.
A Associated Press foi criada em maio de 1846 por cinco jornais diários de Nova Iorque para dividir o custo da transmissão de notícias sobre a Guerra Mexicano-Americana. O empreendimento foi organizado por Moses Yale Beach (1800–1868), segundo editor do The Sun, acompanhado pelo New York Herald, pelo New York Courier and Enquirer, pelo The Journal of Commerce e pelo New York Evening Express. Alguns historiadores acreditam que o New-York Tribune aderiu nessa época; documentos mostram que ele era membro em 1849. The New York Times tornou-se membro em setembro de 1851.
Inicialmente conhecida como New York Associated Press (NYAP), a organização enfrentou a concorrência da Western Associated Press (1862), que criticava suas práticas monopolistas de coleta de notícias e fixação de preços. Uma investigação concluída em 1892 por Victor Lawson, editor e publisher do Chicago Daily News, revelou que vários dirigentes da NYAP haviam firmado um acordo secreto com a United Press, uma organização rival, para compartilhar notícias da NYAP e os lucros de sua revenda. As descobertas levaram à dissolução da NYAP. Em dezembro daquele ano, a Western Associated Press foi constituída em Illinois como Associated Press. Uma decisão de 1900 da Suprema Corte de Illinois (Inter Ocean Publishing Co. v. Associated Press), segundo a qual a AP era um serviço de utilidade pública e atuava em restrição ao comércio, resultou na mudança da AP de Chicago para Nova Iorque, onde as leis societárias eram mais favoráveis às cooperativas.
O fundador do Chicago Daily News, Melville Stone, atuou como diretor-geral da AP de 1893 a 1921. A AP adotou o teletipo em seu serviço de Nova Iorque em 1914. A cooperativa cresceu rapidamente sob a liderança de Kent Cooper, que serviu de 1925 a 1948 e ampliou as equipes dos escritórios na América do Sul, Europa e, após a Segunda Guerra Mundial, no Oriente Médio. Sob Kent Cooper, a AP tornou-se um membro mais proeminente de um cartel de agências de notícias formado por Reuters e Havas (atual Agence France-Presse). Ele fez lobby pela renegociação do contrato tripartite que vinculava as agências e seus respectivos mercados de notícias na Sociedade das Nações, em 1927, buscando dar à AP uma posição mais importante na concorrência com a Reuters. A primeira mulher a integrar a AP, Zell Hart Deming, entrou para a organização em 1928.
Em 1935, a AP lançou a rede Wirephoto, que permitia a transmissão de fotografias jornalísticas por linhas telefônicas privadas alugadas no mesmo dia em que eram tiradas. Isso deu à AP uma grande vantagem sobre outros veículos de comunicação. Embora a primeira rede ligasse apenas Nova Iorque, Chicago e São Francisco, a AP acabou expandindo-a por todos os Estados Unidos.
Em 1945, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu em Associated Press v. United States que a AP vinha violando o Sherman Antitrust Act ao proibir jornais associados de vender ou fornecer notícias a organizações não associadas e ao tornar muito difícil que jornais não associados ingressassem na AP.
A AP entrou no setor de radiodifusão em 1941, quando começou a distribuir notícias para estações de rádio; criou sua própria rede de rádio em 1974. Em 1994, estabeleceu a APTV, uma agência global de coleta de notícias em vídeo. A APTV fundiu-se com a Worldwide Television News em 1998 para formar a APTN, que fornece vídeos a emissoras internacionais e sites. Em 2004, a AP transferiu sua sede de longa data, no 50 Rockefeller Plaza, para o 450 West 33rd Street, em Manhattan. Em 2019, a AP tinha mais de 240 escritórios no mundo. Sua missão não mudou desde a fundação, mas a tecnologia digital transformou a distribuição do noticiário da AP em um processo interativo entre a agência e suas centenas de jornais associados nos Estados Unidos, além de emissoras, assinantes internacionais e clientes on-line.
A AP começou a diversificar suas capacidades de coleta de notícias. Em 2007, apenas cerca de 30% de sua receita vinha de jornais dos Estados Unidos; em 2024, essa proporção havia caído para 10%. Outros 37% vinham de clientes globais de radiodifusão, 15% de empreendimentos on-line e 18% de jornais internacionais e da fotografia.
Em março de 2024, a Gannett, maior editora de jornais dos Estados Unidos medida pela circulação diária total, anunciou que deixaria de utilizar conteúdo da AP a partir de 25 de março de 2024. Um porta-voz da AP afirmou que a organização estava "chocada e decepcionada" com a decisão. A cadeia de jornais McClatchy também anunciou que deixaria de utilizar alguns serviços da AP. Gannett e McClatchy continuariam, porém, a usar os dados de resultados eleitorais da AP.
A estrutura multitemática da AP fez com que portais como Yahoo! e MSN publicassem suas matérias, frequentemente recorrendo à AP como primeira fonte para a cobertura de notícias de última hora. Isso, somado à necessidade de atualização constante das matérias em desenvolvimento, teve grande impacto sobre a imagem pública e o papel da AP, reforçando sua missão contínua de manter profissionais para cobrir de forma completa e rápida todas as áreas do noticiário. Em 2007, o Google anunciou que pagaria para receber conteúdo da AP, a ser exibido no Google Notícias, com uma interrupção do fim de 2009 até meados de 2010 devido a uma disputa de licenciamento.
Um estudo de 2017 da NewsWhip revelou que o conteúdo da AP gerava mais engajamento no Facebook do que o conteúdo de qualquer editora individual de língua inglesa.
Organização sem fins lucrativos
Em junho de 2024, a Axios informou que a AP lançaria uma organização sem fins lucrativos 501(c)(3) com o objetivo de ampliar as notícias estaduais e locais, esperando arrecadar pelo menos US$ 100 milhões em fundos filantrópicos para enfrentar a "crise das notícias locais".
1849: a Harbor News Association abriu o primeiro escritório de notícias fora dos Estados Unidos em Halifax, Nova Escócia, para encontrar navios vindos da Europa antes que atracassem em Nova Iorque.
1876: Mark Kellogg, um colaborador freelancer, foi o primeiro correspondente da AP morto durante a cobertura de notícias, na Batalha de Little Bighorn.
1893: Melville E. Stone tornou-se diretor-geral da AP reorganizada, cargo que ocupou até 1921. Sob sua liderança, a AP cresceu e tornou-se uma das agências de notícias mais proeminentes do mundo.