Aymar de Lusinhão, ou Ademar, (c. 1222 – Paris, 4 de dezembro de 1260) foi um membro da alta nobreza da Poitou do século XIII. Tornou-se, do outro lado do Canal da Mancha, um importante dignitário eclesiástico graças ao apoio de seu meio-irmão, o rei da Inglaterra, Henrique III Plantageneta.
Aymar é o quinto e último filho de Hugo X de Lusinhão (ca. 1182–1249), conde da Marcha e de Isabel Taillefer (ca. 1188/1192–1246), condessa de Angolema e rainha consorte da Inglaterra, viúva do rei João Sem Terra (1166-1216). Aymar, por parte de mãe, é meio-irmão do rei Henrique III da Inglaterra (1207-1272) e de Ricardo, 1.º Conde da Cornualha (1209-1272), Rei dos Romanos.
Seu irmão mais velho, Hugo XI de Lusinhão (ca. 1221-1250), era senhor de Lusinhão, conde da Marcha (1249-1250) e de Angolema (1246-1250). Ele faleceu na batalha de Fariskur durante a Sétima Cruzada. Seus irmãos mais velhos, Guy, Geoffroy e Guilherme I de Valence, conde de Pembroke, participavam ativamente da vida política inglesa.
Aymar recebeu o nome de seu avô materno: Aymar II (ca. 1160–1202), conde de Angolema (ca. 1186–1202).
Aymar não deve ser confundido com seu sobrinho: outro Aymar de Lusinhão, conhecido como de Valence (ca. 1275–1324), conde de Pembroke, filho de Guilherme I de Valence (ca. 1227–1296), conde de Pembroke, e de Joana de Montchenu (ca. 1230–1307).
Além disso, Aymar, bispo de Winchester, é por vezes mencionado em alguns artigos e obras como “Aymar de Valence”; nome que ele nunca utilizou em documentos oficiais.
Após a batalha de Taillebourg em 1242, que colocou em dificuldades seu pai Hugo X de Lusinhão e toda a rede familiar de Poitou, Henrique III da Inglaterra convidou vários de seus meios-irmãos, em 1247, a se juntarem a ele na Inglaterra. Aymar é mencionado como clérigo ao chegar à Inglaterra, na companhia de seus irmãos Guy, Guilherme e de sua irmã mais nova Alice.
O soberano inglês se encarregou imediatamente de garantir o futuro deles: Alice casou-se muito rapidamente com o jovem conde de Surrey, João de Warenne. Guilherme de Valence casou-se em 13 de agosto de 1247, com Joana de Montchenu, última descendente e co-herdeira do conde de Pembroke, [[William Marshal, 1.º Conde de Pembroke
Ao tornar-se assim conde de Pembroke e senhor de Wexford, Guilherme passou a ser um dos barões mais poderosos da Inglaterra. Guy, Aymar e, posteriormente, Geoffroy foram amplamente favorecidos pelo monarca Plantageneta. Aymer recebeu uma prebenda na diocese de Londres. Os irmãos Lusinhão foram um apoio incondicional aos reis Henrique III e Eduardo I da Inglaterra, seu filho. Essa política real de favores tornou os Lusinhão muito impopulares entre parte da aristocracia inglesa.
Aymar era senhor de Couhé em Poitou e prestava homenagem ao abade de Saint-Maixent por esse feudo em 28 de março de1249.
Nomeado por Henrique III Plantageneta, Aymar sucedeu a Guilherme de Raley como bispo de Winchester (1250-1260) e foi eleito em 4 de novembro de 1250. A nomeação foi inadequada em todos os sentidos. Aymar era analfabeto, desconhecia a língua inglesa e levava uma vida totalmente secular. Sobre ele recaía toda a indignação popular contra os favoritos estrangeiros; e parece que mereceu esta distinção nada invejável. Contudo, recebeu a confirmação da sua eleição para a sé do Papa Inocêncio IV em 14 de janeiro de 1251, juntamente com uma dispensa para manter os seus rendimentos eclesiásticos.
Ele desempenhou um papel importante no desencadeamento do movimento de reforma da nobreza de 1258. Em 1 de abril de 1258, Aymar enviou um grupo armado para atacar os homens do magnata João Fitzgeoffrey em Shere, em Surrey, matando um deles. Em um parlamento inaugurado em Westminster uma semana depois, João Fitzgeoffrey exigiu justiça do rei; Henrique isentou Aymar, seu meio-irmão, de culpa e recusou-se a fazer justiça, o que enfureceu os barões. No Parlamento de Oxford, em 1258, ele e seus irmãos repudiaram as Disposições de Oxford elaboradas pelos barões. Ele foi perseguido até Winchester, sitiado no Castelo de Wolvesey e, por fim, obrigado a se render e deixar o reino. Ele nunca havia sido consagrado; por isso, em 1259, o capítulo de Winchester procedeu a uma nova eleição. Aymar, no entanto, conquistou o apoio do Papa Alexandre IV, e, em janeiro de 1259, Alexandre IV enviou Velascus (um Frade Menor) à Inglaterra para obrigar o rei e os barões a restabelecer Aymar em seu bispado de Winchester. Ele estava voltando para a Inglaterra quando foi acometido por uma doença fatal em Paris,[carece de fontes]? tendo sido consagrado bispo apenas em 13 de maio de 1260, em Roma. No entanto, Aymar morreu alguns meses depois em Paris, em 4 de dezembro de 1260. Foi sepultado na igreja de Santa Genoveva em Paris. A Catedral de Winchester abriga seu coração, onde ele permanece até hoje.
O selo de Aymar é conhecido por meio de um documento, datado de 29 de julho de 1254, redigido em Witney, localidade próxima a Oxford.
Anverso: no formato de um barco, 62 × 45 milímetros.
Descrição: A figura, em pé, está vestida como um diácono, com a cabeça descoberta e segurando um livro com as duas mãos. Duas estrelas estão posicionadas à direita e à esquerda, na altura das coxas. Uma abóbada se ergue sobre a figura, acima da qual se eleva uma estrutura arquitetônica formada por uma torre principal e duas torres secundárias.
Legenda: SIGILLV • ADEMARI • DEI • ...... ELECTI WITHONIEN
Legenda transcrita: Sigillum Ademari dei [gracia] electi Wintoniensis
Reverso: no formato de um barco, 62 × 45 milímetros.