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Bahia

Unidade federativa do Brasil

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Bahia é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Banhada pelo Oceano Atlântico na costa mais extensa do país, está situada na Região Nordeste, onde representa a maior extensão territorial, a maior população, o maior produto interno bruto e o maior número de municípios. A capital estadual é Salvador. Além dela, há outros municípios influentes na rede urbana baiana, como as capitais regionais, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras, o bipolo Itabuna-Ilhéus e Juazeiro do bipolo com o município pernambucano de Petrolina.

Um dos primeiros núcleos de riqueza açucareira do Brasil, a Bahia recebeu um imenso contingente e enorme influência de africanos escravizados, trazidos pelos colonizadores portugueses para comercialização, visando a suprir os engenhos e as minas de ouro da colônia. Esses indivíduos escravizados procediam em especial do Golfo da Guiné, das antigamente chamadas costas "dos escravos", "da pimenta", "do marfim" e "do ouro", na África Ocidental, com destaque para o Império de Oió, fundado e habitado pelo povo iorubá, e o antigo Reino de Daomé. Em contraposição, o Rio de Janeiro viria a receber, posteriormente, escravos procedentes principalmente de Angola e Moçambique. Assim, a influência da cultura africana na Bahia permaneceu alta na música, na culinária, na religião, no modo de vida de sua população, não só ao redor de Salvador e Recôncavo baiano, mas, principalmente, em toda a costa baiana. Não à toa, o gentílico do estado deu nome ao ofício comum a mulheres negras que preparam e comerciam no tabuleiro de acarajé, vestidas de turbante, colares e brincos dourados, pulseira, saias compridas e armadas, blusa de renda e adereços de pano da costa — isto é, a baiana do acarajé. Outro símbolo está na Bandeira do Brasil, em que o estado da Bahia é representado pela estrela Gamma Crucis da constelação do Cruzeiro do Sul (Crux).

A Bahia é considerada a parte mais antiga da América Portuguesa, pois foi na região de Porto Seguro, litoral sul da Bahia, que a frota de Pedro Álvares Cabral ancorou, em 22 de abril de 1500, marcando o descobrimento do Brasil pelos portugueses e a celebração da primeira missa, na praia da Coroa Vermelha, presidida pelo frei Henrique Soares de Coimbra. Em 1 de novembro de 1501, o navegador florentino Américo Vespúcio, a serviço da Coroa portuguesa, descobriu e batizou a Baía de Todos-os-Santos, maior reentrância de mar no litoral desde a foz do Rio Amazonas até o estuário do Rio da Prata. O local foi escolhido para abrigar a sede do governo-geral em março de 1549 com a chegada do fidalgo Tomé de Sousa, a mando do rei Dom João III de Portugal para fundar a que seria, pelos 214 anos seguintes, a cidade capital do Brasil Colônia, Salvador. É de se destacar também o decreto de abertura dos portos às nações amigas, promulgada em 28 de janeiro de 1808 por meio de uma Carta Régia pelo príncipe regente dom João VI de Portugal, na então Capitania da Bahia, acabando com o exclusivismo metropolitano comercial e abrindo a economia brasileira para o comércio exterior.

O estado possui um alto potencial turístico, que vem sendo muito explorado através de seu litoral, da Chapada Diamantina, do Recôncavo e de outras belezas naturais e patrimônios históricos e culturais. Possui a sétima maior economia do Brasil, com produto interno bruto superior a 400 bilhões de reais, representando 30 mil reais de PIB per capita. As maiores exportações da Bahia para o exterior são óleo combustível, celulose, soja e algodão, com a China, Singapura e Estados Unidos como principais destinos, enquanto que, no mercado interno, os destaques são a celulose, manteiga, pneus, combustíveis, café e frutas Contudo, a renda, no entanto, não é bem distribuída, refletindo-se num índice de desenvolvimento humano de 0,759 em 2024. O estado também sofre com altíssimas taxas de criminalidade, sendo o segundo com maior taxa de homicídios do país e o estado com o maior número de cidades entre as mais violentas do Brasil (12), segundo dados de 2013.

O topônimo "Bahia" é uma referência à Baía de Todos os Santos, a qual deu o nome, originalmente, à Capitania da Baía de Todos os Santos. A capitania foi transformada, em 1821, em província. Em 1889, a Província da Bahia tornou-se o atual Estado da Bahia.

"Bahia" é a grafia antiga para "baía", a qual se conservou, no Brasil, por uma questão de tradição. No entanto, na variante europeia da língua portuguesa, escrita em Portugal, a grafia também correta e usual é "Baía"; os dicionários portugueses como o da Porto Editora, o da Texto Editores e o da Academia de Ciências de Lisboa, que é o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, definem a palavra baiano como alguém que é originário do estado brasileiro da Baía, utilizando essa grafia.

O gentílico "baiano", já supracitado, não conserva a ortografia antiga. Embora a grafia Bahia siga as regras gerais da atual ortografia da língua portuguesa, está registrada na quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia já estava consagrada como exceção no ponto 42 do Formulário Ortográfico de 1943:

"Os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma na sua grafia, quando já esteja consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros. Sirva de exemplo o topônimo Bahia, que conservará esta forma quando se aplicar em referência ao Estado e à cidade que têm esse nome. Observação. — Os compostos e derivados desses topônimos obedecerão às normas gerais do vocabulário comum".

Ainda que a grafia Bahia seja universalmente adotada pela população brasileira, tal grafia suscita dúvidas a gramáticos e lexicógrafos como o ortógrafo e lexicógrafo brasileiro Evanildo Bechara, que considera a grafia Bahia "um capricho imposto à nação", e Napoleão Mendes de Almeida, que qualifica tal grafia como "espúria".

Diversos estudos genéticos confirmam que os povos ameríndios descendem diretamente de grupos de caçadores-coletores asiáticos no leste da Sibéria que migraram para a América do Norte há cerca de 25 mil a 15 mil anos, e depois se espalharam por todo o continente americano, povoando-o.

Na época da chegada dos europeus ao Brasil, em 1500, o que é hoje a Bahia era habitada por uma diversidade de povos indígenas. O litoral baiano e regiões próximas eram habitados pelos tupiniquins e tupinambás, cujos ancestrais chegaram ali, vindos da Amazônia, não muitos séculos antes. Já o interior semiárido e o oeste eram habitados por povos falantes de línguas macro-jê, como os cariris.

Em 22 de abril de 1500, a frota portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral desembarcou na região de Porto Seguro, no litoral sul baiano, sendo a primeira vez que, oficialmente, os europeus chegaram ao Brasil. Em 1º de novembro de 1501, a Baía de Todos-os-Santos foi avistada pelos europeus pela primeira vez, pela expedição portuguesa de Américo Vespúcio. Nos trinta anos seguintes, a região foi explorada por outros europeus, ao mesmo tempo que Portugal não dava importância ao território baiano, extraindo dali apenas o pau-brasil.

O primeiro europeu a se fixar de forma definitiva no território brasileiro e a prosperar em uma comunidade indígena no Brasil foi o português Diogo Álvares Corrêa, apelidado de “Caramuru” pelos ameríndios, sobrevivente de um naufrágio na costa do recôncavo da Bahia em 1509. Caramuru tornou-se uma espécie de chefe indígena na região, casando-se com Catarina Paraguaçu, filha do Cacique Taparica. Em 1511, já havia uma feitoria na Baía de Todos-os-Santos; não somente o Caramuru, como alguns outros degredados, náufragos e desertores ibéricos e franceses se casaram com as indígenas e deram origem às mais antigas famílias da Bahia e do Brasil. O pau-brasil também movimentou contrabandistas franceses, que chegaram a conquistar a credibilidade dos indígenas.

Apenas em 1534 se iniciou oficialmente a colonização portuguesa da Bahia, quando o rei de Portugal D. João III dividiu a América Portuguesa em capitanias hereditárias, acreditando que essa seria a forma mais eficaz de povoar e garantir a conquista dessa colônia. As antigas capitanias da Baía de Todos-os-Santos, de Ilhéus e de Porto Seguro, eram equivalentes ao atual território do estado da Bahia.

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