Bartolomé Juan Leonardo de Argensola (Barbastro, Huesca, 26 de agosto de 1562 — Saragoça, 4 de fevereiro de 1631) foi um poeta, historiador e sacerdote espanhol do Século de Ouro.
Bartolomé Leonardo de Argensola foi batizado em Barbastro em 26 de agosto de 1562. De origem nobre, filho de Juan Leonardo e Aldonza de Argensola, estudou junto com seu irmão, o poeta e dramaturgo Lupercio, nas escolas primárias de Barbastro, letras e filosofia na Universidade de Huesca (1574), retórica e história na Universidade de Saragoça (1580), sob a orientação de Andrés Schott e Pedro Simón Abril.
Bartolomé Leonardo de Argensola recebeu uma sólida formação clássica; escrevia em latim, conhecia o grego e traduziu numerosos autores clássicos.
Leonardo de Argensola foi ordenado sacerdote e tornou-se protegido de Fernando de Gurrea y Aragón, 5.º Duque de Villahermosa. Foi nomeado pároco de Villahermosa del Río, em Valência, em 1586, nos mesmos anos em que seu irmão Lupercio assumiu o cargo de secretário do duque de Villahermosa.
Capelão e historiador, em Nápoles
Em 1590, quando Jerónimo de Blancas morreu, Leonardo de Argensola solicitou o cargo de cronista do Reino de Aragão, explicando em um documento os requisitos indispensáveis para a historiografia e as qualidades que um bom cronista deveria possuir, mas não obteve o posto solicitado.
Leonardo de Argensola retornou inicialmente à sua paróquia em Villahermosa del Río e, pouco depois, para Saragoça. Com a morte do duque em 1592, foi nomeado capelão da viúva de Maximiliano II, a imperatriz Maria, juntamente com seu irmão Lupercio no cargo de secretário da imperatriz, permanecendo no cargo até 1603, escrevendo boa parte de seus poemas e conhecendo numerosos literatos e nobres, entre os quais Cristóbal de Mesa, Vicente Espinel, Miguel de Cervantes, Lope de Vega, Pedro de Valência, Francisco Aguilar de Terrones, e, graças à proteção oferecida por Pedro Fernández de Castro, recebeu, em 1606, a incumbência de compor uma obra historiográfica, a Conquista de las islas Molucas (Conquista das Ilhas Molucas, Madri, 1609). Entre suas outras obras historiográficas, escreveu a Primera parte de los Anales de Aragón (Primeira parte dos Anais de Aragão, 1630), dando continuidade à obra de Jerónimo Zurita y Castro. Seus comentários sobre eventos contemporâneos e suas Alteraciones populares, que tratam de uma revolta em Saragoça em 1591, estão perdidos.
No segundo livro da Conquista de las Islas Molucas, sob o título Grandeza de la Isla de los Papuas, Bartolomé Leonardo de Argensola relata que os espanhóis chamam de “albinos” as crianças brancas nascidas de negros na Nova Guiné. Essa menção é considerada o primeiro relato do termo, mais antigo do que o uso do termo por Baltasar Teles. Uma interessante biografia deste escritor, escrita pelo padre Miguel Mir, precede uma reimpressão da Conquista de las Islas Molucas, publicada em Saragoça em 1891.
Quando o duque de Lemos tornou-se vice-rei de Nápoles, seu irmão Lupercio assumiu o cargo de superintendente da secretaria de Estado de seu vice-reinado e, assim, em junho de 1610, Bartolomé, na função de conselheiro em assuntos eclesiásticos, mudou-se junto com o irmão e toda a família para Nápoles, onde permaneceu até 1614.
Em Nápoles, tornou-se membro da Accademia degli Oziosi (1611), que reunia, no claustro de Santa Maria em Caponapoli, as sessões dos principais intelectuais napolitanos e espanhóis da primeira metade do século XVII, entre os quais Francisco de Quevedo, ocasiões nessas que os irmãos Leonardo de Argensola entraram em contato com Giambattista Basile, com Giulio Cesare Capaccio, com Antonio Mira de Amescua e outros, e, frequentemente, nessas reuniões, eram encenadas peças clássicas ou contemporâneas.
Em Nápoles, Bartolomé compôs alguns poemas, entre os quais a famosa Elegía en la muerte de la reina, doña Margarita, nuestra señora (Elegia pela morte da rainha, Dona Margarida, nossa senhora, 1611), e dois anos após a morte de seu irmão, em 1615, foi nomeado cônego de La Seo de Saragoça, enquanto se encontrava em Roma, onde conheceu Galileu Galilei, que tentava vender seus instrumentos de navegação à coroa espanhola.
Cronista do rei, poeta: características
Em 1618, Bartolomé Leonardo de Argensola foi nomeado cronista do rei para os reinos da Coroa de Aragão, o que ampliou suas funções como historiador oficial. A partir dessa data, passou a residir permanentemente em Saragoça, embora de tempos em tempos se deslocasse a Madri para cumprir compromissos profissionais, como em 1619, a pedido de La Seo.
Tacitista e neo-estoico, Bartolomé aprofundou, como historiador, os temas da razão de Estado, da tirania e do exercício do poder absoluto, escrevendo a história para compreender o passado, convencido de que seu conhecimento deveria sempre estar a serviço da ética.
Para Bartolomé, compor poesia significava inspirar-se nos antigos gregos e nos latinos, entre os quais Horácio, Virgílio, Juvenal, Aulo Pérsio Flaco, Marcial, Píndaro, Luciano de Samósata, utilizando o terceto em sátiras, epístolas e sermões. Bartolomé revelou-se um dos mais importantes poetas castelhanos do início do século XVII, próximo e semelhante ao irmão pela inspiração nos poetas latinos e pelo caráter moralizante e didático, embora Lupercio fosse mais elegante e Bartolomé mais profundo. Ele expôs sua estética na “Epístola a Fernando de Soria”, inspirada na “Epistola ad Pisones” de Horácio. Seu sobrinho Gabriel Leonardo de Albion publicou em 1634 em Saragoça a edição póstuma dos poemas de seu pai e de seu tio, 197 poemas, divididos em quatro grupos: amorosos, satíricos, morais-religiosos e de ocasião.
Nos poemas amorosos, ele frequentemente se afastou do platonismo metafísico e pareceu defender uma relação física, descrevendo sobretudo a beleza feminina.
Bartolomé era um profundo conhecedor das sátiras de Juvenal e de Pérsio, embora seu mestre preferido fosse Horácio, a quem procurou imitar em suas críticas à corrupção dos costumes da vida na corte e nas críticas aos vícios sociais em relação à doutrina estoica.
Outros versos pertencem à poesia moral, que seguiu os temas típicos barrocos: o predomínio da razão sobre os sentidos, os perigos do mar, a brevidade da beleza feminina e da vida.