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Bernard Stiegler

Filósofo francês

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Bernard Stiegler (Villebon-sur-Yvette, 1 de abril de 1952 – Épineuil-le-Fleuriel, 5 de agosto de 2020) foi um filósofo francês.

Fundador e presidente do grupo de reflexão filosófica Ars Industrialis em 2005, fundou e dirigiu também, a partir de abril de 2006, o Instituto de Investigação e Inovação (IRI) no seio do Centro Georges-Pompidou.

A sua reflexão incidiu maioritariamente sobre as mutações sociais, políticas, económicas e psicológicas induzidas pelo desenvolvimento tecnológico, em particular pelas tecnologias digitais.

A obra de Stiegler é influenciada por, entre outros, André Leroi-Gourhan, Gilbert Simondon, Friedrich Nietzsche, Paul Valéry, Edmund Husserl, Martin Heidegger e Jacques Derrida.

Seus temas principais são tecnologia, tempo, individuação, consumismo, capitalismo de consumo, convergência tecnológica, digitalização, americanização e o futuro da política e da sociedade humana.

Entre 1978 e 1983, Stiegler esteve encarcerado por assalto à mão armada. Primeiro, na prisão Saint-Michel em Toulouse e depois no centro de detenção Muret. Foi durante este período que ele se interessou por filosofia, estudando por correspondência na Université de Toulouse-Le-Mirail. Sua transformação na prisão é narrada em seu livro Passer à l’acte (2003).

Após ser libertado em 1983, trabalhou como consultor na empresa TEN, especializada em questões de desenvolvimento tecnológico e urbano. Em 1984, foi eleito diretor de programas de investigação no Collège International de Philosophie por um mandato de seis anos e, em 1985, foi encarregado pelo Ministério da Investigação francês de realizar um estudo sobre os desafios das tecnologias da informação e comunicação.

Em 1987, concebeu e comissariou a exposição Mémoires du Futur (Memórias do futuro) no Centro Georges-Pompidou. A partir de 1988, lecionou na Université de Technologie de Compiègne (UTC) e orientou um seminário na École d'architecture de Marseille-Luminy (ENSAM) sobre ferramentas de comunicação assistida por computador e imagem digital.

Entre 1989 e 1993, presidiu a um grupo de investigação junto da Biblioteca Nacional da França para a conceção de postos de leitura assistida por computador. Em 1990, escreveu o argumento da exposição do pavilhão francês para a Exposição Universal de 1992, em Sevilha.

Em 1993, sob a orientação de Jacques Derrida, defendeu a sua tese de doutoramento em Filosofia na École des hautes études en sciences sociales (EHESS), intitulada La Faute d'Épiméthée. La Technique et le Temps (que serviu de base à sua obra principal La Technique et le Temps). Nesse mesmo ano, fundou a unidade de investigação COSTECH (Connaissances, Organisations et Systèmes Techniques) na UTC. Entre 1996 e 1999, exerceu as funções de diretor-geral adjunto do Institut national de l'audiovisuel (INA).

Stiegler continuou a sua reflexão sobre o impacto do digital na sociedade através da publicação de várias obras. Em 2002, assumiu a direção do Institut de recherche et coordination acoustique/musique (IRCAM). Em janeiro de 2006, tornou-se diretor de desenvolvimento cultural do Centro Pompidou.

Em 2005, cofundou a associação Ars Industrialis juntamente com Marc Crépon, George Collins, Catherine Perret e Caroline Stiegler, reunindo investigadores de diversos campos disciplinares para defender uma «política industrial das tecnologias do espírito».

Em paralelo, em abril de 2006, criou com Vincent Puig o Institut de recherche et d'innovation (IRI) no Centro Pompidou, focado no desenvolvimento de novas práticas culturais e cognitivas no contexto da transformação digital.

Entre as suas restantes funções institucionais e académicas, destacam-se:

Membro do Conseil de l'intelligence artificielle et du numérique (CNNum) entre 2013 e 2016;

Membro do comité de orientação do fórum Vies Mobiles (grupo de reflexão think tank da SNCF);

Membro do conselho científico do observatório B2V des Mémoires a partir de 2013.

Em setembro de 2018, cofundou em Londres o Collectif Internation, um grupo de trabalho transdisciplinar dedicado às problemáticas do Antropoceno, ao lado de personalidades como Giuseppe Longo, Hans Ulrich Obrist, Alain Supiot e J. M. G. Le Clézio.

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