Bertrand de Orléans e Bragança (nome completo: Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança) ComMM • GCNSC (Mandelieu-la-Napoule, França, 2 de fevereiro de 1941) é um advogado e escritor brasileiro, membro da Casa de Orléans e Bragança que, desde falecimento de seu irmão mais velho, Luiz de Orléans e Bragança, em 2022, é considerado por apoiadores do Ramo de Vassouras como chefe da Casa Imperial do Brasil e pretendente ao extinto Império do Brasil.
Nascido na França, desenvolveu sua atuação pública no Brasil. É filho de Pedro Henrique de Orléans e Bragança, reconhecido por seus partidários como chefe da Casa Imperial do Brasil no século XX, e de Maria Isabel da Baviera.
Por linhagem paterna, pertence à Casa de Bragança, antiga dinastia reinante no Reino de Portugal e no Brasil, e à Casa de Orléans, associada à tradição monárquica francesa. Por sua mãe, liga-se à Casa de Wittelsbach, antiga casa real do Reino da Baviera.
Atua como conferencista e autor de obras relacionadas ao pensamento conservador, à doutrina social da Igreja e à defesa da restauração monárquica no Brasil.
Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach nasceu em 1941, no sul da França, onde sua família morava desde a época do exílio da família imperial brasileira, que havia sido revogado em 1920. Bertrand passou a primeira parte da infância na França e, por esse motivo, carrega um forte sotaque francês quando se comunica em português.
Filho de Pedro Henrique de Orléans e Bragança e da princesa Maria Isabel da Baviera, é o terceiro filho do casal, de um total de treze. Seus irmãos mais velhos são Luiz Gastão e Eudes, sendo que este último renunciou aos seus direitos dinásticos para realizar um casamento morganático.
O jovem Bertrand mudou-se com sua família para o Brasil após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Bertrand cresceu e realizou parte de seus estudos secundários no estado do Paraná, e, mais tarde, estudou no Colégio Santo Inácio, na cidade do Rio de Janeiro. Cursou a Faculdade de Direito da USP, formando-se bacharel em direito em 1964.
Após a morte de seu irmão Luiz Gastão no dia 15 de julho de 2022, assumiu a chefia da Casa de Orleães e Bragança.
Abertamente identificado com valores conservadores, Bertrand é de inspiração católica tradicionalista, membro-diretor do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, sucessor da antiga Associação Tradição, Família e Propriedade (TFP).
É figura expressiva no cenário do Movimento Monárquico Brasileiro, tanto na época anterior ao plebiscito de 21 de abril de 1993, quanto nos dias que o sucedem. Lidera campanhas em prol da restauração da monarquia no Brasil.
Bertrand é uma figura ativa no movimento monarquista brasileiro, sendo conhecido por conceder frequentemente entrevistas à mídia, proferir palestras em diferentes localidades do país, manter um blogue na internet e participar do Movimento Paz no Campo. Este último é um grupo de pressão/lobby que defende os interesses da propriedade rural e tem uma posição crítica em relação ao ambientalismo e a grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).
Bertrand é conhecido por ter uma posição política alinhada ao conservadorismo e ao princípio da propriedade privada, assim como à livre iniciativa e ao respeito ao princípio da subsidiariedade.
É conhecido por ter uma posição negacionista em relação às mudanças climáticas.
Além disso, ele alega que a proteção das comunidades indígenas previstas pela Constituição brasileira de 1988 seria uma "tática comunista". Em 2012, ele publicou o livro Psicose Ambientalista, no qual faz críticas a movimentos como o MST e grupos que ele classifica como "ecoterroristas e ambientalistas radicais".
Bertrand tem uma posição contrária à possibilidade de divórcio e re-casamento, alinhado às doutrinas da Igreja Católica.
Em 2017 foi um dos entrevistados no documentário Bonifácio: O Fundador do Brasil, sobre o "Patriarca da Independência", José Bonifácio de Andrada e Silva.
Em junho de 2020, em videoconferência realizada entre o Ministério das Relações Exteriores com a Fundação Alexandre Gusmão, organizada pelo Palácio do Itamaraty, discutindo cenários do Brasil em meio à pandemia do COVID-19, Bertrand afirmou que "enquanto certos países têm um problema racial muito violento, aqui nós não temos problema racial. Estão procurando criar esse problema racial, mas não conseguem. […] Aqui no Brasil todos nos damos bem, […] Todo brasileiro tem um pouco de sangue branco, um pouco de sangue negro e um pouco de sangue índio. Isso deu um blend [mistura] absolutamente extraordinário, porque temos o povo brasileiro que é um povo fabuloso. É um povo com um calor humano que nenhum outro povo tem isso". Na mesma conferência, Bertrand deu outra declaração ao tratar sobre a COVID-19, afirmando que "o grande culpado por essa pandemia é a China".
Em fevereiro de 2022, após um comunicado assinado por Bertrand se solidarizando com as vítimas das enchentes de Petrópolis, ele explicou que o Ramo de Vassouras (descendentes de Luís de Orléans e Bragança, o filho mais novo da Princesa Isabel), do qual ele, seus irmãos, sobrinhos e sobrinhos-netos fazem parte, não recebe a taxa de 2,5% sobre as vendas e aluguéis de imóveis em Petrópolis, um direito cabível como contrapartida ao uso das terras da fazenda do Córrego Seco, hoje o centro de Petrópolis, comprada por Dom Pedro I com dinheiro próprio em 1830 (era uma propriedade privada do imperador, não sendo um espaço público como os edifícios públicos governamentais ou os terrenos públicos pertencentes à União, ao Estado do Rio de Janeiro ou ao Município de Petrópolis). Ele disse que a taxa é devida apenas ao Ramo de Petrópolis (descendentes de Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, o filho mais velho da Princesa Isabel), que redireciona o laudêmio ao Museu Imperial.