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Brasílio Itiberê da Cunha

Compositor e diplomata brasileiro

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Brasílio Itiberê da Cunha (Paranaguá, 1.º de agosto de 1846 – Berlim, 11 de agosto de 1913) foi um compositor, pianista, diplomata e escritor brasileiro. Sua vida transcorreu entre o piano e a diplomacia. Começou a tocar e compor no Paraná, estudou direito em São Paulo e passou mais de quatro décadas no serviço exterior. Viveu em cidades da Europa e da América do Sul, sem abandonar a música. Tocou em concertos e reuniões particulares, publicou partituras e procurou abrir espaço para músicos, escritores e artistas brasileiros nos países onde trabalhou.

Seu nome ficou unido a A Sertaneja, fantasia para piano publicada em 1869, quando ainda era estudante. Na peça, Itiberê tomou fragmentos de "Balaio, meu bem, balaio" e os levou para a escrita virtuosística do piano romântico. A melodia popular brasileira surge entre acordes, cruzamentos das mãos e passagens rápidas pelo teclado. A obra circulou no Brasil e na Europa e levou seu nome às primeiras discussões sobre o nacionalismo musical brasileiro.

Na diplomacia, serviu ao Império e à República. Trabalhou na Alemanha, na Itália, na Bélgica, na Bolívia, no Peru, no Paraguai e em Portugal. Acompanhou crises políticas, negociações comerciais e debates sobre ensino técnico, imigração e relações militares. Em Assunção, participou das negociações da revolução de 1904. Em Bruxelas e Berlim, escreveu sobre economia, literatura, pintura e música brasileira.

Depois de sua morte, grande parte das partituras permaneceu dispersa, enquanto A Sertaneja continuou a ser tocada e estudada. Gravações, novas edições e pesquisas recuperaram outras composições e cartas ligadas a Antônio Carlos Gomes, Franz Liszt e Anton Rubinstein. No Paraná, seu nome foi dado a uma sociedade de concertos, escola pública, dentre outras homenagens. Tornou-se ainda patrono de cadeiras da Academia Paranaense de Letras e da Academia Brasileira de Música.

Família, infância e formação musical

Brasílio Itiberê da Cunha nasceu em 1.º de agosto de 1846, em Paranaguá, que ainda fazia parte da Província de São Paulo. Era filho de João Manoel da Cunha e Maria Lourenço Munhoz. Estudou primeiro em Paranaguá e depois em Curitiba, onde cursou o ensino secundário antes de se mudar para São Paulo.

A família morava perto da antiga matriz de Paranaguá, em uma casa colonial onde Brasílio e seu irmão Celso Itiberê da Cunha nasceram e passaram parte da infância. Construído no final do século XVIII, o imóvel passou para o município e foi tombado pelo estado do Paraná em 1972.

Seu pai era músico amador, latinista e diretor da Instrução Pública do Paraná. Outros membros da família também se dedicaram à música e à literatura. João Itiberê da Cunha, irmão de Brasílio, foi poeta, jornalista, compositor e crítico musical. Seu sobrinho Brasílio Itiberê da Cunha Luz, chamado de Brasílio Itiberê II, foi compositor, escritor e pesquisador do folclore.

Itiberê começou a estudar música pelo violino, mas logo fez do piano seu principal instrumento. Recebeu as primeiras aulas em casa, com a irmã Maria Lourença, e começou a se apresentar ainda jovem. Tocou em concertos no Paraná e depois em São Paulo, enquanto escrevia suas primeiras composições.

Faculdade de Direito e vida musical em São Paulo

Itiberê chegou a São Paulo por volta de 1864 para fazer os estudos preparatórios exigidos para o ensino superior. Aos vinte anos, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, onde estudou entre 1866 e 1870. Rui Barbosa, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Joaquim Nabuco e Castro Alves foram seus colegas durante este período, embora não haja registros sólidos da relação de Itiberê com cada um deles.

A música animava boa parte das reuniões estudantis. Os alunos organizavam saraus e concertos, tocavam em casas particulares e compunham valsas, polcas, quadrilhas, modinhas e fantasias. Itiberê participava como pianista e compositor. Suas partituras eram anunciadas e vendidas pela casa de música de Henrique Luís Levy, uma das lojas frequentadas por músicos e estudantes em São Paulo.

Carlos Penteado de Rezende incluiu Itiberê entre os pianistas presentes num sarau de 1868, quando Castro Alves teria recitado um trecho ainda inédito de Os escravos.

Nos anos de faculdade, Itiberê publicou a obra que ficaria mais ligada ao seu nome. Em 1869, a Casa Levy lançou A Sertaneja, fantasia para piano que emprega elementos da canção popular "Balaio, meu bem, balaio". A partitura foi anunciada naquele ano pela Casa Levy e pela loja de Madame Fertin. Itiberê trabalhou o tema brasileiro com recursos do piano romântico europeu, como passagens de bravura, cruzamentos das mãos e mudanças amplas de registro. A peça seria retomada mais tarde nos primeiros estudos sobre o nacionalismo musical brasileiro. Também lhe é atribuído um Hino Acadêmico, cuja partitura foi perdida.

Itiberê continuou a tocar e compor até o fim do curso. Algumas apresentações tinham fins beneficentes e estavam ligadas às campanhas estudantis contra a escravidão.

A participação de Itiberê no movimento abolicionista está mais bem documentada em 1870, seu último ano na Faculdade de Direito. José Maria Neves afirmou que ele obteve cartas de alforria para três crianças negras cerca de dois meses antes da formatura. O Correio Paulistano teria elogiado a iniciativa.

Segundo o Diário de S. Paulo, em 20 de agosto, Itiberê tocou num concerto organizado pelo músico chileno Thomaz Rodenas em benefício da Sociedade Redemptora, que arrecadava dinheiro para comprar a liberdade de crianças escravizadas.

Itiberê e Rodenas abriram o concerto com um duo para dois pianos baseado na ópera Lucia di Lammermoor. Depois, Itiberê tocou sua A supplica do escravo, anunciada como uma "meditação". Também participou da Serenata, de Franz Schubert, e encerrou sua parte no programa com o Segundo grande galope de concerto.

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