Pedro Leitão Brito (Povoação Velha, Ilha da Boa Vista, 6 de janeiro de 1970), mais conhecido como Bubista, é um treinador e ex-futebolista cabo-verdiano que atuava como defesa central, ou trinco. Atualmente comanda o RS Berkane.
Bubista cresceu na ilha da Boa Vista, onde começou a jogar futebol nas ruas, recorrendo por vezes a bolas improvisadas com meias costuradas pela mãe. A primeira edição do Campeonato do Mundo de que guarda memória foi a de 1982, acompanhada através de um dos primeiros — segundo o próprio, o único — aparelhos de televisão então existentes na ilha. O proprietário cobrava pela entrada em casa durante os jogos, levando Bubista e os amigos a procurarem formas de assistir às partidas sem pagar.
Mais tarde, estabeleceu-se em São Vicente, onde completou a formação futebolística e se afirmou nos campeonatos locais. Antes de partir para o estrangeiro, teve passagens pelo Mindelense, pela Académica do Mindelo, pelo Desportivo de Monte Sossego e pelo Derby. O seu currículo desse período inclui um título de juniores, um campeonato regional de São Vicente e uma Taça de São Vicente. Representou igualmente a seleção de São Vicente, com a qual venceu o Torneio Inter-Ilhas.
Em dezembro de 1995, foi contratado pelo Badajoz, então participante na Segunda Divisão espanhola e envolvido na luta pela subida ao principal escalão - chegou ao clube no dia 12, e sua aquisição foi oficializada no dia 30. O treinador Colin Addison solicitara reforços para o meio-campo, e Bubista foi recrutado pelo secretário técnico Paco Herrera sem que o clube pagasse uma indemnização de transferência. Utilizado como médio defensivo e também como defesa-central, encontrou forte concorrência de Josep María Sala, circunstância que restringiu a sua participação a dois encontros oficiais. Segundo o capitão Rodri, destacou-se sobretudo pela força física, capacidade defensiva e jogo aéreo.
Estreou-se a 4 de maio de 1996, como titular, disputando os 90 minutos da vitória por 3–0 no terreno do Getafe. Uma semana depois, participou no triunfo caseiro por 2–1 diante do Osasuna, entrando aos 60 minutos para substituir Pablo Zegarra. Sem ver o seu vínculo renovado no final da época, Estes foram os seus únicos jogos pelo Badajoz, que terminou a temporada de 1995–96 próximo dos lugares de promoção, atrás do Extremadura.
No final da experiência espanhola, passou grande parte da temporada 1996–97 sem equipa, até que foi contratado pelo Atlético Sport Aviação, habitualmente denominado ASA, de Luanda. Em 1999, integrava a equipa orientada por Carlos Alhinho. Durante a permanência no clube, tornou-se capitão e participou regularmente no Girabola; numa vitória por 3–1 sobre o Benfica de Luanda, marcou de grande penalidade um dos golos que permitiram ao ASA conservar a liderança da competição. A etapa angolana culminou com a conquista do Girabola de 2002.
Depois do título angolano, regressou ao futebol português para uma curta passagem pelo Estoril Praia durante a época de 2002–03.
Em 2003, voltou a Cabo Verde e passou a representar os Falcões do Norte, de São Vicente. Permaneceu no clube até 2006, ano em que terminou a carreira de jogador.
Somou 28 internacionalizações e exerceu a função de capitão nacional durante onze anos consecutivos; até 2005, era o jogador com mais partidas pelos Tubarões Azuis.
O ponto alto da sua carreira internacional ocorreu em 2000, quando integrou a seleção vencedora da XVI edição da Taça Amílcar Cabral. Na final, disputada em 14 de maio no Estádio da Várzea, na Praia, Cabo Verde derrotou o Senegal por 1–0, com um golo de Toy d’Sal. Bubista figurou entre os jogadores utilizados no encontro que assegurou aos cabo-verdianos a sua única conquista na competição.
Após retirar-se como jogador, Bubista foi treinador da seleção cabo-verdiana nas camadas sub-17 e sub-20, e foi adjunto da equipe principal entre 2007 e 2013, com destaque para a presença histórica no Copa das Nações Africanas de 2013 e o play-off de qualificação para o Mundial 2014.
Em 2012, assumiu o comando do Mindelense, a sua primeira experiência relevante como treinador principal. Pelo clube, conquistou o Campeonato Cabo-Verdiano (2012–13), a Primeira Divisão de São Vicente (2012–13), a Taça da Associação de São Vicente (2012–13)[carece de fontes]? e a Taça de São Vicente (2012–13).
Ao final de 2013, mudou-se para Angola para ser treinador adjunto de Lúcio Antunes no Progresso do Sambizanga. Em março de 2015, regressou a Cabo Verde para orientar a Académica do Mindelo, clube ao qual voltaria a estar vinculado em 2016.
Em fevereiro de 2016, assumiu o comando técnico do Sporting da Praia — inicialmente como interino e depois a título definitivo —, cargo que ocupou até setembro do mesmo ano, quando voltou para a Académica. Entre 2016 e 2017, somou ainda uma segunda passagem como adjunto da seleção principal.
Entre 2018 e o início de 2020, orientou o Batuque, permanecendo no clube até janeiro de 2020, data em que foi anunciado como o novo selecionador nacional de Cabo Verde.
Sob o seu comando, Cabo Verde classificou-se para a Campeonato Africano das Nações de 2021, após vencer Moçambique por 1–0, fora de casa, na última rodada da fase de qualificação. Posteriormente, garantiu o apuramento para o CAN 2023, prova em que a seleção atingiu os quartos de final.
A 13 de outubro de 2025, liderou a equipa na vitória por 3-0 frente a Essuatíni, garantindo uma histórica e inédita qualificação de Cabo Verde para o Mundial de 2026. O país tornou-se assim na segunda menor nação em termos populacionais a disputar um Campeonato do Mundo, registo superado apenas pela Islândia em 2018. Na sequência deste feito, Bubista foi distinguido como Treinador Africano do Ano de 2025 nos CAF Awards 2025.
Na estreia no Mundial 2026, a seleção cabo-verdiana empatou 0-0 com a Espanha, num dos resultados mais surpreendentes da história da copetição, dada a diferença de 65 posições entre as duas seleções no ranking da FIFA. Após novos empates frente ao Uruguai (2-2), e à Arábia Saudita (0-0), Cabo Verde avançou para a fase a eliminar. Nos oitavos de final, a equipa defrontou a campeã em título, a Argentina, acabando eliminada no prolongamento por 3-2. No final do encontro, Bubista manifestou o seu orgulho pelo desempenho dos jogadores e pela digna representação do país no torneio.