As Carmelitas de Compiègne foram 16 integrantes do Carmelo de Compiègne, na França: 11 freiras carmelitas, três irmãs leigas e duas terceiras. Elas foram executadas na guilhotina no final do Reinado do Terror, no que hoje é a Praça da Nação, em Paris, em 17 de julho de 1794, sendo veneradas como santas na Igreja Católica Romana. Dez dias após a execução, o próprio Maximilien Robespierre foi executado, pondo fim ao Reinado do Terror. A história das mártires carmelitas inspirou uma novela, um filme e uma ópera, Diálogos das Carmelitas (1957), composta pelo francês Francis Poulenc.
O número de mártires cristãos aumentou muito nos primeiros anos da Revolução Francesa. Milhares de cristãos morreram guilhotinados ou como resultado de exílio forçado, afogamentos, prisões, fuzilamentos, violência de multidões e "pura carnificina". Em 1790, o governo revolucionário francês aprovou a Constituição Civil do Clero, que proibia a vida religiosa.
A comunidade de irmãs carmelitas em Compiègne, uma comuna a 72 km ao norte de Paris, foi fundada em 1641, como uma casa filial do mosteiro de Amiens. A comunidade cresceu rapidamente e "era conhecida por seu fervor e fidelidade". Era apoiada pela corte francesa. Pouco depois do Dia da Bastilha, em 4 de agosto de 1790, funcionários do governo, com guardas armados, entrevistaram cada irmã em seu convento em Compiègne e as forçaram a escolher entre quebrar seus votos ou arriscar punições adicionais. Todas se recusaram a abandonar suas vidas de obediência, castidade e pobreza. Foram autorizadas a permanecer no convento e consideradas tuteladas pelo Estado, o que lhes dava direito a receber pensões governamentais. O governo revolucionário, no final de 1791, exigiu que todo o clero fizesse um juramento cívico em apoio à Constituição Civil, sob pena de perder suas pensões. Na Páscoa de 1792, o governo saqueou igrejas e interrompeu os serviços religiosos. A madre Teresa de Santo Agostinho, priora do convento, sugeriu à comunidade que se entregassem à execução e se oferecessem como sacrifício pela França e pela Igreja Católica do país.
Em agosto de 1792, o governo ordenou o fechamento de todos os mosteiros femininos; a apreensão e remoção dos móveis do convento de Compiègne ocorreram em 12 de setembro e as irmãs foram forçadas a deixar o convento e retornar ao mundo em 14 de setembro, o fim de sua comunidade enclausurada. Madre Teresa providenciou para que as 20 irmãs que viviam no convento na época se escondessem na cidade em quatro apartamentos separados e encontrassem roupas civis para vestir, já que o uso de hábitos e vestes religiosas haviam sido proibidos. Elas dependiam da caridade de amigos e "corajosamente continuaram a praticar a oração comunitária", apesar das ordens do governo.
Em 1794, após o início do Terror, o governo revistou os aposentos das irmãs durante dois dias; encontraram cartas que revelavam seus "crimes" contra a Revolução, incluindo hostilidade à Revolução, fortes simpatias pela monarquia e evidências de que continuavam a viver como uma comunidade de mulheres cristãs consagradas. Encontraram também duas cartas escritas pelo "infortunado" Mulot de la Ménardière à sua prima, irmã Eufrásia da Imaculada Conceição, contendo críticas desfavoráveis à Revolução. Mulot foi acusado de ajudá-las e de ser um padre não juramentado, embora fosse casado, sendo preso e encarcerado com as irmãs. Em 22 de junho, as irmãs e Mulot foram presos e encarcerados no antigo convento da Visitação, uma prisão improvisada para prisioneiros políticos em Compiègne. Em 10 de julho de 1794, foram transferidos para a prisão da Conciergerie em Paris para aguardar julgamento. As irmãs retrataram seu juramento cívico enquanto estavam na prisão.
Durante o julgamento em 17 de julho de 1794, no qual não receberam assistência jurídica, a irmã Mary-Henrietta tentou forçar o promotor a definir a palavra "fanática", uma das acusações contra elas. Ela fingiu não saber o significado da palavra, levando-o assim a admitir que o fanatismo delas se devia à sua religião, o que as tornava "criminosas e aniquiladoras da liberdade pública". A madre Teresa assumiu total responsabilidade pelas acusações de serem contrarrevolucionárias e fanáticas religiosas, defendendo e insistindo na inocência das outras. Todas as 16 irmãs, juntamente com Mulot, foram condenadas à morte. Em certo momento, enquanto aguardavam o transporte da Conciergerie para o local de suas execuções, uma das freiras, a Irmã St. Louis, após consultar madre Teresa, trocou um xaile de pele que possuía por uma xícara de chocolate para as irmãs beberem e lhes darem forças, já que não conseguiram comer nada o dia todo. Passaram-se 26 noites entre a sua prisão e a execução.
Na noite de 17 de julho de 1794, as irmãs foram transportadas pelas ruas de Paris em uma carroça aberta, uma viagem que durou duas horas. Durante esse tempo, elas cantaram hinos de louvores, como Miserere ("Misericórdia"), a Salve Rainha, as Vésperas e a Oração da Noite. Outras fontes afirmam que cantaram uma combinação do Ofício dos Mortos, das Vésperas, das Oração da Noite e outros textos mais curtos. Os espectadores as insultaram, gritando ofensas e atirando coisas nelas. Enquanto aguardavam a execução, uma mulher solidária da multidão ofereceu água às irmãs, mas a irmã Mary-Henrietta impediu uma delas de aceitar, insistindo que isso quebraria a unidade entre elas e prometeu que beberiam quando estivessem no céu. Uma multidão reuniu-se, como de costume, na praça Place du Trône Renversé — agora chamada de Place de la Nation —, local das execuções, para assistir, mas as irmãs não demonstraram medo e perdoaram seus guardas. O último cântico que as irmãs cantaram foi o Salmo 116, Laudate Dominum ("Louvai ao Senhor"). A irmã mais nova do grupo, Constance, foi a primeira a morrer; ela "espontaneamente" começou o cântico, mas foi interrompida pela lâmina da guilhotina. Cada irmã juntou-se a ela e foi silenciada da mesma maneira.
Antes de sua execução, elas se ajoelharam e cantaram o Veni Creator Spiritus ("Vem Espírito Criador") como profissão de fé e, em seguida, renovaram em voz alta seus votos batismais e religiosos. De acordo com o estudioso John Wainewright, "um silêncio absoluto prevaleceu durante todo o tempo em que as execuções estavam ocorrendo". A irmã Charlotte, que aos 78 anos era a irmã mais velha, caminhava com auxílio de uma muleta, não conseguia se levantar para sair da carroça porque suas mãos estavam amarradas e as outras irmãs não podiam ajudá-la. Finalmente, um guarda a pegou pelos braços e a jogou na rua; com a queda, permaneceu deitada de bruços sobre as pedras da calçada, sem sinais de vida, enquanto a multidão protestava contra o tratamento dada pelo guarda. Ao se mexer, levantou o rosto ensanguentado e agradeceu calorosamente ao guarda por não tê-la matado, "privando-a assim de sua participação no glorioso testemunho de sua comunidade por Jesus Cristo". A irmã Mary-Henrietta permaneceu ao lado de sua priora até que chegou a sua vez de morrer, ajudando as outras 14 irmãs a subir os degraus do cadafalso antes de chegar a sua vez, sendo a penúltima a morrer. Madre Teresa morreu por último.
Os Mártires de Compiègne foram beatificados em 27 de maio de 1906 pelo Papa Pio X. Eles foram os primeiros mártires da Revolução Francesa a serem reconhecidos pela Santa Sé. Seu dia de festa é 17 de julho. Quatro milagres foram comprovados durante o processo de beatificação: a cura de um câncer em junho de 1897 de uma freira leiga carmelita de Nova Orleans, à beira da morte; a cura de um abade no seminário de Brive-la-Gaillarde, também à beira da morte, em março de 1897; a cura de uma freira leiga carmelita de Vany, de tuberculose e um abscesso na perna direita, em dezembro de 1897; e a cura de uma freira franciscana de Montmorillon em abril de 1898.
Em 22 de fevereiro de 2022, a Diocese de Beauvais anunciou que o Papa Francisco aceitou o procedimento de canonização equipolente para os Mártires de Compiègne, o que permitiria que eles fossem canonizados como santos sem que um milagre atribuído à sua intercessão fosse reconhecido. Todas as 16 irmãs foram reconhecidas como santas da Igreja em 18 de dezembro de 2024 pelo Papa Francisco por meio de canonização equipolente, como esperado.