Cerrado é bioma brasileiro de savanas, sendo o segundo maior em extensão territorial depois da Amazônia, ocupando uma área de mais de dois milhões de quilômetros quadrados. O termo "cerrado" pode ser utilizado em três sentidos O primeiro, a "fisionomia do cerrado sensu stricto" é uma das fisionomias do bioma savana e parte da província florística cerrado sensu lato.
Em segundo, a "província do cerrado sensu lato" é uma província florística ou fitogeográfica — também chamada tipo vegetacional ou fitocório, que é um conceito florístico, que leva em conta a composição dos grupos taxonômicos das plantas de uma comunidade, (isto é, a flora) e biogeográfica (ao se incluir também a fauna). Corresponde à província Oreades de Martius. É composto por três biomas (que é um conceito fisionômico-funcional, e que apesar de englobar tanto as plantas quanto os animais e microrganismos de uma comunidade, na prática, se define pelo clima e pela fisionomia ou aparência geral das plantas da comunidade, isto é, pelo "tipo de formação vegetacional" - não confundir com o conceito florístico de "tipo vegetacional" - embora certos autores usem esta expressão para se referir a fisionomias) e seis fisionomias (subtipos de bioma ou de formação vegetacional): o bioma campo tropical (fisionomia campo limpo), o bioma savana (fisionomias campo sujo, campo cerrado e cerrado sensu stricto) e o bioma floresta estacional (fisionomia cerradão).
Em terceiro, o "domínio do cerrado" se refere a um domínio morfoclimático e fitogeográfico (área do espaço geográfico, com dimensões subcontinentais, em que predominam características morfoclimáticas - de clima e relevo - semelhantes, além de uma província florística (tipo vegetacional) predominante, podendo, entretanto, conter vários tipos de formações (como a floresta ripícola, o campo rupícola, o Cerradão, a floresta estacional decídua, o campo úmido, a mata ciliar, mata de galeria, mata seca, palmeiral, vereda e campo rupestre), algumas pertencentes a outras províncias florísticas (como a Mata Atlântica).
A grafia varia entre os autores: alguns propõem que apenas o terceiro sentido seja usado com inicial maiúscula, outros sugerem o mesmo para o segundo sentido, e alguns usam os três conceitos com iniciais minúsculas. Pode-se observar, então, que embora o cerrado sensu lato e o domínio do cerrado sejam comumente referidos, até mesmo em certos documentos oficiais do IBGE ou da Embrapa, como um bioma (que é definido na literatura internacional a partir de características fisionômicas e ambientais, independentemente da composição taxonômica da comunidade), de acordo com o uso internacional do conceito de bioma, o correto é dizer que o cerrado (seja a província florística ou o domínio morfoclimático) contém biomas, e não que é um bioma.
Extensas pesquisas demonstraram que o Cerrado é uma das regiões de savana tropical mais ricas em biodiversidade e apresenta altos níveis de endemismo. Caracterizando-o por sua enorme variedade de biodiversidade vegetal e animal, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) classificou o Cerrado como a savana biologicamente mais rica do mundo, com cerca de 10.000 espécies de plantas e 10 espécies de aves endêmicas. Existem quase 200 espécies de mamíferos no Cerrado, embora apenas 14 sejam endêmicas. A grande proporção de terras em propriedade privada, no entanto, dificulta a proteção. O solo de suas áreas de turfeiras pode ser especialmente denso e, portanto, constitui um sumidouro de carbono particularmente potente. Condições persistentemente mais secas nas áreas úmidas ou nas fontes de água a montante, como pode ocorrer com as mudanças climáticas ou devido à destruição do habitat, erodiriam esse armazenamento de carbono, que é seis vezes mais potente por parcela de tamanho semelhante do que na floresta amazônica.
O domínio apresenta variações fitofisionômicas ao longo de sua extensão. É uma área zonal, como as savanas da África, e predomina, majoritariamente, no Planalto Central.
Trata-se do segundo maios domínio fitogeográfico em extensão, estendendo-se, em sua área core ou nuclear, por um território de 1,5 milhão de km², abrangendo quatro estados do Brasil Central (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal), além de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí. Incluindo-se as áreas periféricas/disjuntas, este valor pode ultrapassar 2 milhões de km². Essas áreas disjuntas podem ser encontradas em meio a outros domínios, tais como Amazônia, nos estados de Amapá, Roraima e Pará, e Caatinga, em alguns locais do Ceará, Paraíba e Pernambuco. Além disso, há manchas de Cerrado no estado do Paraná, um pouco abaixo do trópico de Capricórnio.
É cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, tem índices pluviométricos regulares que lhe propiciam sua grande biodiversidade. O Cerrado possui duas classificações principais: o Cerrado stricto sensu, que abrange as formações savânicas; e o Cerrado lato sensu, que engloba formações florestais e campestres. O Cerrado stricto sensu cobre a maior parte do domínio, e está representado pelas formações de cerrado ralo, típico e denso, parque de cerrado, palmeiral e vereda. Por outro lado, as formações florestais engloba os cerradões, as matas ciliares e de galeria, e as matas secas; enquanto as campestres exibem campos sujos e limpos e os campos rupestres.
O clima do Cerrado é classificado predominantemente como Aw (tropical chuvoso) na Classificação climática de Köppen-Geiger, com áreas de clima Cwa ao sul do bioma, condicionado não somente por sua localização no centro da América do Sul, mas pela dinâmica dos sistemas atmosféricos que atuam no continente sul-americano e que podem ser positivos, como os centros de alta pressão subtropicais do Atlântico Norte, do Atlântico Sul e do Pacífico Sul, das altas pressões polares, ou negativos, como as depressões amazônicas e do Chaco. A dinâmica positiva manifesta-se através de anticiclones, que são massas de ar de origem oceânica e que se deslocam sobre o continente; estas massas sofrem influência dos centros negativos, que se formam no continente.
O anticiclone do Atlântico Sul é impulsionado pelos ventos alísios, do oceano para o interior do continente, de leste para oeste; também conhecido como Zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), é um dos principais responsáveis pela determinação do regime de chuvas do Cerrado, e alcança sua máxima intensidade durante o verão. Em conjunção com a Zona de convergência intertropical (originada na região amazônica) ou com a Alta da Bolívia, forma uma faixa contínua de nebulosidade que se estende no sentido noroeste-sudeste e provoca períodos prolongados de precipitação pluviométrica nos meses de novembro a março, com o auge sendo atingido de dezembro a fevereiro.
Sistemas frontais, também chamados de frentes frias, atravessam a região ao longo de todo o ano, mas com maior frequência no inverno. Tem sua origem no oceano Pacífico (atravessando a Argentina e os Andes e interagindo com a convecção tropical à altura do equador) ou no polo sul (massa polar atlântica), o que favorece a estiagem no inverno e chuvas frontais na primavera-verão.
A ação destes sistemas dá ao Cerrado suas características climáticas peculiares, com duas estações bem definidas: a chuvosa, que vai de setembro ou outubro e se estende até março ou abril, e a seca, que dura de abril ou maio até setembro ou outubro, nos quais as chuvas são drasticamente reduzidas. Este déficit hídrico é importante do ponto de vista da atividade agrícola, visto que o Cerrado não oferece muitas opções para suprir o uso intensivo de irrigação. Em relação à precipitação média anual, os índices variam de 400 mm a 600 mm no centro-sul do Piauí e no Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais), podendo atingir 2.000 mm a 2.200 mm ao avançar de leste para oeste, com regiões do Tocantins atingindo até 2.400 mm. Todavia, mesmo durante a estação chuvosa, o Cerrado pode ser atingido pelo fenômeno do "veranico", o qual, se ocorrer no mês de janeiro, causa impacto negativo nas culturas de grãos (por estarem em época de floração).