Colatina é um município brasileiro no estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se na região noroeste do estado, estando situado a cerca de 130 km da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 1 400 km², sendo que 21 km² estão em área urbana. Sua população foi estimada em 129 301 habitantes em 2025, sendo então o nono mais populoso do Espírito Santo e o quarto mais habitado fora da Região Metropolitana da Grande Vitória. Possui ainda um IDH de 0,746, o quinto maior do estado. A cidade, também chamada de "Princesinha do Norte", está localizada nas margens do rio Doce e é um dos principais municípios do interior capixaba.
A cidade começou a se estabelecer na margem direita do rio Doce no final do século XIX, com o povoamento sendo intensificado ao longo do século XX, em função da efervescência do cultivo de café pelo município, associado à construção da ferrovia Vitória a Minas. Emancipada em 1921, Colatina chegou a ser um dos maiores produtores cafeeiros do Brasil entre as décadas de 1940 e 50. Contudo, a economia se diversificou nas décadas seguintes, com o desenvolvimento da indústria, comércio e prestação de serviços. Assim, consolidou-se como um polo atrativo local que abrange o norte capixaba e parte do leste mineiro.
A região do atual município de Colatina foi habitada no passado por povos botocudos, que ocupavam áreas entre os rios Doce e São Mateus no Espírito Santo. Na época do Brasil Colônia, a descoberta de ouro na região central de Minas Gerais fez concentrar ali os investimentos econômicos da Coroa Portuguesa, em detrimento a regiões vizinhas, o que incluiu o interior capixaba. Além disso, a fim de dificultar o contrabando de metais preciosos até o litoral, bem como possíveis invasões estrangeiras, foi proibida a construção de estradas nessa área.
A exploração da região de Colatina foi retardada ainda pela relutância dos botocudos frente aos avanços de colonizadores e pelo curso do rio Doce, o que desencorajava ocupações de forasteiros no norte do estado. A alta incidência de malária também era um desestímulo a ocupações. Esse conjunto de fatores se apresentava em um contexto de expansão do cultivo do café no Espírito Santo, que teve início na primeira metade do século XIX, no sul do estado, e buscava se expandir para áreas mais a norte.
Início do povoamento e ascensão econômica
A ocupação de áreas a sul do rio Doce em Colatina teve início na década de 1860, por migrantes de Minas Gerais e do Rio de Janeiro interessados em cultivar café. Os botocudos, por sua vez, viram-se forçados a se retirarem ou a conviverem com os forasteiros. No final da década de 1880, a localidade passou a receber imigrantes, sobretudo italianos, atraídos por oportunidades de trabalho em fazendas de café, o que foi fundamental para que o povoamento da área fosse efetivado.
A primeira povoação do atual município foi a Vila de Mutum (atual Boapaba), seguida pelo Barracão de Baunilha, nas margens do rio Baunilha. Mutum foi por um tempo o principal núcleo habitacional, sendo reconhecido como um distrito subordinado a Linhares em 26 de dezembro de 1895. Contudo, o desenvolvimento da atual sede municipal foi favorecido pela sua posição na margem do rio Doce, que passou a ser utilizado como forma de escoamento da produção cafeeira, além da proximidade do norte do estado, na outra margem do manancial. Assim, esse local acabou se tornando a vila principal posteriormente.
O povoamento da cidade foi iniciado no Barracão Santa Maria, nomeado assim pela proximidade da foz do rio Santa Maria do Doce, vindo a ser reconhecida como Vila de Colatina, subordinada a Linhares, em 1899. O nome "Colatina" é uma homenagem a Colatina Soares de Azevedo, esposa do governador Muniz Freire. O crescimento urbano da localidade foi diretamente beneficiado pela construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), com a inauguração das primeiras estações ferroviárias (Baunilha e Colatina) em 1906. Isso permitiu uma conexão direta com Vitória, bem como uma alternativa vital para o escoamento da produção de café, incentivando assim o cultivo cafeeiro e o aumento da população.
Com o crescimento econômico e político, o movimento comercial de Linhares passou a se concentrar em Colatina. Nesse contexto, Alexandre Calmon, o coronel Xandoca, líder político em Linhares, mudou-se com sua família para a então Vila de Colatina, fazendo com que se tornasse a sede do município de Linhares pela lei estadual nº 488 de 22 de novembro de 1907, adquirindo assim o nome deste. Com isso, passou a sediar a Câmara Municipal e a Comarca de Linhares.
Em 1916, a contestação do resultado da eleição estadual levou Colatina a ser declarada como capital do Espírito Santo por 33 dias pela oposição, no contexto da Revolta do Xandoca, que foi uma disputa política e militar entre coronéis pelo controle do governo capixaba. A oposição local, que tinha sua base em Colatina e possuía o apoio do presidente Venceslau Brás, buscava derrubar a oligarquia das famílias Souza Monteiro, porém não obteve sucesso. A revolta deu origem a conflitos violentos e fez com que moradores de Colatina fugissem para Minas Gerais temendo perseguições políticas.
Pela lei estadual nº 1.307 de 30 de dezembro de 1921, foi criado o município com o nome Colatina, enquanto que a atual cidade de Linhares permaneceu como um distrito pertencente a Colatina. O primeiro prefeito foi Virgínio Calmon Ferreira Fernandes. Vale ressaltar que Colatina continuou a comemorar o aniversário em 22 de agosto, aproveitando a data do aniversário de Linhares, mas conta sua idade a partir do ano em que se emancipou (1921).
O crescimento urbano prosseguiu de forma desordenada, sem planejamento de ruas e praças, seguindo o eixo da ferrovia Vitória a Minas e o caminho do rio Doce. Em 1928, foi construída a Ponte Florentino Avidos, favorecendo a ocupação da margem norte do Doce, assim como o acesso ao norte capixaba. Essa construção beneficiou ainda a extração de madeira, tida como uma importante fonte de renda naquela época. A cafeicultura também estava em ascensão, levando Colatina a figurar como o maior produtor de café do Espírito Santo e entre os maiores do Brasil nas décadas de 1940 e 50.
A forma como o crescimento econômico e urbano foi conduzido implicou profundas transformações na paisagem natural, sendo notáveis o desflorestamento e a poluição das águas. Na década de 1940, uma intervenção na Estrada de Ferro Vitória a Minas na cidade, no intuito de acelerar o transporte de minério de ferro pela ferrovia, acarretou a alteração do local da foz do rio Santa Maria do Doce, com o aterro do curso antigo. A terra utilizada para o aterramento foi retirada do antigo Morro da Cabrita, onde foi construído o bairro Esplanada, o que também aumentou a área plana da cidade.
Na década de 1960, a cultura cafeeira no Espírito Santo entrou em uma crise associada ao esgotamento de terras férteis e ao excesso de produção, o que diminuiu o preço do café no mercado. Assim, teve início uma considerável migração da zona rural para as cidades maiores, como a Grande Vitória e a própria zona urbana de Colatina. Dentro desse contexto, devido à falta de grandes áreas planas favoráveis ao crescimento urbano — com a cidade encravada entre o rio Doce e os morros —, os forasteiros passaram a ocupar áreas de elevada declividade de maneira massiva.
O distrito de Itapina, que possuía um comércio pujante e lojas dedicadas às classes altas, também entrou em decadência após a década de 1950. Além da evasão do comércio e da população, também houve o abandono da construção da Ponte de Itapina sobre o rio Doce, que havia sido iniciada sob a presença do presidente Juscelino Kubitschek em 1956. Ela encurtaria o acesso de Itapina à sede municipal em 20 minutos, porém nunca foi finalizada. Na década de 1970, a população urbana de Colatina ultrapassou a rural, com 50,46% dos moradores residindo na cidade e 49,54% no campo em 1970.
Diversificação econômica e configuração territorial
Com a crise do café, houve um impulso da pecuária e de atividades relacionadas, como frigoríficos e laticínios. Quanto à indústria, entraram em ascensão os setores metalmecânico, moveleiro e de vestuário. Além do mais, o fato de Colatina constituir uma centralidade regional favoreceu o desenvolvimento do comércio e da prestação de serviços. A cafeicultura voltou a observar crescimento em meados da década de 70, com a modernização da atividade. Em 1975, a ferrovia Vitória a Minas foi transferida para fora do Centro de Colatina, a fim de desviá-la do núcleo urbano. No antigo traçado foi aberta a Avenida Getúlio Vargas.