Neste Dia

Compra do Alasca

Em 1867, os Estados Unidos compraram o território do Alasca, que antes era do Império Russo. A operação foi conduzida pe

Anúncio

Em 1867, os Estados Unidos compraram o território do Alasca, que antes era do Império Russo. A operação foi conduzida pelo Secretário de Estado norte-americano William H. Seward.

À época, a transação foi considerada absurda e era referida como "a loucura de Seward". O território comprado, com área aproximada de 1 600 000 km² (600 000 milhas quadradas), constitui o atual estado americano do Alasca.

O Império Russo estava em dificuldades financeiras e em vias de perder o território do Alasca sem compensação em algum futuro conflito, sobretudo para o rival da época, o Império Britânico, que detinha o vizinho Canadá e cuja possante Royal Navy poderia facilmente tomar o controle das costas, de defesa difícil para a Rússia. O Czar Alexandre II decidiu então vender o território aos Estados Unidos e encarregou o seu embaixador, o barão Edouard de Stoeckl, de abrir negociações com o Secretário de Estado William H. Seward, de quem era amigo, no início de março de 1867.

As negociações concluíram-se após discussões que duraram uma noite inteira e a assinatura do tratado foi feita às 4 horas da manhã de 30 de março com um preço de compra de 7 200 000 dólares americanos (equivalente a cerca 1,670 bilhão de dólares a preços de 2006). A opinião pública americana foi muitíssimo desfavorável a esta compra, como indica um historiador, e as críticas foram numerosas. Segundo o New York Times

"Já, portanto, foi dito, estávamos sobrecarregados com um território que não tínhamos população para preencher. Os índios dentro dos limites atuais da república tensionavam nosso poder de governar os povos aborígenes. Poderia ser que agora, com os olhos abertos, procuraríamos adicionar às nossas dificuldades aumentando o número de tais povos sob nosso cuidado nacional? O preço de compra foi alto; os encargos anuais de administração, civil e militar, seriam ainda maiores e contínuos. O território incluído na cessão proposta não era contíguo ao domínio nacional. Ficava a uma distância inconveniente e perigosa. O tratado havia sido preparado em segredo, assinado e empurrado para o país às quatro horas da manhã. Foi um ato sombrio feito na noite... O New York World disse que era uma 'laranja chupada'. Não continha nada de valor, exceto animais foveiros [caçados por sua pele], e estes tinham sido caçados até ficarem quase extintos. Exceto pelas Ilhas Aleutas e uma estreita faixa de terra ao longo da costa sul, o país não valeria a pena ser aceito nem de presente... A menos que ouro fosse encontrado no país, muito tempo se passaria antes que ele fosse abençoado com prensas tipográficas Hoe, capelas metodistas e uma polícia metropolitana. Era 'um deserto congelado'."

A compra foi, à época, vista como ridícula, considerada como "a loucura de Seward", a "Geleira de Seward"e "o jardim de ursos-polares de Andrew Johnson", pois considerava-se temerário gastar uma tal quantia por uma região remota.

O tratado foi apoiado pelo Secretário de Estado Seward, partidário de longa data da expansão, e pelo presidente do comité do Senado, Charles Sumner. Seus argumentos eram que os interesses estratégicos da nação obrigavam a assinatura deste tratado. A Rússia tinha sido um aliado de valor durante a Guerra de Secessão, enquanto o Reino Unido tinha sido quase um inimigo. Pareceria então normal ajudar a Rússia e "desconcertar" os britânicos. Havia ainda a questão de o território adjacente ser ainda colónia britânica (atual Canadá). Poderia então haver aí um valor estratégico para os britânicos de um dia adquirirem o Alasca. A compra, disse o editor do New York Herald, era um modo do Czar fazer entender ao Reino Unido e à França que não tinham "atividades no continente norte-americano." "Em resumo, era uma manobra de flanco" sobre o Canadá, como disse o New York Tribune. Em breve, o mundo veria no noroeste "um cockney hostil ladeado por dois Yankees atentos, um de cada lado" e "John Bull seria levado a compreender que a única coisa que poderia fazer seria vender seus interesses ao Brother Jonathan".

Em 9 de Abril, Sumner fez um importante discurso para apoiar o tratado, cobrindo de modo exaustivo a história, o clima, a configuração natural, a população, os recursos - florestas, minas, prados, pescas - do Alasca. De modo erudito, citou testemunhos de geógrafos e navegadores: Alexander von Humboldt, Joseph Billings, Yuri Lisiansky, Fyodor Petrovich Litke, Otto von Kotzebue, Portlock, James Cook, Meares, Ferdinand von Wrangel. Quando terminou, viu que "tinha feito um pouco mais que manter o equilíbrio da balança". Continuou com "uma vez que a razão e testemunhos deste lado eram os mais fortes". "Em breve", disse Sumner, "uma raça pragmática de intrépidos navegadores virão às suas costas, em todas as espécies de empresas, para negócios ou patriotismo. O comércio terá novos braços, o país novos defensores, a bandeira nacional novas mãos para a elevar bem alto". Recordando o republicanismo estadunidense de todo o território, indicou que "reconhecereis que é melhor que tudo o que podereis receber, melhor que pilhas de peixes, areias de ouro, as melhores pastagens ou esplêndidos marfins". "A nossa cidade," exclamou Sumner, "não pode ser menos que o continente norte-americano com portas sobre todos os mares que o circundam" [Oberholtzer 1: 544-5].

O Dia de Seward, dia de celebração da compra do Alasca pelos Estados Unidos, é o dia de homenagem a William H. Seward e feriado no Alasca (última segunda de março).

O Senado dos Estados Unidos ratificou o tratado em 9 de abril de 1867, por 37 votos a favor e 2 contra.

Estima-se que o Alasca contava na altura com 2500 russos ou mestiços e 8 000 aborígenes, no total mais de 10 000 habitantes, sob o comando direto da companhia russa das peles, e cerca de 50 000 esquimós viviam sob essa jurisdição.

Os europeus viviam em 23 povoações sitas nas ilhas ou na costa. Em pequenos postos, havia quatro ou cinco russos que se encarregavam do recebimento e estocagem de peles trazidas pelos nativos e do reabastecimento de navios que vinham buscar a mercadoria. Havia duas vilas principais. A primeira, New Archangel, atualmente Sitka, foi fundada em 1804, como base de apoio ao rentável negócio de peles de leão marinho. Tinha cerca de 116 barracões que abrigavam 968 habitantes. A segunda era Saint-Paul, na ilha Kodiak, que com 100 barracões e 283 habitantes era o centro da indústria de peles de foca.

O nome aleúte Alasca foi escolhido pelos americanos. A cerimónia de transferência teve lugar em Sitka em 18 de outubro de 1867. Soldados russos e americanos desfilaram junto à casa do governador; a bandeira russa foi arriada e a americana hasteada e saudada por salvas de artilharia. O capitão Alexis Pestchouroff disse "General Rousseau, pela autoridade de sua Majestade, o Imperador da Rússia, transfiro aos Estados Unidos da América o território do Alasca". Em retribuição, o general Lovell Rousseau aceitou o território. Numerosos fortes e fortins, construções de madeira, foram cedidos aos americanos. As tropas ocuparam as casernas e o general Jefferson C. Davis estabeleceu a sua residência na casa do governador. A maior parte dos russos voltou a seu país, salvo alguns comerciantes e homens do clero.

O Alaska Day celebra a transferência formal do Alasca, que ocorreu a 18 de outubro de 1867. Hoje em dia, o Alasca celebra o dia da compra, o Seward's Day, na última segunda de março.

(*A data de 18 de outubro de 1867 é do calendário gregoriano, e a hora 9:01:20, hora de Greenwich, teve efeito no dia seguinte no Alasca para substituir o calendário juliano e a hora de 14:58:40 "de avanço" sobre a hora de Greenwich. Para os russos, a transferência teve lugar em 7 de outubro de 1867).

Bailey, Thomas A. (1934). «Why the United States Purchased Alaska». Pacific Historical Review. 3 (1): 39–49. JSTOR 3633456. doi:10.2307/3633456

Bancroft, Hubert Howe: History of Alaska: 1730–1885 (1886).

Dunning, William A. (1912). «Paying for Alaska». Political Science Quarterly. 27 (3): 385–398. JSTOR 2141366. doi:10.2307/2141366

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Compra do Alasca | World in Stories