Artur da Costa e Silva (Taquari, 3 de outubro de 1899 – Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1969) foi um militar e político brasileiro, marechal do Exército Brasileiro e 27.º presidente do Brasil, governando de 15 de março de 1967 até ser afastado por motivo de saúde em 31 de agosto de 1969. Foi o segundo presidente do período da ditadura militar brasileira, sucedendo Humberto Castelo Branco, de quem havia sido ministro da Guerra após o golpe de 1964.
Formado em instituições militares no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, Costa e Silva iniciou a carreira no Exército nos anos 1920 e participou, direta ou indiretamente, de episódios ligados ao tenentismo, à Revolução de 1930 e à reorganização das Forças Armadas ao longo do século XX. Ao longo da carreira, exerceu funções de comando, serviu no exterior e ascendeu ao generalato, tornando-se uma das figuras militares de maior relevo no período anterior e posterior à crise político-institucional de 1964.
Como ministro da Guerra do governo Castelo Branco, Costa e Silva tornou-se uma das principais lideranças militares do novo regime. A partir de 1965, sua candidatura à sucessão presidencial ganhou força entre setores militares identificados com posições mais duras em relação à oposição e à continuidade do processo político iniciado em 1964. Foi eleito indiretamente pelo Congresso Nacional em 1966, em pleito realizado sob o sistema bipartidário instituído pelo regime militar.
Seu governo coincidiu com o agravamento da repressão política e com a crise de 1968. A promulgação do Ato Institucional n.º 5, em 13 de dezembro daquele ano, marcou uma inflexão autoritária decisiva, permitindo o fechamento do Congresso Nacional, a suspensão de direitos políticos, a cassação de mandatos, intervenções federais, restrições ao habeas corpus e a ampliação da censura e da repressão estatal.
Na economia, seu governo é associado ao início do ciclo que posteriormente ficou conhecido como milagre econômico brasileiro, com a atuação do ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto, políticas de estímulo ao crescimento, expansão do crédito e controle salarial. A aceleração do crescimento conviveu, entretanto, com restrições políticas, repressão sindical e perda ou estagnação do poder de compra de parcelas dos trabalhadores, tema tratado de forma crítica por parte da historiografia.
Em agosto de 1969, Costa e Silva sofreu grave enfermidade, geralmente descrita como trombose ou acidente vascular cerebral, que o impediu de continuar exercendo a Presidência. Em vez da posse do vice-presidente civil Pedro Aleixo, os ministros militares editaram o AI-12 e assumiram o poder por meio de uma junta militar. Costa e Silva morreu no Rio de Janeiro em 17 de dezembro de 1969.
Artur da Costa e Silva nasceu em Taquari, no Rio Grande do Sul, em 3 de outubro de 1899. Era filho de Aleixo Rocha da Silva, comerciante e fundador de um clube republicano local, e de Almerinda Mesquita da Costa e Silva. O CPDOC/FGV registra que, ao ingressar na carreira militar, Costa e Silva teria declarado o ano de nascimento de 1902, informação que explica divergências encontradas em registros oficiais e biográficos posteriores.
A trajetória familiar de Costa e Silva foi marcada por vínculos com a vida política e intelectual do Rio Grande do Sul. O verbete biográfico do CPDOC destaca, entre seus familiares, o tio Adroaldo Mesquita da Costa, advogado e político que exerceu mandatos parlamentares e ocupou o Ministério da Justiça durante o governo de Getúlio Vargas. Esse ambiente familiar aproximava o futuro presidente de redes políticas regionais ainda antes de sua projeção nacional como militar.
Costa e Silva realizou os primeiros estudos em Taquari e ingressou, ainda jovem, no Colégio Militar de Porto Alegre, onde se destacou pelo desempenho acadêmico. Segundo o CPDOC, concluiu o curso em primeiro lugar de sua turma, antes de seguir para o Rio de Janeiro, então capital federal, para dar continuidade à formação militar.
Em 1918, matriculou-se na Escola Militar do Realengo, instituição central na formação dos oficiais do Exército brasileiro durante a Primeira República. Foi declarado aspirante a oficial em 1921, sendo classificado no 1.º Regimento de Infantaria, sediado na Vila Militar, no Rio de Janeiro. Sua formação ocorreu em um momento de forte tensão entre jovens oficiais, oligarquias estaduais e o governo federal, contexto que favoreceu o surgimento do movimento tenentista.
Tenentismo e primeiros anos no Exército
Nos anos 1920, Costa e Silva esteve vinculado ao ambiente militar em que se desenvolveu o tenentismo, movimento que reuniu jovens oficiais críticos da ordem política da Primeira República. Em 1922, ano da Revolta dos 18 do Forte, foi preso e enviado para o navio-prisão Alfenas, onde permaneceu por cerca de três meses. O episódio tornou-se um dos primeiros registros de sua aproximação com setores militares contestadores do regime oligárquico então vigente.
Após a prisão, Costa e Silva retornou à carreira militar e passou por diferentes funções no Exército. No Rio de Janeiro, manteve contato com oficiais que se destacariam nos movimentos militares da década de 1920, entre eles Juarez Távora. O CPDOC registra que, nesse período, chegou a escrever sob pseudônimo em publicações ligadas ao debate político-militar da época.
A experiência tenentista não deve ser lida de forma linear como adesão permanente a um programa político homogêneo. Como ocorreu com vários oficiais de sua geração, a trajetória posterior de Costa e Silva combinou elementos de profissionalização militar, anticomunismo, defesa da hierarquia e participação em crises políticas nacionais, refletindo transformações internas do Exército ao longo das décadas de 1920, 1930 e 1940.
Revolução de 1930, década de 1930 e profissionalização
Durante a crise final da Primeira República, Costa e Silva integrou o quadro de oficiais que acompanharam a reorganização do poder após a Revolução de 1930. O movimento depôs o presidente Washington Luís e levou Getúlio Vargas ao poder, abrindo uma nova fase na relação entre Exército, Estado e política nacional. Para os oficiais de sua geração, o período representou tanto oportunidades de ascensão quanto maior inserção das Forças Armadas em decisões políticas nacionais.
Nos anos seguintes, Costa e Silva prosseguiu a formação profissional em cursos militares e exerceu funções técnicas e de comando. A profissionalização do oficialato, a modernização doutrinária e a ampliação da presença do Exército na administração pública e na segurança interna compuseram o ambiente em que sua carreira avançou. Essa trajetória ajuda a explicar sua posterior presença em postos estratégicos do Exército no período do pós-guerra e nas crises políticas dos anos 1960.
Segunda Guerra Mundial, missões e ascensão na carreira