Daniela Mercuri de Almeida Verçosa (Salvador, 28 de julho de 1965), mais conhecida como Daniela Mercury, é uma cantora, compositora, bailarina e filantropa brasileira. Daniela é licenciada em dança pela Universidade Federal da Bahia, tendo iniciado seus estudos nessa arte desde os quatro anos de idade, tornando-se posteriormente professora de jazz, dança moderna e balé clássico, além de ter se especializado e atuado em outros gêneros, como dança afro e dança contemporânea. Começou a cantar profissionalmente aos quinze anos, mesma idade em que subiu em um trio elétrico pela primeira vez, integrando a carreira de cantora e bailarina.
Desde 1990, Mercury lançou onze álbuns de estúdio e participou de muitos outros projetos. O maior sucesso de sua carreira, O Canto da Cidade, é creditado por trazer o gênero musical axé music à evidência internacional e iniciado um movimento que abriu o caminho para diversos artistas obterem sucesso subsequentemente. Além disso, a obra a rendeu um certificados de diamante, pela Pro-Música Brasil (PMB) e vendeu mais de 3 milhões de cópias. Seu sucesso se solidificou com seus dois discos seguintes, Música de Rua (1994) e Feijão com Arroz (1996), que garantiram a intérprete multiplos certificados de platina. Com o último citado, convertendo-se em um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos em Portugal e angariando seis discos de platina pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), além de ter vendido 800 mil cópias na França. Em 2000, após lançar Sol da Liberdade, ela tornou-se a primeira artista a sair com um trio elétrico de música eletrônica pelo Carnaval da Bahia. Suas experimentações com esses gênero se refletiu em suas obras seguintes, Sou de Qualquer Lugar (2001) e Carnaval Eletrônico (2004), com o último recebendo uma indicação ao Grammy Latino.
Em 2005, ela voltou as suas raízes musicais com Balé Mulato, que foi bem recebido pela crítica especializada. O projeto foi promovido através de uma extensa turnê que foi registrada no disco ao vivo homônimo. Este último rendeu à cantora sua primeira vitória no Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras. Com o passar dos anos, ela acumulou um extenso catálogo de singles, com "Swing da Cor", "O Canto da Cidade", "O Mais Belo dos Belos", "À Primeira Vista", "Rapunzel", "Nobre Vagabundo", "Ilê Pérola Negra (O Canto do Negro)", "Mutante", "Música de Rua" e "Maimbê Dandá", tornando-se os mais populares.
Por seu pioneirismo no gênero, é conhecida como a Rainha do Axé. Ao longo de sua carreira, Mercury, que é uma das recordistas em vendas de discos no Brasil por mais de 12 milhões de álbuns comercializados, acumulou diversos prêmios, incluindo um Grammy Latino, seis Prêmio da Música Brasileira, um reconhecimento pela Associação Paulista de Críticos de Arte, três prêmios Multishow e dois MTV Video Music Brasil. Na televisão foi jurada e mentora dos talent shows Popstars, Superstar e The Voice Kids Portugal. Além disso, Mercury cantou com artistas de renome internacional, como Alejandro Sanz, Ray Charles e Paul McCartney. Ela também é conhecida por suas opiniões políticas, presença nas redes sociais, esforços filantrópicos e ativismo social, incluindo direitos LGBT e o combate ao racismo.
1965–1990: Infância, adolescência e início de carreira
Daniela Mercuri de Almeida nasceu em 28 de julho de 1965 no Hospital Português de Salvador, Bahia. Seu pai, Antônio Fernando de Abreu Ferreira de Almeida, é um mecânico industrial português que emigrou para o Brasil quando tinha onze anos de idade, enquanto sua mãe, Liliana Mercuri, é uma assistente social de ascendência italiana. Mercury viveu seus primeiros anos de vida no bairro soteropolitano de Brotas, ao lado de seus quatro irmãos, Tom, Cristiana, Vania e Marcos. Quando criança, estudou nas escolas Ana Nery e no Colégio Baiano. Aos oito anos de idade, começou a frequentar as aulas de dança na escola Ana Nery, ministradas por Ângela Dantas, conhecida como Tia Ângela, onde aprendeu a dançar balé clássico, bem como jazz e danças afro. Contrariando o desejo de seus pais, ela começou a cantar em bares locais em 1980, aos 15 anos de idade, inspirada pela cantora Elis Regina. Seu repertório consistia em bossa nova, bem como em músicas de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. No ano seguinte, cantou em um trio elétrico no carnaval de Salvador pela primeira vez após ser descoberta por Toni Duarte, irmão do cantor Gerônimo.
Aos 17 anos, Mercury afastou-se da música por falta de trabalho e se dedicou exclusivamente à dança, ingressando no curso de licenciatura na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1984. Aos 19, casou com Zalther Portela Laborda Póvoas, seu primeiro namorado e paixão da infância, com quem teve seus dois primeiros filhos, Gabriel e Giovana. Posteriormente, em 1986, deixou o curso de dança para se dedicar à sua vida como cantora, momento em que foi convidada para ser vocal de apoio do bloco carnavalesco Eva – que posteriormente se tornaria a Banda Eva – onde trabalhou por dois anos. Depois disso, deixou os vocais do bloco e passou a ser uma das vocalistas de apoio do cantor Gilberto Gil. Nesse período, recebeu convites das gravadoras CBS e Warner para um projeto solo, mas os recusou em favor de maior liberdade artística. Em 1989, formou a banda Companhia Clic, onde ocupou o posto de vocalista até o ano seguinte, gravando dois álbuns e lançando as faixas de sucesso "Pega que Oh!" e "Ilha das Bananas". Nessa mesma época, comandou o Bloco Pinel no carnaval de Salvador, e também cantou no primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê, sendo a primeira pessoa branca a realizar tal feito.
1991–1993: Daniela Mercury e O Canto da Cidade
Em 1991, decidiu deixar a Companhia Clic e se estabelecer como artista solo, passando a assinar como Daniela Mercury, substituindo a letra "i" pelo "y" em seu sobrenome, por achar esteticamente mais bonito. Ela lançou seu homônimo disco de estreia em setembro daquele ano, através da gravadora independente Eldorado. A canção de grande sucesso do álbum foi "Swing da Cor", anteriormente gravada pelo bloco Muzenza, e foi responsável por tornar seu nome conhecido em várias partes do Brasil. Daniela Mercury acabou por vender cerca de 400.000 cópias no país. O sucesso do disco levou a cantora a realizar 130 apresentações em 1991, sob um cachê estimado em US$ 5 mil. No dia 5 de junho de 1992, apresentou-se no projeto "Som do Meio-Dia" no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP), voltado para artistas iniciantes. Para surpresa da artista, o show reuniu cerca de 30 mil espectadores, o que acabou por deixar o trânsito engarrafado nas imediações do local. Após 40 minutos de apresentação, Mercury foi retirada do palco por representantes da secretaria de turismo de São Paulo que, preocupados com a estrutura do museu e com as obras que ele abrigava, obtiveram uma ordem da Polícia Militar do estado para interromper o concerto, e o projeto acabou por ser mudado de lugar após o show. O concerto de Mercury no MASP foi reconhecido como um dos fatores determinantes para projetar a axé music no país.
Naquele ano, Mercury assinou contrato com a gravadora multinacional Sony Music, e logo depois passou a trabalhar em seu segundo disco solo. Seu segundo álbum solo, O Canto da Cidade, foi produzido por Liminha e lançado no Brasil pela Sony e a Columbia em setembro daquele ano. O álbum teve a participação de Herbert Vianna em "Só pra te Mostrar" e composições de Carlinhos Brown e Moraes Moreira. O Canto da Cidade tornou-se um estrondoso sucesso comercial, vendendo cerca de três milhões de cópias, tornando-se o mais vendido de 1993 em território brasileiro. Sua alta vendagem no país rendeu-lhe uma certificação de diamante pela Pro-Música Brasil (PMB). Além da faixa-título, canções como "O Mais Belo dos Belos", "Batuque" e "Você Não Entende Nada", "Só pra te Mostrar" e "Bandidos da América" fizeram sucesso nas rádios brasileiras. O álbum, bem como sua faixa-título, são vistos como responsáveis por consolidar a carreira de Mercury, bem como a axé music em todas as regiões do Brasil. Mercury experimentou durante este período um auge de popularidade pouco antes visto na história da indústria musical brasileira. No final de 1992, a TV Globo veiculou o especial de fim de ano O Canto da Cidade, que registrou o primeiro grande show da cantora, reunindo 30 mil pessoas na Praça da Apoteose no Rio de Janeiro. O êxito comercial de Mercury se expandiu para outros países, realizando concertos em alguns países da América Latina, Europa e Estados Unidos. A partir daí, seu contrato com a Sony brasileira foi transferido para a Sony internacional, mudando a previsão em seu contrato de três para cinco álbuns. Em 1993, Mercury passou a puxar o bloco Os Internacionais no carnaval de Salvador, no qual ficou até 1995.