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Domingo Nieto

Político e Presidente do Peru

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Domingo Nieto y Márquez (Moquegua, 15 de agosto de 1803 – Cuzco, 17 de fevereiro de 1844) foi um militar e político peruano. Participou de toda a campanha da Independência do Peru, de 1821 a 1825. Posteriormente, atuou nas revoluções e guerras civis de seu país, sempre apoiando a autoridade legítima e a Constituição, razão pela qual recebeu em vida o pseudônimo de "O Quixote da Lei". Outro de seus apelidos foi o "Marechal greco-romano", devido à sua vasta cultura clássica e sua conduta política que lembrava a dos velhos romanos republicanos que veneravam a lei. Nos últimos anos de sua vida, foi nomeado Chefe de Estado Provisório do Peru, cargo que exerceu por um curto período entre 1843 e 1844, pois faleceu vítima de uma doença, quando tinha apenas 40 anos de idade.

Filho de Domingo Nieto Hurtado de Mendoza, tesoureiro perpétuo do tribunal da Santa Cruzada de Arequipa, e de María del Carmen Márquez. Pertencia à ilustre família dos condes de Alastaya. Nasceu na Vila de Moquegua em 15 de agosto de 1803. Estudou em Moquegua, provavelmente no colégio dos Betlemitas do hospital.

Era ainda muito jovem quando se incorporou à vanguarda do Exército Libertador que chegou a Moquegua sob o comando do tenente-coronel Guillermo Miller, em maio de 1821. Pouco depois, teve seu batismo de fogo no combate de Mirave, em 22 de maio; devido à sua destacada atuação, foi-lhe concedido o posto de tenente de cavalaria.

Durante a Primeira Expedição a Intermédios, atuou nas batalhas de Torata e Moquegua (janeiro de 1823). Promovido a capitão, participou da Segunda Campanha de Intermédios nas fileiras do Regimento Lanceiros da Guarda, no final de 1823. Em seguida, sob o comando do general José de La Mar, participou da campanha libertadora de Bolívar e esteve presente nas duas grandes batalhas finais da independência: Junín e Ayacucho (1824). Depois, acompanhou o marechal Antonio José de Sucre na campanha do Alto Peru, participando da tomada de Potosí (1825). Em seguida, participou do segundo cerco do Callao, até sua conclusão com a capitulação de José Ramón Rodil, em 23 de janeiro de 1826.

Promovido a tenente-coronel, participou da campanha contra os rebeldes iquichanos de Huanta que ainda lutavam a favor do rei da Espanha (1827). Depois, à frente do Primeiro Regimento de Hussardos de Junín, marchou para o norte, após o início da guerra entre o Peru e a Grã-Colômbia (1828). Durante a Batalha do Portete de Tarqui, travada em 27 de fevereiro de 1829, liderou uma carga dos hussardos para conter o ataque do esquadrão Cedeño da cavalaria gran-colombiana, travando então um duelo singular com o comandante venezuelano José María Camacaro, a quem atravessou com sua lança. Esse episódio memorável lhe rendeu fama de intrépido.

Já com o posto de coronel, foi-lhe confiado o comando de uma brigada de cavalaria durante a campanha que em 1831 o presidente Agustín Gamarra conduziu até a fronteira com a Bolívia, que não resultou em guerra, pois optou-se pela solução diplomática. Ao final do período de governo de Gamarra e devendo a Convenção Nacional (assembleia legislativa) eleger um presidente provisório, Nieto foi proposto como candidato, competindo com Pedro Pablo Bermúdez e Luis José de Orbegoso; este último foi eleito. Nieto foi promovido a General de Brigada em 6 de dezembro de 1833; tinha então 29 anos.

Encontrava-se em Arequipa quando ocorreu o pronunciamento do general Bermúdez contra Orbegoso. Fiel aos seus princípios de defesa da autoridade legal, Nieto assumiu o comando militar do departamento em 12 de janeiro de 1834 e organizou a resistência. Enfrentou as forças rebeldes em Miraflores, em 2 de abril, e em Cangallo, em 5 de abril, ações que lhe foram desfavoráveis. Finda a guerra civil após o Abraço de Maquinhuayo, em 24 de abril, foi designado chefe político e militar dos departamentos do sul. Foi promovido a general de Divisão, promoção que recusou, pois considerava inaceitável que fossem concedidas promoções em meio a uma guerra civil.

Passou para Lima, onde foi nomeado inspetor geral do Exército, e encarregou-se de debelar um motim ocorrido na Fortaleza do Real Felipe em 1º de janeiro de 1835. Mas ali irrompeu logo em seguida a rebelião do tenente-coronel Felipe Santiago Salaverry, que ordenou a prisão de Nieto. Exilado para a Califórnia a bordo da escuna Peruviana, Nieto conseguiu reduzir a tripulação graças a duas pistolas que sua esposa lhe enviou escondidas em um embrulho de roupas. Desembarcou em Huanchaco (norte peruano) e organizou mais uma vez a defesa da legalidade. Mas não conseguiu reunir muitas tropas e, decidido ainda assim a enfrentar Salaverry, seus próprios oficiais e soldados o prenderam e o entregaram a dito caudilho. Salaverry lhe ofereceu o comando do exército e até a Presidência, em troca de se colocar sob suas ordens, mas Nieto recusou, pois não podia servir a um governo ilegítimo. Salaverry o exilou então para o Chile.

Ao saber dos acordos entre o presidente boliviano Santa Cruz e o general Gamarra para invadir o Peru, Nieto retornou e se apresentou em Arequipa perante o presidente Orbegoso, colocando-se a seu serviço (4 de agosto de 1835). Mas, ao tomar conhecimento do pacto de Orbegoso com Santa Cruz, pelo qual se autorizava a invasão boliviana ao Peru, não hesitou em condenar essa decisão e tentou convencer tanto Orbegoso quanto Santa Cruz a se submeterem às decisões de um Congresso Nacional; era, além disso, contra a divisão do Peru e da federação com a Bolívia. Sua proposta foi ignorada, pelo que embarcou novamente para o Chile, muito decepcionado, vivendo um tempo em Santiago e Valparaíso.

De volta a Lima em fevereiro de 1836, insistiu em persuadir Orbegoso a se afastar de Santa Cruz, mas não conseguiu. Nomeado ministro plenipotenciário no Equador, não chegou a exercer o cargo e permaneceu no Peru como prefeito e comandante geral do departamento de La Libertade.

Estabelecida a Confederação Peru-Boliviana chefiada por Santa Cruz, Nieto manteve-se fiel à autoridade legal de Orbegoso, que em 1837 foi eleito presidente do Estado Nor-Peruano, criação geopolítica que, junto com o Estado Sul-Peruano e a Bolívia, integrava dita Confederação. Apesar disso, Nieto não se comprometeu com o regime confederado e colocou-se a serviço da vontade do povo. Finalmente, decidiu se levantar contra Santa Cruz e proclamou a liberdade do Estado Nor-Peruano, em 30 de julho de 1838. Orbegoso, indeciso a princípio, terminou por aderir a essa causa. Com a chegada da expedição restauradora chileno-peruana, esta quis se aliar às forças orbegosistas para lutar conjuntamente contra o exército de Santa Cruz. Mas Orbegoso, Nieto e Vidal recusaram tal aliança por verem nos chilenos uma nova ameaça à independência nacional. Os restauradores avançaram sobre Lima e, apesar da oposição de Nieto (que temia com razão a superioridade numérica do inimigo), travou-se o combate de Portada de Guías em 21 de agosto de 1838. Os orbegosistas foram derrotados e Nieto se refugiou no Callao, até que, voluntariamente, por ser malvisto por uma parte da guarnição, e especialmente por seu chefe, o coronel Manuel de la Guarda, embarcou em 26 de agosto em um navio estrangeiro, conseguindo chegar a Supe e depois a Guayaquil, optando assim pelo exílio. Foi excluído da lista de antiguidade em 25 de março de 1839, pelo que escreveu uma longa memória para defender sua conduta.

Decidiu voltar ao Peru quando Santa Cruz, já derrotado e foragido, refugiou-se no Equador. Reincorporou-se ao exército em 7 de dezembro de 1841, em um momento em que o Peru enfrentava a invasão boliviana após o desastre sofrido em Ingavi, onde morreu o presidente Agustín Gamarra. Feita a paz com os bolivianos, Nieto ofereceu seu apoio à autoridade constitucional representada pelo general Juan Francisco de Vidal, contra o pronunciamento ilegal do general Juan Crisóstomo Torrico. À frente das forças de Vidal, Nieto derrotou Torrico na Batalha de Agua Santa, em 17 de outubro de 1842, sendo por isso promovido a Grão-Marechal.

Sob a presidência de Vidal, foi nomeado prefeito de Moquegua, assumindo também o comando militar dos departamentos do sul. Ao triunfar em Lima a revolução do general Manuel Ignacio de Vivanco, recusou-se a prestar juramento ao novo governo, por considerá-lo usurpador, e optou por dedicar-se às atividades agrícolas em uma fazenda próxima a Lima. Foi enviado ao exílio, com destino ao Chile, mas interrompeu a viagem e desembarcou em Arica.

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