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Douglas C-124 Globemaster II

O Douglas C-124 Globemaster II foi um avião cargueiro pesado construído pela companhia americana Douglas Aircraft Compan

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O Douglas C-124 Globemaster II foi um avião cargueiro pesado construído pela companhia americana Douglas Aircraft Company entre 1946 a 1955.

O C-124 foi a aeronave primária de transporte pesado da Força Aérea do Estados Unidos (USAF), sendo operado pelo Serviço Militar de Transporte Aéreo (MATS) durante os anos 50 e 60, até ser substituído pelo Lockheed C-141 Starlifter. Após isso, a aeronave serviu mais anos nas unidades do Comando Aéreo de Transporte (MAC, ex-MATS) na reserva da Força Aérea e na Guarda Aérea Nacional até sua aposentadoria em 1974.

A Douglas Aircraft Company desenvolveu o C-124 entre 1947 e 1949, a partir do C-74 Globemaster (usado na Segunda Guerra Mundial) e nas lições aprendidas durante o Bloqueio de Berlim. A aeronave era equipada com quatro motores Pratt & Whitney R-4360 Wasp Major, produzindo 3.800 hp (2.800 kW) cada. O C-124 contava com duas portas "em concha" frontais e uma rampa hidráulica, bem como um elevador de carga na popa. O C-124 era capaz de carregar 31.100 kg (68.500 lb) de carga útil. O compartimento de carga de 23 m contava com dois guinchos de teto, cada um com capacidade de carregar 3.600 kg (8.000 lb). Sendo uma aeronave de transporte militar, poderia carregar carros de combate, peças de artilharia, caminhões e outros materiais pesados, podendo também, em configuração de passageiros, carregar 200 pessoas em dois andares ou 127 pacientes em macas, além de equipe médica. Na sua época, era a única aeronave capaz de carregar material pesado montado, como carros de combate e tratores de esteira.

O C-124 teve seu primeiro voo ocorreu 27 de novembro de 1949, com o primeiro C-124A entregue em maio de 1950. O C-124C veio alguns anos depois, sendo equipado com motores mais potentes, um radar meteorológico AN/APS-42 (montado em um radome no nariz da aeronave) e novo sistema de aquecimento e degelo. O C-124A foi modernizado a um padrão similar ao do C-124C mais tarde.

Um C-124C, matrúcula 52-1069, foi usado como aeronave de provas para o motor turboélice Pratt & Whitney XT57 (PT5), sendo redesignado como JC-124C.

As primeiras entregas do C-124 aconteceram em maio de 1950, tendo fim em 1955 com 448 unidades produzidas. O C-124 esteve operacional durante a Guerra da Coréia e também foi utilizado em apoio das Operações Deep Freeze na Antártida. O C-124 executou operações de carga pesada para os Estados Unidos em todo o mundo, incluindo no Sudeste Asiático e em África. Em 1959 a 1961, foram utilizados para carregar mísseis balísticos PGM-17 Thor até a Inglaterra. O C-124 foi utilizado extensivamente durante a Guerra do Vietnã, no transporte de material dos Estados Unidos ao Vietnã do Sul. Até a entrada em serviço do C-5 Galaxy, o C-124 e o C-133 Cargomaster eram as únicas aeronaves disponíveis para transporte pesado na frota americana.

O Comando Aéreo Estratégico (SAC) da USAF foi o operador inicial do C-124, com 50 unidades em serviço de 1950 a 1962. Quatro esquadrões operaram o modelo, consistindo do 1º, 2º, 3º e 4º Esquadrão de Suporte Estratégico. Sua missão primária na SAC era o transporte de armas nucleares entre bases aéreas e prover transporte para o pessoal e equipamentos da SAC durante exercícios e deslocamentos.

O Serviço Militar de Transporte Aéreo (MATS) foi o principal operador do C-124 até 1966, quando a organização foi renomeada como Comando Aéreo de Transporte (MAC). Após alguns anos da formação da MAC, os últimos exemplares do C-124 foram transferidos para a Reserva da Força Aérea (AFRES) e para a Guarda Aérea Nacional (ANG), tendo estas transferências sido completas em 1970. A primeira unidade da ANG a receber o C-124 foi o 165º Grupo de Transporte Tático, da Guarda Aérea Nacional da Geórgia, sendo esta também a última unidade a aposentar o C-124, em setembro de 1974.

YC-124: Protótipo construído baseado no C-74, com uma nova fuselagem e quatro motores Pratt & Whitney R-4360-39, de 3.500 hp cada;

YC-124A: Protótipo baseado no YC-124 original, com novos motores Pratt & Whitney R-4360-35A, de 3.800 hp cada;

C-124A: Variante de produção inicial, equipado com motores Pratt & Whitney R-4360-20WA, de 3.500 hp cada. 204 unidades construídas;

YC-124B (C-127): Protótipo baseado no C-124A, equipado com motores turboélice Pratt & Whitney YT34-P-6. Originalmente projetado para ser uma aeronave reabastecedora, porém foi utilizado como aeronave de provas para motores turboélice.

C-127C: Variante de produção final, equipado com motores Pratt & Whitney R-4360-63A, de 3.800 hp cada, maior capacidade de combustível, radar meteorológico e novo sistema de aquecimento/degelo. 243 unidades produzidas.

Força Aérea dos Estados Unidos;

23 de março de 1951: O C-124A, matrícula 49-0244, voando da Base Aérea de Loring, nos EUA, para Base Aérea de Mildenhall, no Reino Unido, reportou um incêndio em sua carga, sinalizando emergência. A tripulação começou a ejetar as cargas da aeronave e anunciaram que iriam pousar na água. O C-124 amerrisou no Oceano Atlântico, a 1.100 km da costa da Irlanda. A aeronave estava intacta quando tocou a água. Toda tripulação saiu da aeronave utilizando coletes salva vidas e entraram em botes infláveis. Os botes eram equipados com roupas de inverno, alimento, água potável, sinalizadores e um rádio de emergência. Logo após os tripulantes entrarem a bordo do bote, um piloto de um B-29 visualizou os tripulantes e seus sinalizadores. Sua localização foi informada e o piloto deixou o local após seu nível de combustível baixar. Nenhuma outra aeronave americana ou de seus aliados sobrevoaram o local do acidente pelas próximas 19 horas, até o domingo, 25 de março de 1951. Quando os navios de resgate chegaram, somente foi encontrado algumas caixas da carga original queimadas e um bote salva vidas parcialmente desinflado. Aeronaves e navios de resgate continuaram as buscas nos próximos dias, porém, nenhum tripulante, vivo ou morto, foi encontrado. Há evidências circunstanciais de que os tripulantes do C-124 foram "arrebatados" pela União Soviética, devido ao valor de informações de inteligência, porém, não há informações até hoje sobre o destino da tripulação.

22 de novembro de 1952: O C-124A, matrícula 51-0107, voando da Base Aérea de McChord, em Washington, foi acidentado na Geleira Colony, no Monte Gannett, a 60 km de Anchorage, no Alasca. O acidente matou 41 passageiros e 11 tripulantes. Detritos da aeronave e corpos de algumas das vitimas foram encontrados por equipes da Guarda Nacional do Alasca em 10 de junho de 2012, durante o degelo da geleira. Até 2014, os restos mortais de 17 vitimas foram recuperados.

20 de dezembro de 1952: O C-124A, matrícula 50-0100, voando da Base Aérea de Larson, Washington, levando aviadores para o Texas para as festas de fim de ano, sofreu um acidente após a decolagem. O total de 87 aviadores morreram.

18 de junho de 1953: O C-124A, matrícula 51-137, decolou da Base Aérea de Tachikawa, no Japão. Logo após a decolagem, um dos motores teve uma pane, forçando o piloto a fazer um pouso de emergência. Devido a perda de velocidade, o piloto perdeu controle da aeronave e caiu em uma plantação de melões, matando os sete tripulantes e 122 passageiros. Na época, este foi o pior acidente aeronáutico da história.

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