Etelredo I (em inglês: Æthelred; em inglês antigo: Æþelræd; 845/848 – abril de 871) foi o Rei de Wessex de 865 até sua morte. Era o quarto filho do rei Etelvulfo com sua primeira esposa Osburga e sucedeu seu irmão Etelberto no trono, sendo por sua vez sucedido por seu irmão Alfredo. Etelredo tinha dois filhos quando morreu, Etelhelmo e Etelvoldo, porém foram ignorados na sucessão por ainda serem crianças na época. Etelvoldo posteriormente disputou a sucessão de Alfredo com o filho deste, Eduardo.
A ascensão de Etelreldo coincidiu com a chegada do Grande Exército Pagão, com os vikings conquistando a Nortúmbria e a Ânglia Oriental nos cinco anos seguintes, lançando no final de 870 um grande ataque contra Wessex. Etelredo foi derrotado em janeiro de 871 na Batalha de Reading e quatro dias depois conquistou uma vitória Batalha de Ashdown, porém esta foi seguida por outras duas derrotas nas Batalhas de Basing e Meretun. Etelredo morreu pouco depois da Páscoa em abril. Alfredo foi forçado a pagar para os vikings irem embora, porém conseguiu uma vitória decisiva contra eles sete anos depois na Batalha de Ethandun.
O reinado de Etelredo foi importante na história da cunhagem anglo-saxã. Wessex e Mércia eram aliados próximos quando ele se tornou rei, com essa aliança sendo reforçada pela adoção do desenho Lunette merciano nas moedas saxãs ocidentais, criando desta forma pela primeira vez um desenho unificado da cunhagem no sul da Inglaterra. Esse desenho em comum previu a unificação inglesa que ocorreria nos sessenta anos seguintes e a reforma de cunhagem promovida pelo rei Edgar um século depois.
Egberto, o avô de Etelredo, se tornou Rei de Wessex em 802. Segundo o historiador Richard Abels, provavelmente pareceu improvável para contemporâneos que Egberto conseguiria estabelecer uma dinastia duradoura. Três famílias disputavam o trono de Wessex há duzentos anos, com nenhum filho sucedendo seu pai. Nenhum ancestral de Egberto fora rei desde Ceaulino no final do século VI, mas acredita-se que ele era um descendente pela linhagem paterna de Cerdico, o fundador da Casa de Wessex. Isto fazia de Egberto um atelingo, um príncipe elegível ao trono. Entretanto, após seu reinado, ser descendente de Cerdico não era mais suficiente para fazer de um homem um atelingo. Egberto morreu em 839 e foi sucedido por seu filho Etelvulfo, com todos os reis posteriores de Wessex sendo tanto descendentes de Egberto quanto filhos de reis.
O que hoje é a Inglaterra estava no início do século IX quase sob controle total de anglo-saxões. O Reino de Mércia dominava boa parte da região sul, mas sua supremacia terminou em 825 quando foi derrotado decisivamente por Egberto na Batalha de Ellendun. Os dois reinos depois disso tornaram-se aliados, o que foi importante para a resistência aos ataques de vikings. O rei Burgredo de Mércia pediu em 853 ajuda de Wessex para subjugar uma revolta galesa, com Etelvulfo liderando um contingente em uma campanha bem sucedida. Burgredo nesse mesmo ano se casou com Etelsvita, a filha de Etelvulfo.
Egberto tinha enviado Etelvulfo em 825 para invadir Kent, um sub-reino de Mércia, com o rei Baldredo de Kent sendo deposto pouco depois. Os reinos de Essex, Surrey e Sussex tinham todos se submetido a Egberto até 830, com ele nomeando Etelvulfo para governar os territórios do sudeste como o Rei de Kent. Os vikings devastaram a Ilha de Sheppey em 835 e no ano seguinte derrotaram Egberto em Carhampton, mas uma aliança de vikings e córnicos foram derrotados pelo rei em 838 na Batalha de Hingston Down, reduzindo a Cornualha a um estado cliente. Etelvulfo, ao se tornar rei, nomeou seu filho mais velho Etelstano como sub-rei de Kent. A intenção de Egberto e Etelvulfo talvez não tivesse sido uma união permanente entre Wessex e Kent, pois ambos nomearam filhos como sub-reis e cartas régias em Wessex foram testemunhadas por magnatas saxões ocidentais, enquanto cartas régias de Kent foram testemunhadas pela elite de Kent. Os dois reis mantiveram o controle geral, enquanto os sub-reis não tinham permissão para emitir suas próprias moedas.
Ataques vikings aumentaram no decorrer da década de 840 nos dois lados do Canal da Mancha, com Etelvulfo sendo derrotado em 843 em Carhampton. Etelstano derrotou uma frota dinamarquesa em 850 perto de Sandwich na primeira batalha naval registrada na história inglesa. Etelvulfo e seu segundo filho Etelbaldo derrotaram os vikings no ano seguinte na Batalha de Aclea e, segundo a Crônica Anglo-Saxônica, "ali promoveram a maior matança de um exército invasor pagão de que se tem notícia até os dias de hoje, e ali alcançaram a vitória". Etelvulfo morreu em 858 e foi sucedido em Wessex por Etelbaldo, seu filho mais velho vivo, enquanto Etelberto, seu filho seguinte, se tornou o novo Rei de Kent. Etelbaldo reinou por apenas dois anos e foi sucedido por Etelberto, que pela primeira vez uniu Wessex e Kent em um único reino.
Etelredo era o quarto de cinco filhos homens de Etelvulfo. Sua mãe era Osburga e esta tinha descendência real saxã ocidental. Segundo o historiador Sean Miller, Etelredo era provavelmente um ano mais velho do que Alfredo, seu irmão mais novo, que nasceu por volta de 848 e 849, porém Richard Abels afirma que Etelredo tinha aproximadamente oito anos em 853, o que significaria que ele nasceu por volta de 845. O Manuscrito A da Crônica Anglo-Saxônica foi escrito na década de 890 e afirma que Alfredo foi enviado em 853 por seu pai até Roma e foi consagrado pelo papa como rei. Historiadores não acreditam que ele foi consagrado rei tão jovem e a verdadeira natureza da cerimônia está explicada em um trecho de uma carta do papa Leão IV para Etelvulfo, em que ele fala que Alfredo foi condecorado "como um filho espiritual, com a dignidade do cinto e vestimentas do consulado, como é costume com cônsules romanos". A contemporânea Liber Vitae de San Salvatore, em Bréscia, indica que os dois irmãos foram para Roma. É provável que Etelredo também tenha sido consagrado pelo papa, porém a cerimônia foi posteriormente considerada como prenúncio da grandiosidade de Alfredo, com nem o crônico nem o extrator das cartas do papa estando interessados em registrar a presença de seu irmão mais velho e mais desconhecido.
Etelredo primeiro testemunhou uma das cartas régias de seu pai em 854 como filius regis (filho do rei), continuando a prestar testemunho com esse título até ascender ao trono em 865. É possível que tenha atuado como sub-rei, pois em 862 e 863 emitiu suas próprias cartas como Rei dos Saxões Ocidentais. Isto provavelmente ocorreu enquanto agia como representante ou na ausência de Etelberto, pois não há registro de conflito entre os dois e Etelredo continuou a testemunhar como filho do rei em 864.
Etelredo ascendeu ao trono em 865 após a morte de Etelberto, casando-se com Vulfrida em uma data desconhecida. As esposas de reis de Wessex tinham baixa posição social no século IX e pouquíssimo se sabe sobre elas. Geralmente não recebiam o título de regina (rainha), uma omissão que Alfredo posteriormente justificou baseado no mau comportamento de uma rainha não nomeada no início do século IX. O nome da esposa de Etelredo é conhecido porque ela foi registrada como testemunha na carta régia S 340 de 868, em que aparece como Vulfrida regina, sugerindo que ela tinha uma posição mais elevada do que as esposas de outros reis da época. A única outra esposa de um rei do século IX que sabe-se que recebeu o título de rainha foi Judite de Flandres, segunda esposa de Etelvulfo e que também era uma bisneta do imperador Carlos Magno. Etelredo e Vulfrida tiveram dois filhos, Etelhelmo e Etelvoldo. É possível que Vulfrida tenha sido merciana ou mesmo uma filha de Vulfhere, Ealdormano de Wiltshire, que abriu mão de suas terras depois de ser acusado de deserdar Alfredo em favor dos dinamarqueses em 878, talvez porque tentou garantir apoio viking para a reinvindicação ao trono de seu neto Etelhelmo contra a sucessão de Alfredo.
Alfredo registrou no preambulo de seu testamento que Etelvulfo tinha deixado propriedades conjuntas para três de seus filhos, Etelbaldo, Etelredo e Alfredo, com a condição de que o irmão mais longevo herdasse tudo. Etelredo e Alfredo ainda eram muito jovens quando Etelbaldo morreu em 860, assim ambos concordaram em confiar sua parte para Etelberto, o novo rei, com a promessa de que ele a devolveria intacta. Alfredo, depois da ascensão de Etelredo, pediu durante uma witan (assembleia de notáveis) por sua parte da propriedade. Entretanto, Etelredo afirmou que tinha tentado dividi-la muitas vezes e achado muito difícil, decidindo assim deixá-la inteira para Alfredo ao morrer. Alguns historiadores enxergaram essa herança como incluindo todas as propriedades pessoais de Etelvulfo que ele poderia deixar no seu testamento (diferentemente das terras comuns passadas de acordo com o direito consuetudinário e propriedades marcadas para sustentar a coroa); também foi argumentado que era considerado desejável que essas propriedades pessoais fossem mantidas pelo rei, então a provisão de Etelvulfo implicava que o trono passaria para os irmãos em sequência. Entretanto, outros historiadores consideram que a herança não tinha relação com o trono, com Alfred Smyth dizendo que a herança era uma fonte de renda para seus filhos mais novos quando se tornassem adultos, com Etelbaldo sendo o administrador e o beneficiário residual caso morressem jovens. Os apoiadores dos filhos de Etelredo reclamaram após a ascensão de Alfredo de que ele deveria compartilhar a propriedade com as duas crianças, com Alfredo fazendo com que o testamento de seu pai fosse lido em um witan para provar seu direito à propriedade inteira. Alfredo raramente testemunhou as cartas régias de Etelredo, com isto mais a discussão sobre o testamento de seu pai sugerindo que os dois não tinham um bom relacionamento. A historiadora Pauline Stafford sugeriu que Etelredo escolheu destacar a posição de Vulfrida como rainha em uma das cartas régias a fim de reforçar a reivindicação de seus filhos ao trono.