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Félix-Émile Taunay

Pintor francês que viveu parte da vida no Brasil

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Félix-Marie-Émile Taunay, 2.º Barão de Taunay (1 de março de 1795 – 10 de abril de 1881), geralmente conhecido como Félix Émile Taunay ou Félix Taunay, foi um pintor, professor, escritor, tradutor e administrador acadêmico franco-brasileiro. Filho do pintor francês Nicolas-Antoine Taunay, viajou para o Rio de Janeiro com a família em 1816, junto aos artistas e artífices que mais tarde ficaram conhecidos como integrantes da Missão Artística Francesa. Embora tivesse formação em farmácia, estudou pintura com o pai e permaneceu no Brasil depois que Nicolas retornou à França. Taunay passou quase toda a vida adulta no Brasil, onde desenvolveu sua carreira artística, sua atividade docente e sua reputação pública.

Taunay ingressou na Academia Imperial de Belas Artes como professor de pintura de paisagem em 1824 e exerceu sua direção entre 1834 e 1854. Durante sua gestão, a academia reformulou o currículo, aumentou a ênfase no desenho, na anatomia, no estudo teórico e no modelo vivo, ampliou a biblioteca e as coleções didáticas, organizou galerias permanentes, instituiu exposições públicas regulares e criou prêmios de viagem para alunos que estudavam na Europa. Entre seus alunos de paisagem esteve Agostinho José da Mota, enquanto o sistema de ensino desenvolvido durante sua direção permaneceu à disposição da geração seguinte.

Em 1835, Taunay tornou-se professor do jovem Pedro II do Brasil e de suas irmãs e, em 1839, foi nomeado subpreceptor do imperador. Ensinou francês, grego, desenho e história e manteve por décadas uma estreita amizade intelectual com Pedro II. Também pintou retratos oficiais do jovem imperador, que foram copiados para uso governamental nas províncias.

Como pintor, Taunay conferiu à paisagem uma presença contínua no academicismo brasileiro. Suas vistas do Rio de Janeiro e da Baía de Guanabara combinavam a composição acadêmica europeia com a observação atenta das ruas, da vegetação, das margens e das obras públicas locais. Pinturas como Vista de um mato virgem que se está reduzindo a carvão e Vista da Mãe d'Água abordaram a derrubada da floresta, o abastecimento de água e as mudanças na relação entre a cidade e seu ambiente natural. Taunay também traduziu manuais europeus de arte para o português, preparou um livro de anatomia para a academia e escreveu poemas e traduções literárias.

Primeiros anos e chegada ao Brasil

Félix-Marie-Émile Taunay nasceu em Montmorency, França, em 1 de março de 1795. Era um dos cinco filhos homens do pintor Nicolas-Antoine Taunay e de Marie-Joséphine Rondel. Formou-se farmacêutico na França, embora sua atividade tenha tomado outro rumo depois que a família se estabeleceu no Brasil.

A família Taunay viajou para o Rio de Janeiro com os artistas e artífices que mais tarde seriam reunidos sob a denominação de Missão Artística Francesa. Liderado por Joachim Lebreton, o grupo chegou em 26 de março de 1816 e esperava criar uma escola de artes e ofícios sob o patrocínio da Coroa portuguesa. Félix acompanhava o núcleo familiar de seu pai, mas não tinha participação formal no projeto. A corte criou a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em agosto daquele ano, mas atrasos administrativos e disputas impediram que a escola entrasse em funcionamento.

No Rio de Janeiro, Taunay abandonou a farmácia pela pintura e estudou diretamente com o pai. Nicolas-Antoine havia sido escolhido para lecionar na escola planejada e tornou-se um dos primeiros membros da família a interpretar artisticamente a paisagem dos arredores do Rio de Janeiro. Frustrado com os atrasos que envolviam a instituição, retornou à França no início de 1821 com Marie-Joséphine e o filho Hippolyte. Félix e três de seus irmãos permaneceram no Rio, onde ele continuou a pintar.

Um dos primeiros projetos de Taunay no Brasil começou com vistas em aquarela realizadas a partir do Morro do Castelo em 1822. O pintor francês Guillaume Frédéric Ronmy utilizou-as para criar um Panorama do Rio de Janeiro circular. A obra foi inaugurada no Passage des Panoramas, em Paris, em maio de 1824, e foi o primeiro panorama do Rio de Janeiro exibido em uma rotunda europeia.

O panorama colocava os espectadores acima da cidade, diante de suas ruas, edifícios, porto e das águas da Baía de Guanabara. Em primeiro plano, Pedro I e a imperatriz Leopoldina atravessavam a cidade com sua comitiva. Hippolyte, irmão de Taunay, e o escritor Ferdinand Denis prepararam um livreto explicativo para a exposição, que combinava um guia da vista com uma apresentação do Brasil. O panorama recebeu atenção da imprensa francesa e do jornal carioca Spectador Brasileiro.

A tela original perdeu-se, mas a composição tornou-se conhecida por meio de águas-tintas e de outras gravuras derivadas das aquarelas de Taunay e da pintura de Ronmy. Hermann interpreta o panorama como parte de uma iniciativa destinada a apresentar o Rio de Janeiro como capital de um império recém-independente que buscava reconhecimento no exterior.

Academia Imperial de Belas Artes

Taunay ingressou na academia em 1824, quando a instituição ainda não tinha sede permanente nem currículo estabelecido. A escola havia sido criada como Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 12 de agosto de 1816 e reorganizada como academia por decreto de 23 de novembro de 1820, mas nenhuma das duas disposições havia colocado a instituição em funcionamento regular. Taunay foi nomeado professor de pintura de paisagem, ocupando a cátedra destinada a seu pai, que retornara à França em 1821.

A Academia Imperial de Belas Artes foi inaugurada em 5 de novembro de 1826 no edifício projetado por Grandjean de Montigny. O prédio permanecia inacabado, e boa parte da administração e do currículo da academia ainda não estava definida. Mesmo assim, 38 alunos estavam matriculados quando as aulas começaram.

Em dezembro de 1829, Jean-Baptiste Debret organizou a primeira exposição pública da academia com trabalhos de professores e alunos. A mostra permaneceu aberta de 2 a 14 de dezembro e recebeu mais de 2 mil visitantes. A exposição reuniu 115 obras, entre elas 60 projetos arquitetônicos, 47 pinturas, quatro paisagens e quatro esculturas. Taunay apresentou as quatro paisagens: Vista de São Cristóvão tomada da praia Formosa, Paisagem histórica representando um desembarque na praia de D. Manuel, Vista do Barro Vermelho vindo de Catumbi e Vista da cidade tomada do morro de Santa Teresa.

Uma segunda exposição foi realizada em 1830 e reuniu 126 obras. A seção de pintura continha estudos de paisagem de Frederico Guilherme Briggs e Job Justino de Alcântara, executados a partir de obras de Taunay. Joaquim Lopes de Barros Cabral Teive expôs duas cópias pintadas de trabalhos de Taunay, além de cópias de desenhos arquitetônicos de Grandjean de Montigny.

A academia entrou em um período difícil depois que Pedro I abdicou em 1831 e Debret retornou à França. Taunay e Grandjean de Montigny passaram então a ser os principais professores franceses que permaneciam na instituição. Taunay tornou-se secretário da academia naquele ano e trabalhou com Grandjean na elaboração de novos estatutos, aprovados pela Congregação Acadêmica em 10 de outubro de 1833.

Após a morte do diretor Henrique José da Silva, Taunay foi eleito para sucedê-lo em 1834. Tomou posse em dezembro e pronunciou o primeiro dos discursos que acompanhariam seus anos na direção. Permaneceu no cargo até 1854.

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