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Fernanda Lapa

Actriz portuguesa

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Maria Fernanda Mamede de Pádua Lapa, mais conhecida como Fernanda Lapa (Lisboa, 11 de maio de 1943 — Cascais, 6 de agosto de 2020), foi uma atriz e encenadora portuguesa.

Enquanto estudante no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, Fernanda Lapa iniciou-se no Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa, em 1962.

Pela mão de Fernando Amado, logo de seguida participa na fundação da Casa da Comédia.

É nesta companhia que se estreia como atriz profissional, sob a direção de Fernando Amado, na peça Deseja-se Mulher, de Almada Negreiros. A sua interpretação impressionaria o próprio Almada, que ofereceu um livro à atriz e na dedicatória escreveu que lhe atribuía «20 valores pelo seu talento».

Curiosamente, seria com a mesma peça que Fernanda Lapa se estrearia como encenadora, dirigindo a sua irmã São José Lapa, dez anos mais tarde.

Com um bacharelato em Serviço Social, obtido no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa — onde também conheceu e teve como professor Bernardo Santareno — Fernanda Lapa obteve em 1979 uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura, que a levou a frequentar a Escola Superior de Encenação de Varsóvia. Nesta escola diplomou-se em Encenação, realizando em seguida estágios no Teatro Laboratório de Grotowski, no Teatro Contemporâneo de Wroclaw e no Teatro Stary de Cracóvia.

Atriz multifacetada, o seu curriculum abrange peças de teatro, óperas e teatro-dança; a interpretação de autores como Jean Cocteau, Copi, August Strindberg ou Arthur Miller.

Com Isabel Medina, em 1995, fundou a Escola de Mulheres - Oficina de Teatro, companhia de que foi diretora artística ate ao seu falecimento, e que visava privilegiar a criação feminina no teatro. Aí dedicou-se sobretudo à encenação, tendo dirigido para o Teatro Nacional D. Maria II, entre outras, as pecas Medeia é Bom Rapaz de Luís Riaza, As Bacantes e Medeia, de Eurípides, Sétimo Céu de Caryl Churchill, Como Aprendi a Conduzir e A Mais Velha Profissão, de Paula Vogel.

Na interpretação salienta as participações mais recentes, Bernardo, Bernarda, colagem de textos de Bernardo Santareno, e encenação de Nuno Carinhas, e Medeia, encenação sua, ambos no Teatro Nacional D. Maria II.

O seu ultimo trabalho de direção, realizado nesta companhia, foi a encenação da peça "O Punho", um texto de Bernardo Santareno sobre a Reforma Agrária e os operários agrícolas que a protagonizaram, integrada, precisamente, nas comemorações do Centenário de Bernardo Santareno.

No cinema participou em várias longas-metragens, tendo protagonizado Recompensa, de Arthur Duarte (1979), e Solo de Violino, de Monique Rutler (1992), além do trabalho com os realizadores Fernando Vendrell e Margarida Gil. Participou em dezenas de peças produzidas ou adaptadas para a televisão e integrou o elenco de séries como Ballet Rose, A Raia dos Medos, O Processo dos Távoras ou Pedro e Inês, além da participação esporádica em novelas. Com Sinde Filipe foi co-autora de Cancioneiro (1975), programa de poesia na RTP1.

Alem de atriz, Fernanda Lapa foi ainda formadora e/ ou professora em diversas instituições - no Chapitô, na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (no curso de mestrado em Estudos Teatrais), na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa e na Escola de Artes da Universidade de Évora, onde dirigiu o Departamento de Teatro e foi professora catedrática convidada.

Morreu no dia 6 de agosto de 2020, em Cascais, aos 77 anos, de uma doença da vesícula biliar, de que não se quis tratar.

Era militante do Partido Comunista Português.

Recebeu o Globo de Ouro (2005), pela produção de A Mais Velha Profissão de Paula Vogel.

Foi distinguida em 2005 com a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

1980 - Retalhos da Vida de um Médico

1963 - Deseja-se Mulher - Casa da Comédia

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