Ferrari S.p.A. é uma fabricante italiana de automóveis desportivos de luxo sediada em Maranello, na Itália. Fundada em 1939 por Enzo Ferrari (1898–1988), a empresa construiu seu primeiro carro, o Auto Avio Costruzioni 815, em 1940, adotou o nome atual em 1945 e começou a produzir sua atual linha de automóveis de rua em 1947. A Ferrari tornou-se uma empresa de capital aberto em 1960 e, de 1963 a 2014, foi uma subsidiária do Grupo Fiat. Em 2016, foi separada da Fiat Chrysler Automobiles, entidade sucessora da FIAT. Atualmente, a empresa oferece uma ampla linha de modelos, que inclui vários supercarros, grã-turismos e um SUV. Muitos dos primeiros automóveis da Ferrari, fabricados nas décadas de 1950 e 1960, figuram entre os carros mais caros já vendidos em leilões.
Ao longo de sua história, a empresa destacou-se por sua participação contínua no Automobilismo, especialmente na Fórmula 1, na qual sua equipe, a Scuderia Ferrari, é a mais antiga e bem-sucedida da categoria. A Scuderia Ferrari compete desde 1929, inicialmente em provas de Grande Prêmio e, posteriormente, na Fórmula 1, na qual detém numerosos recordes. Historicamente, a Ferrari também teve forte atuação em corridas de carros esportivos, nas quais seus veículos conquistaram diversas vitórias em provas como a Mille Miglia, a Targa Florio e as 24 Horas de Le Mans, além de vários triunfos gerais no Campeonato Mundial de Resistência. Os torcedores da Scuderia Ferrari, comumente chamados em italiano de tifosi, são conhecidos pela paixão e lealdade à equipe.
A Ferrari é uma das marcas mais fortes do mundo e mantém uma imagem construída em torno da tradição nas corridas, do luxo e da exclusividade. A empresa tem ações negociadas em bolsa, com participações significativas de Piero Ferrari e da Exor N.V. Em maio de 2023, a Ferrari também estava entre as maiores fabricantes de automóveis por capitalização de mercado, com valor aproximado de 85,5 bilhões de dólares.
Enzo Ferrari, anteriormente vendedor e piloto de corrida da Alfa Romeo, fundou em 1929 a Scuderia Ferrari, uma equipe de automobilismo. Originalmente destinada a atender pilotos cavalheiros e outros competidores amadores, a retirada da Alfa Romeo das corridas em 1933, combinada com as relações de Enzo dentro da empresa, transformou a Scuderia Ferrari em sua representante não oficial nas pistas. A Alfa Romeo fornecia carros de corrida à Ferrari, que acabou reunindo alguns dos melhores pilotos da década de 1930 e venceu numerosas provas antes de a equipe ser liquidada em 1937.
No fim de 1937, a Scuderia Ferrari foi liquidada e incorporada à Alfa Romeo, mas divergências entre Enzo e a alta administração levaram-no a deixar a empresa em 1939. Ele utilizou a indenização recebida para fundar sua própria companhia, na qual pretendia produzir automóveis próprios. A empresa recebeu o nome de “Auto Avio Costruzioni” e foi instalada nas antigas dependências da Scuderia Ferrari; devido a um acordo de não concorrência com a Alfa Romeo, não pôde utilizar o nome Ferrari por mais quatro anos. A companhia produziu um único automóvel, o Auto Avio Costruzioni 815, que participou de apenas uma corrida antes do início da Segunda Guerra Mundial. Durante a guerra, a empresa de Enzo fabricou motores de aeronaves e máquinas-ferramentas para as forças armadas italianas; esses contratos eram lucrativos e proporcionaram grande quantidade de capital à nova companhia. Em 1943, diante da ameaça de bombardeios dos Aliados, a fábrica foi transferida para Maranello. Embora as novas instalações tenham sido bombardeadas duas vezes, a Ferrari permanece em Maranello até hoje.
Em 1945, a Ferrari adotou o nome atual. Logo começaram os trabalhos em um novo motor V12, que equiparia o 125 S, primeiro automóvel da marca, e muitos modelos posteriores. A empresa obteve êxito no automobilismo quase imediatamente após começar a competir: o 125 S venceu diversas corridas em 1947, e triunfos iniciais, entre eles as 24 Horas de Le Mans de 1949 e a Carrera Panamericana de 1951, ajudaram a consolidar a reputação da Ferrari como fabricante de automóveis de alta qualidade. A Ferrari venceu várias outras corridas nos anos seguintes, e, no início da década de 1950, seus automóveis de rua já eram apreciados pela elite internacional. A empresa produziu diversas famílias de carros relacionados, entre elas as séries America, Monza e 250, e seu primeiro automóvel de produção em série foi o 250 GT Coupé, lançado em 1958.
Em 1960, a Ferrari foi reorganizada como empresa de capital aberto. Pouco depois, começou a procurar um parceiro empresarial que assumisse suas operações de fabricação: inicialmente aproximou-se da Ford em 1963, mas as negociações fracassaram; conversas posteriores com o Grupo Fiat, que adquiriu 50% das ações da Ferrari em 1969, tiveram maior êxito. Na segunda metade da década, a Ferrari também produziu dois automóveis que romperam com seus modelos mais tradicionais: o Dino 206 GT de 1967, seu primeiro carro de rua com motor central produzido em massa, e o 365 GTB/4 de 1968, cujo desenho aerodinâmico modernizou a linguagem de design da Ferrari. O Dino, em particular, representou um afastamento decisivo da abordagem conservadora de engenharia da empresa, segundo a qual todos os automóveis de rua da Ferrari utilizavam um motor V12 instalado em configuração de motor dianteiro e tração traseira, e antecipou a adoção plena da arquitetura de motor central, bem como dos motores V6 e V8, nas décadas de 1970 e 1980.
Enzo Ferrari morreu em 1988, ocasião em que a Fiat ampliou sua participação na empresa para 90%. O último carro aprovado pessoalmente por ele, o F40, desenvolveu o conceito de supercarro de topo de linha experimentado pela primeira vez no 288 GTO, quatro anos antes. Em 1991, Enzo foi sucedido por Luca Cordero di Montezemolo, sob cuja presidência de 23 anos a empresa se expandiu consideravelmente. Entre 1991 e 2014, ele elevou em quase dez vezes a lucratividade dos automóveis de rua da Ferrari, tanto mediante a ampliação da linha oferecida quanto pela limitação do número total de veículos produzidos. A presidência de Montezemolo também foi marcada pela expansão dos acordos de licenciamento, por uma melhora acentuada no desempenho da Ferrari na Fórmula 1 — sobretudo com a contratação de Michael Schumacher e Jean Todt — e pela produção de outros três modelos de topo: o F50, o Enzo e o LaFerrari. Além de dirigir a Ferrari, Montezemolo também presidiu a Fiat entre 2004 e 2010.
Após a renúncia de Montezemolo, vários presidentes e diretores-executivos sucederam-se rapidamente. Seu primeiro sucessor foi Sergio Marchionne, que supervisionou a oferta pública inicial da Ferrari e sua posterior separação da Fiat Chrysler Automobiles, seguido por Louis Camilleri como diretor-executivo e John Elkann como presidente. Em 2021, Camilleri foi substituído na direção-executiva por Benedetto Vigna, que anunciou planos para desenvolver o primeiro modelo totalmente elétrico da Ferrari. Durante esse período, a Ferrari ampliou a produção em razão do crescimento mundial da riqueza, ao mesmo tempo que se tornou mais seletiva em seus acordos de licenciamento.
Desde o início de suas atividades, a Ferrari participa do automobilismo. Por meio de sua equipe oficial, a Scuderia Ferrari, competiu em diversas categorias, entre elas a Fórmula 1 e as corridas de carros esportivos, embora a empresa também tenha trabalhado em parceria com outras equipes.
Corridas de Grande Prêmio e Fórmula 1
A Scuderia Ferrari permanece ativa desde o início da Fórmula 1: desde 1952, contou com quinze pilotos campeões, venceu dezesseis campeonatos de construtores e acumulou mais vitórias, dobradinhas, pódios, pole positions, voltas mais rápidas e pontos do que qualquer outra equipe na história da F1.
A entidade mais antiga ligada à Ferrari, a Scuderia Ferrari, foi criada em 1929 — dez anos antes da fundação da Ferrari propriamente dita — como equipe de corridas de Grande Prêmio. Era associada à fabricante Alfa Romeo, para a qual Enzo havia trabalhado na década de 1920. A Alfa Romeo fornecia carros de corrida à Ferrari, que os preparava e ajustava às especificações desejadas. A Scuderia Ferrari teve grande êxito na década de 1930: entre 1929 e 1937, contou com pilotos de destaque como Antonio Ascari, Giuseppe Campari e Tazio Nuvolari, e venceu 144 das 225 corridas que disputou.