Nilcedes Soares de Magalhães (nascida Guimarães; Pelotas, 19 de outubro de 1934 – Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2026), mais conhecida como Glória Menezes, foi uma atriz brasileira. Iniciou sua carreira na televisão na década de 1950 e ganhou destaque por atuar como protagonista em diversas telenovelas de sucesso, integrando a primeira geração de profissionais do gênero no país. Entre os prêmios recebidos estão um Prêmio APCA, três Troféus Imprensa e três Prêmios Qualidade Brasil. Também foi homenageada com o Troféu Oscarito, do Festival de Gramado, e o Troféu Mário Lago, em reconhecimento à sua trajetória artística.
Menezes iniciou sua formação na Escola de Arte Dramática, onde fundou o grupo Jovens Independentes e participou de seus primeiros espetáculos teatrais. Seu primeiro trabalho profissional lhe rendeu um prêmio de revelação em um festival de teatro. Em 1959, estreou em telenovelas com Um Lugar ao Sol, da TV Tupi. No ano seguinte, estreou no cinema em O Pagador de Promessas, filme indicado ao Oscar e considerado um dos títulos de destaque do cinema brasileiro.
Posteriormente, ganhou projeção na televisão ao protagonizar diversas novelas ao lado de Tarcísio Meira, com quem foi casada por 59 anos, até a morte do ator, em agosto de 2021. A parceria profissional dos dois começou na TV Excelsior, em 2-5499 Ocupado, considerada a primeira telenovela diária da televisão brasileira. Entre os trabalhos mais conhecidos do casal estão A Deusa Vencida (1965), Sangue e Areia (1967), Rosa Rebelde (1969), Irmãos Coragem (1970), O Semideus (1973) e Cavalo de Aço (1973).
A partir da década de 1980, Menezes ampliou sua atuação na televisão, participando de novelas de diferentes autores e explorando também a comédia. Atuou em Jogo da Vida (1980), Guerra dos Sexos (1983) e Brega & Chique (1987). Em 1990, interpretou sua primeira vilã, Laurinha Figueiroa, em Rainha da Sucata, cujo desfecho foi marcado pela primeira cena de suicídio explícito na televisão. Em 1992, recebeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz por sua atuação em Deus nos Acuda. Também participou de produções como A Próxima Vítima (1995), Torre de Babel (1998), O Beijo do Vampiro (2002), Senhora do Destino (2004–2005), A Favorita (2008) e Totalmente Demais (2015–2016), bem como a série Louco por Elas (2012–2013).
Nascida em 19 de outubro de 1934 em Pelotas, no Rio Grande do Sul, sob o nome de Nilcedes Soares Guimarães, ela é filha de José Nilo e Mercedes, imigrantes portugueses no Brasil. O seu nome de batismo é resultado da junção dos nomes de seus pais. Quando tinha apenas seis anos de idade, em 1940, mudou-se para São Paulo, onde passou a maior parte de sua juventude.
Na capital paulista, ela cursou a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e fundou o grupo teatral Jovens Independentes, onde deu seus primeiros passos no teatro profissional ao lado de nomes como Juca de Oliveira. Em entrevista, ela conta que teve que trocar o nome profissional por seu nome incomum de batismo. "Eu tive que trocar. Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa treze letras. Dá sorte", disse Menezes em depoimento ao Memória Globo.
Primeiros trabalhos e avanços (1959—1962)
Logo no início da carreira, Menezes ganhou reconhecimento por sua interpretação no teatro e avançou para as telas, no cinema e televisão. Ao lado do grupo teatral Jovens Independentes, o qual esteve entre os fundadores, montou sua primeira peça em 1959, Devoção à Cruz, com Juca de Oliveira. Ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz Revelação em um festival de teatro amador promovido por Antunes Filho. Este foi o pontapé inicial para sua ascensão ao estrelato.
Fez sua estreia na televisão logo em seguida na TV Tupi ao interpretar Eloá na telenovela Um Lugar ao Sol, também em 1959, onde foi dirigida por Dionísio Azevedo. No ano seguinte, Glória teve um novo reconhecimento no teatro ao protagonizar uma adaptação de As Feiticeiras de Salém como a acusadora Abigail Williams, responsável pela detenção de pessoas inocentes acusadas de bruxaria. O trabalho na peça lhe rendeu o Prêmio APCA, novamente como Atriz Revelação no Teatro, e foi nos bastidores do espetáculo que ela conheceu o ator Tarcísio Meira, com que viria a se casar pouco tempo depois. Paralelamente, construía sua carreira na televisão participando da novela Há Sempre o Amanhã (1960) e no programa TV de Vanguarda, onde interpretava diversos personagens em histórias diferentes no teleteatro de cada episódio, entre 1960 e 1962.
Ao vê-la no teatro, o cineasta Anselmo Duarte impressionou-se com sua interpretação e a convidou para integrar o elenco de O Pagador de Promessas, rodado em 1960. Inicialmente escalada para viver Marli, uma prostituta, a atriz acabou assumindo o papel de Rosa após Maria Helena Dias, que interpretaria a co-protagonista, contrair pneumonia. Com a mudança, Norma Bengell passou a interpretar Marli. No filme, sua personagem é esposa de Zé do Burro, vivido por Leonardo Villar – um homem simples que enfrenta a intransigência da Igreja ao tentar cumprir uma promessa feita em um terreiro de Candomblé: carregar uma pesada cruz de madeira por um longo percurso. Ela o acompanha durante toda a jornada, permanecendo ao seu lado quando a Igreja e parte da população tentam explorar a ingenuidade de Zé para benefício próprio.
A obra estreou no prestigiado Festival de Cannes, em 1962, onde conquistou a Palma de Ouro, e posteriormente foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Sua estreia no cinema, portanto, já se deu com repercussão internacional. Por esse trabalho, Menezes recebeu diversos prêmios de Melhor Atriz, incluindo no Festival de Cinema de Curitiba. Em novembro de 2015, o filme foi eleito o nono melhor longa-metragem brasileiro de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema.
Menezes alcançou reconhecimento nos três segmentos (cinema, teatro e televisão) logo no início de sua carreira. Sobre a rápida ascensão, comentou em entrevista no Memória Globo: "As coisas vieram assim para mim de uma maneira que eu fico pensando: ‘Meu Deus, se acontecesse hoje, com a experiência que eu tenho, seria um horror’. Mas você vai de cabeça nas coisas quando está começando".
Início do legado nas telenovelas (1963—1969)
Foi contratada pela TV Excelsior em 1963 para protagonizar a novela 2-5499 Ocupado, um romance escrito por Dulce Santucci. A produção marcou o início da longa parceria com Tarcísio Meira, com quem formou pares românticos de sucesso inúmeras vezes, e transformou o modo de produzir novelas no Brasil. Esta foi a primeira produção a ser exibida diariamente na televisão e a estabelecer a estrutura narrativa de ganchos nos finais de cada capítulo. Menezes interpretou Emily, uma detenta que trabalha como telefonista no presídio e liga sem querer para o escritório de Larry – interpretado por Tarcísio Meira. Eles se apaixonam pela voz um do outro mas o advogado não sabe da condição de presidiária de Emily. Apesar dos feitos para a teledramaturgia, a produção foi extremamente criticada pelo texto de baixa qualidade e as condições precárias de gravações.
O casal protagonizou, em seguida, a novela Uma Sombra em Minha Vida, de Alcina Toledo. Ela interpretou uma jovem criada por uma família tradicional, protegida por sua mãe biológica sem saber. Com o desenrolar da trama, ela precisa disputar o amor de Eduardo (Tarcísio Meira) com a própria irmã Neuza, esta interpretada por Irina Grecco. Em 1965, esteve em Pedra Redonda, 39, a primeira novela gravada no Rio Grande do Sul. Foi a primeira experiência de Tarcísio Meira como diretor e o casal transferiu-se para Porto Alegre enquanto acontecia a produção. Mas, apesar do esforço dos atores, a trama que acompanhava uma família tradicional e um crime misterioso foi um fracasso. Inicialmente planejada para ter 30 capítulos, a TV Excelsior manteve a novela no ar somente até o décimo capítulo.
Em A Deusa Vencida (1965), o então casal mais famoso do Brasil retomou o sucesso. Ela interpretou Cecília, uma bela jovem que vive um conflito amoroso por conta dos interesses financeiros de seu pai, que está falido. Ela é prometida em casamento ao fazendeiro Fernando (Edson França), que irá sanar as dívidas de sua família, mas o seu verdadeiro amor é Edmundo (Tarcísio Meira) que, desiludido com o casamento, viaja para a Europa. Ainda na Excelsior, esteve em mais três novelas. Em Almas de Pedra (1966), Menezes interpretou a jovem Cristina, que se passa por um homem para vingar seu pai assassinado, e vai transformar-se em Cristiano. Para isso, tem aulas de masculinidade com Danilo (papel de Tarcísio), por quem se apaixona. Foi escalada para um papel coadjuvante em As Minas de Prata, de Ivani Ribeiro, como Zana, mas não ficou até o fim da produção, sendo substituída pela atriz Lídia Mattos. Ao lado de Tarcísio, Íris Bruzzi, Débora Duarte e Ivan Mesquita, foi uma das cinco protagonistas de O Grande Segredo, seu último trabalho para a Excelsior. Ela deu vida a Marta, uma mulher que vive uma vida dupla em constante conflito com sua honestidade e a vida emprestada para uma mulher morta, se passando pela falecida Ana Célia.