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Guy Mollet

Político francês (1905-1975)

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Guy Alcide Mollet (Flers, 31 de dezembro de 1905 – Paris, 3 de outubro de 1975) foi um professor e político francês, secretário-geral da Secção Francesa da Internacional Operária (SFIO) entre 1946 e 1969 e presidente da câmara municipal de Arras entre 1945 e 1975.

Ocupou o cargo de presidente do Conselho de Ministros — título correspondente, na época, ao de primeiro-ministro — entre 31 de janeiro de 1956 e 12 de junho de 1957, à frente do governo mais duradouro da Quarta República Francesa. Esse governo obteve, em 12 de março de 1956, plenos poderes especiais da Assembleia Nacional para conduzir a guerra da Argélia, negociou o reconhecimento da independência de Marrocos e da Tunísia em março de 1956, promoveu reformas sociais como a terceira e a quarta semanas de férias pagas e autorizou o início do programa francês de armamento nuclear. O seu governo envolveu ainda a França, ao lado do Reino Unido e de Israel, numa intervenção militar mal sucedida no canal do Suez, em outubro e novembro de 1956, e assinou, em 25 de março de 1957, o Tratado de Roma, que instituiu a Comunidade Económica Europeia.

Depois da queda do seu governo, aproximou-se do general Charles de Gaulle por ocasião do regresso deste ao poder em 1958, tendo integrado o seu governo como ministro de Estado entre junho de 1958 e janeiro de 1959, antes de passar a uma posição de oposição ao longo da década de 1960.

Guy Mollet nasceu em Flers, no departamento do Orne, numa família modesta, tendo sido criado como pupilo da nação. Bolseiro, estudou na Faculdade de Letras de Lille e tornou-se professor de inglês, exercendo funções no liceu de Arras a partir de 1924. Aderiu à SFIO em 1921 e, a partir de 1936, acumulou o ensino com funções sindicais, tendo sido nomeado, em 1939, secretário-geral da Federação do Ensino, sindicato ligado à SFIO.

Segunda Guerra Mundial e Resistência

Mobilizado em 1939, foi feito prisioneiro pelas forças alemãs em 1940 e libertado em 1942, após o que se juntou à Resistência Francesa. Entre 1942 e 1944, dirigiu, no departamento do Pas-de-Calais, uma organização de resistência civil e militar.

Ascensão política e liderança da SFIO (1945-1955)

Na Libertação, Mollet foi eleito presidente da câmara municipal de Arras em 5 de maio de 1945, cargo que manteve, por reeleições sucessivas, até à morte, e foi eleito, em outubro seguinte, presidente do conselho geral do Pas-de-Calais. Eleito deputado pelo Pas-de-Calais para a Assembleia Constituinte em outubro de 1945, participou na elaboração das constituições de 1946 e, mais tarde, de 1958. Tornou-se secretário-geral da SFIO em 4 de setembro de 1946, cargo que ocupou sem interrupção até 1969, opondo-se sistematicamente a alianças eleitorais com o Partido Comunista Francês. Foi ministro de Estado no governo de Léon Blum entre dezembro de 1946 e janeiro de 1947, ministro de Estado para os Assuntos do Conselho da Europa no governo de René Pleven entre julho de 1950 e março de 1951, e vice-presidente do Conselho no governo de Henri Queuille entre março e agosto de 1951.

Investidura e Frente Republicana

Na sequência da vitória eleitoral da Frente Republicana — coligação que incluía a SFIO e o Partido Radical de Pierre Mendès France — nas eleições legislativas de janeiro de 1956, Mollet obteve a investidura como presidente do Conselho em 31 de janeiro de 1956, tendo integrado Mendès France no seu governo como ministro de Estado sem pasta.

Argélia: incidente das tomates e poderes especiais

Em deslocação a Argel, em 6 de fevereiro de 1956, para anunciar a nomeação de um novo ministro-residente favorável a negociações com os nacionalistas argelinos, Mollet foi recebido por uma manifestação hostil de colonos europeus, que o vaiaram e atingiram com tomates, episódio que ficou conhecido como "a jornada das tomates". Na sequência do incidente, o governo endureceu a sua política argelina, nomeando Robert Lacoste ministro-residente em 9 de fevereiro de 1956 e obtendo, em 12 de março seguinte, por 455 votos contra 76, a aprovação pela Assembleia Nacional de plenos poderes especiais para tomar, na Argélia, todas as medidas excecionais consideradas necessárias à manutenção da ordem e à proteção de pessoas e bens.

Independência de Marrocos e da Tunísia

O governo Mollet concluiu o processo de descolonização do protetorado francês em Marrocos e do protetorado francês na Tunísia, reconhecendo, por declaração conjunta de 2 de março de 1956, a independência de Marrocos — formalizada por convenção assinada em Paris a 28 de março de 1956 — e, por protocolo de 20 de março de 1956, a independência da Tunísia.

Reformas sociais e política nuclear

No plano interno, o governo aprovou a "lei-quadro" proposta pelo ministro Gaston Defferre para os territórios ultramarinos franceses, concedendo-lhes um grau alargado de autonomia administrativa, e instituiu a terceira e, pouco depois, a quarta semana de férias pagas para os trabalhadores franceses. Foi ainda sob o governo Mollet que a França autorizou o início do desenvolvimento de um programa de armamento nuclear militar, embrião da futura força de dissuasão nuclear francesa.

Considerando o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, que nacionalizara o canal do Suez em julho de 1956, um dos principais apoiantes externos da Frente de Libertação Nacional argelina, o governo Mollet associou-se ao Reino Unido e a Israel numa operação militar secreta contra o Egito. Após o desembarque de tropas franco-britânicas em Porto Saíde, em 5 de novembro de 1956, a operação foi interrompida sob forte pressão diplomática dos Estados Unidos e da União Soviética, obrigando Paris e Londres a um cessar-fogo humilhante.

Por iniciativa do próprio Mollet, a França participou ativamente nas negociações que conduziram, em 25 de março de 1957, à assinatura em Roma, por seis países europeus, dos tratados que instituíram a Comunidade Económica Europeia e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (Euratom).

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