György Orth Wirth, também conhecido como Jorge Orth (Budapeste, 30 de abril de 1901 - Porto, 11 de janeiro de 1962), foi um jogador e treinador de futebol húngaro. Em virtude de sua polivalência, inteligência e técnica, foi considerado não só um dos melhores futebolistas de sua geração, como também de todos os tempos.
Um dos ídolos máximos do MTK Budapest, Gyuri foi uma das figuras centrais do futebol europeu e mundial no período entreguerras, frequentemente excursionando com sua equipe a outras nações europeias e acumulando conquistas em nível nacional. Representando a Seleção Húngara, pela qual fez 13 gols em 32 partidas oficiais, para além de amistosos, também participou no torneio de futebol nas Olimpíadas de Verão de 1924.
György Orth era, de ofício, atacante e lateral-esquerdo, embora tenha jogado, também, em múltiplas posições dos setores ofensivo e defensivo. Possuía conhecimento tático vasto e domínio técnico, o que, em sua larguíssima estatura, viabilizava sua multiposicionalidade. Sua polivalência era tanta que Orth jogou até mesmo como goleiro em diversas ocasiões.
Orth também notoriamente teve uma exitosa carreira como treinador de futebol, passando por várias nações europeias, mas principalmente por Portugal e Itália e pela América Latina. Nestes continentes, acumulou bons trabalhos e foi importante para o amadurecimento do futebol em nações como Chile e Peru.
Sua carreira como jogador teve um declínio impactante ao lesionar-se seriamente em um jogo em Viena, contra a equipe do Wiener Amateur-SV. Seu técnico à época, Jimmy Hogan, descreveu como essa lesão causou um tremendo baque em Budapeste, criando um clima de revolta na população húngara e fomentando, até mesmo, um desejo de guerra contra a Áustria.
Crescendo pelo bairro de Angyalföld, Orth começou a jogar futebol pelas gramas aproximadamente aos três anos de idade, ganhando de seu padrinho uma bola de futebol e sendo guiado por um parente que era futebolista. Já aproximadamente nesta idade, Orth deu seus primeiros passos no esporte e ensinava ativamente o seu padrinho, o qual era leigo no futebol. Todavia, em pouco tempo de prática, os pais de Gyuri não gostavam de sua paixão pelo esporte, visto que frequentemente não estava em casa pela manhã por jogar uma partida informal e desgastava os seus sapatos, forçando sua família a criar uma conta no sapateiro local. Por tais motivos, Orth ficou proibido de praticar futebol por sua família até meados de 1908.
Entretanto, György descumpriu temporariamente a proibição dos pais e aos seis anos, em meados de 1907, praticava escondido o esporte em sua escola, onde a prática também era desencorajada. A partir disso, em bairros desertos e com bolas feitas de papel ou trapos, Orth reaprendeu o esporte e aprimorou sua técnica futebolística. Ao ter o castigo dos pais flexibilizado, retomou a jogar nos campos de seu bairro, em partidas que iam do início manhã até o final da tarde.
Já aos dez anos de idade, organizou o seu primeiro time, o Terézvárosi SK (ou S.K.F.), atuando como lateral-esquerdo e zagueiro (ou, à época, "back"), juntamente com outras crianças de seu bairro. A equipe tinha como requerimento etário crianças de 9 a 13 anos. A equipe perdeu apenas um jogo disputado em seus anos de instituição, sendo este contra um time formado por atletas mais maduros — embora estes geralmente eram vencidos facilmente pela equipe.
Após um ano de vida, todos atletas do Terézvárosi foram ao Erzsébetvárosi Atlétikai Club (EAC), também conhecido como NTC , virtualmente fundindo as instituições. O EAC era um time de juniores cuja grande parte das partidas se dava contra jogadores mais maduros, próximos aos 18 anos de idade. Jogando predominantemente como meia-direita durante dois anos, o grande destaque de Orth no clube veio em uma competição contra jogadores mais velhos. Os jogadores adultos do NTC não estavam disponíveis, e a ausência de jogo resultaria a eliminação do clube. Portanto, para evitarem a eliminação, optaram por jogar o quadro infantil, no qual figurava Orth e os atletas do antigo S.K.F. Na partida, o EAC saiu vitorioso, o que fez de sua equipe infantil uma sensação imediate em Budapeste, com um estilo de jogo marcado por passes bem medidos para contrapor-se à fragilidade física.
Saída para o Vasas, início da carreira e inicial interesse do MTK Budapest
György e seus companheiros passaram a treinar, a partir desse momento, com jogadores de times principais do EAC. Em meados de 1915, Orth teve uma performance impressionante e marcou um Hat-trick em uma partida contra o Vasas SC. Nesta partida, fazia-se presente Alfred Brüll, presidente e patrono do MTK Budapest, que imediatamente se interessou por seu talento.
Apesar disso, Alfred perdeu imediatamente a oportunidade de vincular seu passe ao MTK, pois a equipe do Vasa, do próprio distrito de Angyalföld, contratou antes Orth e seus companheiros da categoria infantil do EAC.
Pelo Vasas, Orth foi rapidamente alçado a atuar pela equipe adulta, a qual estava na Segunda Divisão Húngara. No ano calendário, a equipe de Gyuri venceu todos os jogos, com o atleta jogando também na meia-direita e assegurando uma partida pelo acesso ao Campeonato Húngaro contra o último colocado deste, o Kereskedők Atlétikai Országos Egyesülete (KAOE). Na partida, o Vasas bateu o KAOE por um placar de 5 a 0, fazendo assim Orth, apenas aos 14 anos, classificar sua equipe à Primeira Divisão Húngara junto a seus colegas de S.F.K.
Saída do Vasas ao MTK Budapest (1916)
Ao chegar 1916 e ter promovido o Vasas à primeira divisão, Orth viu a maior parte de seu vitorioso time ser enviada de volta à categoria infantil, com ele sendo um dos únicos que ficou na equipe adulta. Para continuar acompanhando seus companheiros, György demandou ao clube que o descesse de volta a essa categoria, ameaçando sair dele caso contrariado.
Após um tempo, Gyuri, juntamente a seu companheiro de equipe, o ala József Braun, foi descoberto pelo notório treinador inglês Jimmy Hogan em meados de 1916, quando tinha por volta de 15 anos de idade, jogando pelo Vasas. Após isso, convidados por Hogan a integrar o seu time, o próprio MTK, bem como pela influência de Brüll, György integrou a equipe juntamente de Braun dias após a estreia pela Primeira Divisão Húngara. Em seu novo time, foi guiado pelo técnico inglês a partir de sua filosofia de passes curtos a servir como criador de jogadas, especialmente saindo do meio de campo, otimizando um estilo de posse de bola e fazendo jus ao estilo de "jogador de equipe" o qual consagrou o húngaro ao decorrer de sua carreira.
Ambos ainda estavam na escola, porém, de modo que passaram a utilizar suas tardes para aprendizados táticos e treinos com a bola ministrados pelo treinador. Além disso, Orth, de acordo com Hogan, ouvia e aprendia atenciosamente histórias as quais ele contava sobre futebolistas do início do Século XX, em especial sobre o atacante inglês Steve Bloomer e o ala galês Billy Meredith. Ao sair do Vasas e ir ao MTK, Orth teria de passar oito meses totais sem atuar no futebol, nos quais se dedicou integralmente ao treinamento de suas habilidades com Hogan. Sobre a sua relação com o técnico inglês, o jogador húngaro viria a comentar:
"Ele [Hogan] foi meu pai no futebol. Desde que ingressei ao N.T.K. [sic], tomou tanto interesse por mim e me quis tanto que eu cheguei a considerá-lo como um segundo pai. Me treinava quase todos os dias, enquanto eu saía das classes e ia ao campo, onde ele me esperava. Posso dizer assim que nós dois vivíamos no campo entregados a uma tarefa que durou muitos meses, durante os quais ele me iniciou em todos os segredos do jogo moderno".