Helena Luísa Isabel de Meclemburgo-Schwerin (em alemão: Helene Luise Elisabeth zu Mecklenburg-Schwerin; Ludwigslust, 24 de janeiro de 1814 — Londres, 18 de maio de 1858) foi uma duquesa alemã de Meclemburgo-Schwerin por nascimento e Princesa Real da França e Duquesa de Orleães por seu casamento com o herdeiro do trono francês, Fernando Filipe, filho do rei dos Franceses, Luís Filipe I.
Nascida em 24 de janeiro de 1814, no Palácio de Ludwigslust, filha do grão-duque Frederico Luís de Meclemburgo-Schwerin, herdeiro aparente do Grão-Ducado de Meclemburgo-Schwerin, e de sua segunda esposa, Carolina Luísa de Saxe-Weimar-Eisenach.
Helena perdeu a mãe quando tinha apenas dois anos. Antes de morrer, Carolina teria pedido ao marido que desse outra mãe aos filhos e sugeriu a princesa Augusta de Hesse-Homburgo para esse papel. Augusta casou-se com o pai de Helena em 1816, mas ficou viúva pouco depois. A partir de então, passou a dedicar-se à educação das crianças. Helena desenvolveu uma relação próxima com a madrasta, baseada em afeto e confiança.
Helena era descrita como uma criança simples e generosa, pouco inclinada ao egoísmo e sensível ao sofrimento alheio. Sua religiosidade refletia-se na prática da caridade e na valorização do auxílio aos mais necessitados.
Na primavera de 1827, Helena visitou pela primeira vez a corte de Weimar. Até então, sua educação havia ocorrido principalmente no ambiente familiar, sob a orientação de professores escolhidos por sua madrasta. Aos treze anos, a ida à Weimar marcou uma nova fase de sua formação, aproximando-a da vida cortesã e da literatura.
Em 1830, Helena recebeu a confirmação religiosa na Igreja Paroquial de Ludwigslust. Nesse mesmo período, acompanhou com interesse as notícias sobre a Revolução de Julho na França, o que despertou seu interesse pelo país.
Em 1836, durante a visita a Berlim dos filhos de Luís Filipe I, rei dos Franceses, Fernando Filipe, Príncipe Real e Duque de Orleães, demonstrou interesse pela princesa Helena. O rei da Prússia, Frederico Guilherme III, gostava da princesa e considerava favoravelmente a possibilidade de uma união. Após avaliar suas qualidades e as possíveis dificuldades políticas e religiosas – Helena era protestante e a família real francesa católica –, Fernando Filipe decidiu formalizar o pedido de casamento.
Helena mostrou-se inicialmente apreensiva diante da perspectiva de deixar sua família e seu país, mas acabou aceitando a proposta, apoiada pela madrasta. O contrato de casamento foi assinado em 5 de abril de 1837 e, em 15 de maio, a princesa deixou Ludwigslust acompanhada pela madrasta, que desejava apresentá-la pessoalmente aos reis dos Franceses.
Durante a viagem para a França, Helena recebeu diversas manifestações de afeto da população. Em 25 de maio, atravessou a fronteira francesa e passou por Forbach e Metz, onde chamou a atenção pela simplicidade e pela naturalidade com que recebia as demonstrações de interesse. A chegada a Fontainebleau foi marcada por uma grande recepção, com a presença da família real e de uma multidão que aguardava a jovem princesa. Helena foi bem acolhida pela família do noivo. O casamento em pessoa foi celebrado em 30 de maio de 1837, na capela do Palácio de Fontainebleau, e não na tradicional Catedral de Notre-Dame, pois o contrato matrimonial garantia que ela permaneceria protestante.
Os primeiros anos de Helena na França foram marcados pela adaptação à vida familiar e às responsabilidades decorrentes de sua posição na corte, bem como pelas expectativas em relação ao futuro da família real. Em 1838, no terceiro aniversário de seu casamento, Helena declarou-se satisfeita com a nova família e com a posição que passara a ocupar na França.
O nascimento de seu primeiro filho, o Conde de Paris, foi recebido por ela com grande júbilo. O nascimento de seu segundo filho, o Duque de Chartres, em 9 de novembro de 1840, reforçou seu envolvimento com a vida familiar e com as responsabilidades relacionadas à maternidade. Em suas cartas, manifestava o desejo de acompanhar de perto a educação dos filhos e atribuía especial importância à infância para a formação de seus sentimentos e de sua religiosidade. Helena vinculava a criação dos filhos aos deveres que assumira perante a família e a França, inserindo a educação deles nas expectativas relacionadas ao futuro da monarquia. Ela valorizava especialmente as ocasiões em que podia permanecer a sós com os filhos, por considerar que esses momentos favoreciam uma convivência mais próxima com eles.
Sua atuação na corte também incluía interesses culturais e intelectuais. Helena acompanhava as atividades artísticas e literárias promovidas pela família real e participava de momentos de convivência com a rainha e as princesas. Na esfera política, procurava manter uma postura discreta, evitando associar sua posição às diferentes correntes que se formavam em torno da família real.
A experiência de Helena na França foi profundamente marcada pela morte de seu marido em um acidente de carruagem. Ao receber a notícia, em julho de 1842, ela retornou imediatamente a Paris, onde encontrou a família real em luto. Helena ficou profundamente abalada com a morte do marido e voltou sua atenção para os filhos, que passaram a ocupar ainda mais espaço em sua vida durante o período de luto.
A Revolução de 1848 marcou o fim da vida de Helena na França. Na manhã de 24 de fevereiro, diante do avanço da insurreição em Paris e da perda de apoio ao governo, o Rei Luís Filipe decidiu abdicar em favor de seu neto, o Conde de Paris. Helena tentou impedir a abdicação, argumentando que a renúncia do rei poderia comprometer os direitos de seus filhos.
Após a abdicação, Helena acompanhou os filhos e dirigiu-se à Assembleia Nacional Francesa, onde esperava defender os direitos do Conde de Paris à Coroa, sob sua regência. Ao chegar, foi recebida em meio ao tumulto político. A sua presença na Assembleia com os dois filhos, enquanto deputados e populares discutiam o futuro da monarquia. Helena permaneceu na Câmara mesmo diante do agravamento da situação. Quando a multidão invadiu o recinto, ela manteve-se junto aos filhos e tentou falar aos deputados. Em determinado momento, os disparos começaram a ser ouvidos dentro da Assembleia, mas Helena permaneceu no local, demonstrando, segundo relatos, serenidade diante do perigo. No tumulto, os dois filhos foram separados dela. Helena conseguiu finalmente reencontrar os filhos e, ao vê-los novamente em segurança. Diante da impossibilidade de reunir novamente os deputados e de preservar a monarquia, Helena deixou a Assembleia acompanhada pelos filhos e por algumas pessoas de sua confiança. O parlamento dissolveu-se, a monarquia foi abolida e a Segunda República Francesa foi proclamada.
Após a tentativa frustrada de se tornar regente e a abolição da monarquia, ela deixou a França e foi para a Alemanha e, depois, para a Inglaterra, com seus filhos. No exílio, Helena continuou a reivindicar ativamente, do exterior, o direito de seu filho ao trono francês, mas os monarquistas franceses começaram a favorecer a outra linhagem real francesa, anteriormente reinante, sob a chefia do Conde de Chambord.
[[Ficheiro:Dreux 09 (RaBoe).jpg
|miniaturadaimagem|260x260px|Tumbas dos Duques de Orleães na Capela Real de Dreux.]]Helena faleceu em 18 de maio de 1858, em Londres, devido a complicações da gripe que contraiu enquanto cuidava de seu filho mais novo, o Duque de Chartres. Ela foi sepultada em Walbridge. Em 1876, seus restos mortais foram transferidos para a Capela Real, em Dreux.