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Henrique Rupp

Político brasileiro

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Henrique Rupp (Praga, 12 de março de 1854 — Campos Novos, 21 de agosto de 1915) foi um agrimensor, tabelião, escrivão, fazendeiro e político brasileiro, de origem centro-europeia. Foi um dos fundadores do município de Campos Novos, em Santa Catarina, onde exerceu a superintendência municipal (cargo equivalente ao de prefeito) por dois períodos e o mandato de deputado estadual por três legislaturas. Recebeu a patente de coronel da Guarda Nacional pela defesa da vila durante a Revolução Federalista (1893–1895) e teve papel de destaque, já no fim da vida, nos episódios que antecederam a Guerra do Contestado. É pai de Henrique Rupp Júnior.

Nasceu em 12 de março de 1854 em Praga, no bairro de Karolinenthal (atual Karlín), então parte do Reino da Boêmia, sob o Império Austríaco dos Habsburgo. Era filho de Ernesto Rupp e Maria Spiler. Karolinenthal, como boa parte da Boêmia da época, tinha população majoritariamente germânica apesar de politicamente austríaca — o que explica a nacionalidade alemã atribuída a Rupp apesar do local de nascimento.

Estudou dois anos em Berna, na Suíça, e depois cursou agrimensura em Paris. Em 1870, aos dezesseis anos, tentou se alistar como voluntário no exército alemão para lutar na Guerra Franco-Prussiana, mas foi recusado por ser menor de idade.

Casou-se com Emma Sharf, nascida em 1860 em Metz, na Lorena — região que a mesma guerra de 1870 anexara ao Império Alemão. Tiveram onze filhos: Ernesto, Henrique Rupp Júnior, Elsa Alexandrina, Rodolfo, Leônidas, Lauro, Helena, Adolfina, Maria, José e João.

=== Chegada ao Brasil e Campos Novos ===

Em 1877, o casal embarcou para o Brasil, então na última década do Império, período de intensa política de atração de imigrantes europeus para o sul do país. Instalaram-se inicialmente numa propriedade rural na região de Jaraguá (atual Jaraguá do Sul), próxima a Joinville, onde Rupp exerceu as funções de tabelião e escrivão.

Em 1881, iniciou trabalho de agrimensura medindo terras na região de Curitibanos. Em 1884, transferiu-se com a família para Campos Novos, então um povoado nascente no planalto catarinense, onde permaneceria até a morte. Comprou terras, tornando-se um dos maiores proprietários do município, e atuou como rábula — como se chamava, à época, o advogado sem diploma que resolvia questões de terra e herança em regiões onde não havia bacharéis — além de exercer o tabelionato e a promotoria pública substituta. Foi um dos fundadores da municipalidade de Campos Novos, vereador e presidente da Câmara Municipal (1889).

=== Guarda Nacional e a Revolução Federalista ===

Recebeu, ainda antes da guerra, a patente de oficial da Guarda Nacional. Entre 1893 e 1895, durante a Revolução Federalista — conflito civil que opôs republicanos castilhistas e federalistas maragatos no Rio Grande do Sul, com reflexos armados no planalto catarinense —, Campos Novos ficou no caminho de colunas maragatas que subiam rumo ao Paraná. Rupp participou pessoalmente da defesa da vila, e por esse serviço foi promovido a coronel da Guarda Nacional, título que no período consolidou seu estatuto de liderança política local, no padrão então chamado de coronelismo.

Foi superintendente municipal de Campos Novos (cargo equivalente a prefeito) em dois períodos: de 1893 a 1898 e de 1911 a 1913.

Foi deputado estadual ao Congresso Representativo de Santa Catarina (atual Assembleia Legislativa) por três legislaturas: eleito pela primeira vez sob a nova Constituição estadual de 1895, com 2.284 votos (2ª legislatura, 1894–1895); reeleito na 4ª legislatura (1898–1900); e, após um pleito intermediário marcado por denúncias de fraude no qual ficou apenas na suplência, retornou na 6ª legislatura (1904–1906), eleito com 7.633 votos — quase o triplo da primeira eleição, sinal do crescimento de sua base política na década.

Foi filiado ao Partido Republicano Catarinense (PRC).

No fim da vida, Rupp esteve diretamente envolvido nos episódios que antecederam a Guerra do Contestado (1912–1916). Como superintendente das colônias do município, telegrafou reiteradamente ao governo do estado, a partir de setembro de 1914, pedindo o envio de força federal para proteger Campos Novos do avanço dos chamados “fanáticos” — seguidores do monge José Maria, morto em 1912, cujo movimento messiânico atraíra milhares de sertanejos expulsos de suas terras pela concessão territorial dada à Brazil Railway Company ao longo da linha férrea São Paulo–Rio Grande do Sul.

Morreu em Campos Novos em 21 de agosto de 1915, aos 61 anos. O obituário foi publicado em O Estado de 23 de agosto daquele ano — jornal fundado pelo próprio filho, Henrique Rupp Júnior, pouco mais de cem dias antes, com recursos emprestados pelo pai.

Casou com Ema Rupp. Filhos: Ernesto, Henrique Rupp Júnior (advogado, jornalista e político, prefeito de Florianópolis e deputado federal), Elsa Alexandrina, Rodolfo, Leônidas, Lauro, Helena, Adolfina, Maria, José (cofundador, com o irmão Henrique, da Empresa Construtora e Colonizadora Oeste Catarinense) e João.

Há uma rua com seu nome no centro de Campos Novos/SC, e uma escola estadual de educação básica leva seu nome no mesmo município (EEB Henrique Rupp Júnior é dedicada ao filho).

● MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Henrique Rupp. Disponível em: http://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/374-Henrique_Rupp

● PIAZZA, Walter F. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985.

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