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Ibne Arabi

Abu Abedalá Maomé ibne Arabi Atai Alhatimi (em árabe: أبو عبد الله محـمـد بن عربي الطائي الحاتمي; romaniz.: Abū ʻAbd All

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Abu Abedalá Maomé ibne Arabi Atai Alhatimi (em árabe: أبو عبد الله محـمـد بن عربي الطائي الحاتمي; romaniz.: Abū ʻAbd Allāh Muḥammad ibn ʻArabī al-Ṭāʼī al-Ḥātimī; Múrcia, 28 de julho de 1165 – Damasco, 10 de novembro de 1240), melhor conhecido apenas como Ibne Arabi (ابن عربي, Ibn ʻArabī‎), Abenárabi ou Bem Arabi, foi um místico sufi, filósofo, poeta, viajante e sábio hispano-muçulmano do Alandalus. As suas importantes e numerosas contribuições em distintos campos das ciências islâmicas valeram-lhe os títulos de Vivificador da Religião (em árabe محيي الدين Muhyi al-Din) e Mestre supremo (em árabe الشيخ الأكبر as-Sheikh al-Akbar), além de o platonismo de sua metafísica tornar-lhe conhecido pelo apelido de o Platonista ou "Filho de Platão" (Ibn Aflatun). Das mais de 800 obras que lhe são atribuídas, 100 sobrevivem no manuscrito original. Seus ensinamentos cosmológicos se tornaram a cosmovisão dominante em muitas partes do mundo islâmico.

Após sua morte, os ensinamentos de Ibne Arabi rapidamente se espalharam pelo mundo islâmico. Seus escritos não se limitavam às elites muçulmanas, mas chegavam aos níveis mais baixos da sociedade através do amplo alcance das ordens sufis. O trabalho de Arabi também se difundiu popularmente através das línguas poéticas no persa, turco e urdu. Muitos poetas populares foram treinados nas ordens sufis e foram inspirados pelos conceitos de Arabi.

Segundo a Stanford Encyclopedia of Philosophy, apesar de se espalharem rapidamente no mundo islâmico dentro de um século após a sua morte, os escritos de Ibne Arabi permaneceram desconhecidos ao mundo ocidental até a divulgação acadêmica pelas obras de Henry Corbin, a partir de 1958, e Toshihiko Izutsu. Sua obra praticamente permanece em grande parte sem tradução nas línguas ocidentais - só a sua obra Futûhât contém 37 volumes em manuscritos, imprimidos em 4 tomos, num total de 15000 páginas, e os acadêmicos estão comparando a originalidade de seus pensamentos, com paralelos aos de Eckhart, Cusa, Shankara, Zhuangzi e Dôgen, e descobrindo antecipações da física e filosofia moderna. De menor divulgação, um dos primeiros trabalhos acadêmicos que citam Ibne Arabi foi publicado pelo arabista Miguel Asín Palacios em 1899, que ficou conhecido por propôr em suas obras uma possível influência de Arabi no pensamento de Ramon Llull e na Divina Comédia de Dante, mas seus estudos não foram naquela época tão extensivos do conjunto de pensamento do filósofo árabe e não há ainda evidências suficientes para comprovar alguma influência, apesar da convergência de conceitos devido ao ambiente da filosofia árabe e do neoclassicismo.

O sufi Rumi foi um filósofo e poeta contemporâneo mais jovem e mais conhecido do que Ibne Arabi, apesar de ter escrito uma quantidade menor de obras, com pensamentos e uma poética de exaltação da unicidade de Deus similares, mas não há evidências de que houve influenciação entre os dois pensadores. Ibne Arabi se encontrou uma vez com o pai de Rumi, Baaadim Ualade, em 1216 ou 1217, Rumi estava junto mas era criança, e o que se sabe é que o discípulo e guardador das obras de Arabi, Sadradim Cunaui, tinha suas palestras frequentadas por Rumi mais tarde e foi-lhe um inspirador.

Uma pesquisa mostrou que o desenho do Taj Mahal foi baseado no Futûhât.

Ibne Arabi era de parentesco misto. Seu pai era um árabe que pertencia à proeminente tribo árabe de Tai, enquanto sua mãe vinha de uma família berbere com laços com o norte da África. Em seus escritos, menciona um falecido tio materno, Iáia ibne Iugane Sanhaji, que fora um rico príncipe da cidade de Tremecém, mas havia deixado essa posição para levar uma vida de espiritualidade depois de encontrar um místico sufi. Seu pai, Ali ibne Maomé, serviu no exército de Abu Abedalá Maomé ibne Sade ibne Mardanis (r. 1147–1172), o governante de Múrcia. Quando Ibne Mardanis morreu em 1172, seu pai transferiu sua lealdade ao califa almóada, Abu Iacube Iúçufe I (r. 1163–1184), e novamente foi ao serviço público. Sua família então se mudou de Múrcia para Sevilha. Ibne Arabi cresceu entre a corte reinante e recebeu treinamento militar. Quando jovem, foi secretário do governador de Sevilha.

Ibne Arabi afirma em seus escritos que não recebeu nenhuma educação religiosa incomum quando criança, mas que passou muito tempo com os amigos curtindo a infância. Foi na adolescência quando teve uma visão de Deus, escrevendo mais tarde sobre essa experiência inicial como "a diferenciação da realidade universal compreendida por aquele olhar". Afirma ter tido várias visões de Jesus, chamando-o de seu primeiro guia para o caminho de Deus. Seu pai notou essa mudança nele e mencionou-o ao filósofo e juiz Ibne Ruxide (Averróis). Averróis pediu para se encontrar com Ibne Arabi, e foi esse encontro inicial em que Ibne Arabi percebeu uma grande diferença entre o conhecimento formal dos pensadores racionais e o desvelamento das verdadeiras intuições sobre a natureza das coisas. Ele adotou o Sufismo e dedicou sua vida ao caminho espiritual.

Peregrinação a Meca e Jornadas

Ibne Arabi deixou a Espanha pela primeira vez aos 36 anos e chegou a Túnis em 1193. Enquanto esteve lá, recebeu uma visão no ano 1200 instruindo-o a viajar para o leste. Depois de um ano na Tunísia, Ibne Arabi voltou para a Andaluzia em 1194. Seu pai morreu logo depois de chegar a Sevilha, seguido da morte de sua mãe alguns meses depois. Ele então deixou a Espanha pela segunda vez com suas duas irmãs e chegou a Fez, Marrocos, em 1195. Depois de retornar a Córdoba, Espanha, em 1198, Ibne Arabi cruzou o caminho de Gibraltar pela terceira vez em 1200 e deixou a Espanha para sempre. Depois de visitar alguns lugares no Magrebe, ele deixou a Tunísia em 1201 e chegou para o Haje em 1202. Ele viveu em Meca por três anos. Foi em Meca que ele começou a escrever o seu trabalho Al-Futūḥat al-Makkiyya (الفتوحات المكية, "As Revelações de Meca").

Depois de passar um tempo em Meca, ele viajou pela Síria, Palestina, Iraque e Anatólia.

O ano de 1204 testemunhou uma reunião entre Ibne Arabi e Xeique Majedadim Isaque Ibne Iúçufe (شيخ مجد الدين إسحاق بن يوسف), um nativo de Malátia e um homem de grande reputação na corte seljúcida. Desta vez estava viajando para o norte; primeiro visitaram Medina e em 1205 entraram em Bagdá. Esta visita, além de outros benefícios, ofereceu-lhe a oportunidade de conhecer os discípulos diretos do Xeique Abdalcáder Jilani. Ibne Arabi ficou lá por apenas 12 dias, porque queria visitar Moçul para ver seu amigo Al ibne Abedalá ibne Jami, um discípulo de Cadibe Albane (قضيب البان). Lá ele passou o mês de Ramaḍã e compôs Tanazzulāt al-Mawṣiliyya (تنزلات الموصلية), Kitāb al-Jalāl wa'l-Jamāl (كتاب الجلال والجمال, "O Livro de Majestade e Beleza") e Kunh mālā Budda lil-MurīdMinhu.

No ano de 1206 ele visitou Jerusalém, Meca e o Egito. Foi a primeira vez que ele passou pela Síria, visitando Alepo e Damasco.[carece de fontes?] Mais tarde, em 1207, retornou a Meca, onde continuou a estudar e escrever, tornando-se conhecido das famílias mais influentes e letradas de Meca e passando seu tempo com seu amigo Abu Xuja ibne Rustem e família. Rustem tinha uma filha chamada “Harmonia” (Niẓām), cuja beleza, virtude e conhecimento inspiraram Ibn 'Arabi a escrever seu conjunto mais refinado de poemas, o Tarjumān al-Ashwāq, a partir de se conhecerem em 1202; Ibne Arabi a descreve em seu relato:

Seu nome era Nizām (Harmonia) e seu sobrenome 'Ain al-Shams (Olho do Sol). Ela era religiosa, instruída, asceta, sábia entre os sábios dos Lugares Santos.

Em suas poesias, Ibne Arabi se inspirou na importância do amor e da unidade das religiões nele, da contemplação elevada de todas as coisas e uma visão sagrada do feminino:

A contemplação da Realidade sem apoio formal não é possível, pois Deus, em Sua Essência, está muito além de toda necessidade do Cosmos. Já que, portanto, alguma forma de apoio é necessária, o melhor e mais perfeito tipo é a contemplação de Deus nas mulheres.

Nessa época, ele compôs o seu mais conhecido poema, "Um Jardim entre as Chamas":

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