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Imigração japonesa no Brasil

Movimento demográfico

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Imigração japonesa no Brasil teve como ápice o período entre 1908 e 1960, com a maior concentração entre 1926 e 1935. Em 2022, o Ministério das Relações Exteriores do Japão afirmou haver dois milhões de descendentes de japoneses no país, fazendo com que o Brasil tenha a maior população de origem japonesa fora do Japão. Porém, em número de cidadãos japoneses, o Brasil ocupava o sétimo lugar em 2023, com 46,9 mil cidadãos japoneses. A maior parte da população de origem japonesa do país é nascida no Brasil há pelo menos três gerações e tem apenas a nacionalidade brasileira. Nikkei (日系) é o termo usado para denominar os japoneses e seus descendentes.

A imigração japonesa no Brasil teve início oficialmente em 18 de junho de 1908, quando o navio Kasato Maru aportou no porto de Santos, trazendo 781 japoneses para trabalharem nas fazendas de café do interior paulista. Por conta disso, o dia 18 de junho foi estabelecido como o dia nacional da imigração japonesa. O fluxo cessou quase que totalmente em 1973, com a vinda do último navio de imigração, o Nippon Maru. Entre 1908 e 1963, entraram no Brasil 242 171 imigrantes japoneses, fazendo deles a quinta nacionalidade que mais imigrou para o país, após os portugueses, italianos, espanhóis e alemães. Atualmente, a maioria dos seus descendentes reside nos estados de São Paulo e do Paraná. Segundo pesquisa de 2016 publicada pelo IPEA, em um universo de 46 801 772 nomes de brasileiros analisados, 315 925 ou 0,7% deles tinham o único ou o último sobrenome de origem japonesa.

No início do século XX, o Japão estava superpovoado e a população predominantemente rural sofria de grande pobreza. Na mesma época, o governo brasileiro estava incentivando a imigração, sobretudo para fornecer mão de obra para as fazendas de café do interior do estado de São Paulo. O café era o principal produto de exportação brasileiro e a saúde financeira do país dependia desse produto. Grande parte da mão de obra nos cafezais brasileiros era composta por imigrantes italianos, cuja passagem de navio era subsidiada pelo governo brasileiro; contudo, em 1902, o governo italiano lançou o decreto Prinetti, que proibiu a imigração subsidiada para o Brasil. Isso ocorreu em decorrência de denúncias de que imigrantes italianos estavam sendo explorados como mão de obra nas fazendas brasileiras. Em decorrência, o governo de São Paulo passou a procurar por novas fontes de trabalhadores em outros países, incluindo o Japão, e foi nesse contexto que se desenvolveu a imigração japonesa no Brasil.

O contrato de trabalho nas fazendas de café previa que os imigrantes deveriam trabalhar por cinco anos, porém as condições de trabalho eram tão ruins que boa parte saía no mesmo ano. Com muito esforço, alguns japoneses conseguiram acumular poupança trabalhando nos cafezais e passaram a comprar seus próprios lotes de terra. A primeira compra de terra por japoneses no interior de São Paulo ocorreu em 1911. Com o passar das décadas, os japoneses e seus descendentes foram deixando a zona rural e se mudando para os centros urbanos brasileiros. No início da década de 1960, a população nipo-brasileira das cidades já superava a do campo. Boa parte dos japoneses passou a se dedicar ao pequeno comércio ou à prestação de serviços básicos. Na tradição japonesa, cabia ao filho mais velho a continuação da atividade familiar, de modo a ajudar a custear os estudos dos irmãos mais novos. Em 1958, os japoneses e seus descendentes, que não eram nem 2% da população brasileira, já representavam 21% dos brasileiros com formação acima da secundária. Segundo estudo de 2016 do IPEA, descendentes de japoneses eram o grupo com maior média de escolaridade e com maior média salarial no Brasil. Com a deterioração econômica do Brasil, a partir do fim da década de 1980 muitos descendentes de japoneses passaram a imigrar para o Japão, em busca de melhores condições econômicas. Eles são denominados dekasseguis.

História dos imigrantes japoneses

Necessidade de emigração no Japão

O Japão estava superpovoado no início século XX.

O fim do Xogunato Tokugawa deu espaço para um intenso projeto de modernização e abertura para o exterior durante a era Meiji. Apesar da reforma agrária, a mecanização da agricultura desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses ficaram endividados ou perderam suas terras por não poderem pagar os altos impostos, que, na era Meiji, passaram a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (parte da produção agrícola).

No campo, os lavradores que não tinham tido suas terras confiscadas por falta de pagamento de impostos mal conseguiam sustentar a família. Os camponeses sem terra foram para as principais cidades, que ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.

A política emigratória colocada em prática pelo governo japonês tinha como principal objetivo aliviar as tensões sociais devido à escassez de terras cultiváveis e endividamento dos trabalhadores rurais, permitindo assim a implementação de projetos de modernização.

A partir da década de 1880, o Japão incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia emigração de japoneses para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve grandes fluxos de emigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coreia e Taiwan. Somente no Brasil, Estados Unidos e Peru se formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Praticamente todos os imigrantes que formaram grandes colônias na Coreia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Em abril de 1905, chegou ao Brasil o Ministro Fukashi Sugimura, que visitou diversas localidades no Brasil, sendo bem recebido tanto pelas autoridades locais como pelo povo, parte desse tratamento se deve a vitória japonesa na Guerra Russo-Japonesa, frente ao grande Império Russo. O relatório produzido por Sugimura, onde foi descrito a receptividade dos brasileiros, aumentou o interesse do Japão pelo Brasil. Influenciados por este relatório e também pelas palestras proferidas pelo secretário Kumaichi Horiguchi, começaram a surgir japoneses decididos a viajar individualmente para o Brasil.

Necessidade de imigração no Brasil

Com a expansão das plantações de café, havia demanda por mão de obra barata na zona rural paulista no final do século XIX e no início do século XX. A economia cafeeira foi o grande motor da economia brasileira desde a segunda metade do século XIX até a década de 1920.

A primeira visita oficial para se tentar buscar um acordo diplomático e comercial, com o Japão, ocorreu em 1880. No dia 16 de novembro daquele ano, o vice-almirante Artur Silveira de Mota iniciou, em Tóquio, as conversações para o estabelecimento de um Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países. Mota foi recebido pelo vice-ministro de Negócios Estrangeiros, Kagenori Ueno. O esforço nesse sentido prosseguiu em 1882, com o ministro plenipotenciário Eduardo Calado, que acompanhou Mota, em 1880. Mas o tratado só seria assinado três anos mais tarde, pelo ministro plenipotenciário brasileiro Gabriel de Toledo Piza e Almeida e o ministro plenipotenciário japonês Sone Arasuke. O tratado daria a possibilidade de introduzir imigrantes japoneses no Brasil.

O Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846, até então era considerado muito distante física e politicamente do Brasil. O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895. A assinatura desse tratado marcou o início das relações que persistem até os dias de hoje, com exceção dos anos da Segunda Guerra Mundial.

Além disto, a política de imigração brasileira era executada não só como um meio de colonizar e desenvolver o Brasil, mas também de "civilizar" e "branquear" o país com população europeia. A imigração de asiáticos foi praticamente proibida em 1890. Neste ano, o decreto nº 528 assinado pelo presidente Deodoro da Fonseca e pelo ministro da Agricultura Francisco Glicério determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia seria permitida apenas com autorização do Congresso Nacional. O mesmo decreto não restringia, até incentivava, a imigração de europeus. Somente em 1892, foi aprovada a lei nº 97 que permitia a entrada de imigrantes chineses e japoneses no Brasil e, assim, o decreto nº 528 de 1890 perdeu seu efeito.

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