Os Institutos Nacionais da Saúde (em inglês, National Institutes of Health, sigla NIH) são a principal agência do governo federal dos Estados Unidos responsável pela pesquisa em biomedicina e saúde pública. A instituição foi fundada em 1887 e integra o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS). Muitas de suas instalações ficam em Bethesda e em outros subúrbios próximos da região metropolitana de Washington. Outros centros ficam no Research Triangle Park, na Carolina do Norte, e há unidades menores espalhadas pelos Estados Unidos.
A pesquisa científica própria é realizada pelo Programa de Pesquisa Intramural (IRP), enquanto o Programa de Pesquisa Extramural financia trabalhos biomédicos em instituições de fora do NIH. Em 2013, o IRP tinha 1.200 pesquisadores principais e mais de 4.000 bolsistas de pós-doutorado em pesquisa básica, translacional e clínica. Era a maior instituição de pesquisa biomédica do mundo. Em 2003, a área extramural fornecia 28% do valor gasto anualmente em pesquisa biomédica nos Estados Unidos, cerca de US$ 26,4 bilhões. A pesquisa básica financiada pelo NIH esteve presente no desenvolvimento de todos os medicamentos aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos entre 2010 e 2016. No início de 2025, a administração Trump paralisou atividades do NIH. Em janeiro de 2026, cerca de 2.600 bolsas, no total de US$ 1,4 bilhão, permaneciam suspensas, embora parte delas tivesse sido restabelecida por decisões judiciais.
Entre os resultados científicos obtidos pelo NIH estão a descoberta do uso de fluoreto para prevenir a cárie, o emprego de lítio no controle do transtorno bipolar e a criação de vacinas contra hepatite, Haemophilus influenzae tipo b e vírus do papiloma humano. Em 2012, a instituição reunia 27 institutos e centros dedicados a campos biomédicos distintos.
Em 2019, o NIH ocupou o segundo lugar mundial em ciências biomédicas no Nature Index, atrás da Universidade Harvard. A classificação mediu os maiores responsáveis por artigos publicados entre 2015 e 2018 em um grupo selecionado de periódicos científicos.
Em 1887, o Marine Hospital Service criou o Laboratório de Higiene para estudar bactérias. O serviço ampliava suas atividades, antes concentradas no sistema de hospitais marítimos, para abranger quarentena e pesquisa. O laboratório funcionou primeiro no Hospital Marítimo de Nova Iorque, depois chamado Bayley Seton Hospital, em Staten Island. Em 1891, mudou-se para o último andar do Butler Building, em Washington, D.C. Em 1904, foi transferido para um novo campus no Antigo Observatório Naval, que chegou a ter cinco edifícios de grande porte.
Em 1901, o serviço criou a Divisão de Pesquisa Científica, que incorporou o Laboratório de Higiene e outros escritórios de pesquisa. Em 1912, o Marine Hospital Service passou a se chamar Serviço de Saúde Pública (PHS). Dez anos depois, o PHS abriu na Escola de Medicina Harvard um laboratório de Investigações Especiais do Câncer. A partir daí, começou a trabalhar em parceria com universidades.
Em 1930, a Lei Ransdell transformou o Laboratório de Higiene no Instituto Nacional da Saúde e destinou US$ 750 mil à construção de dois edifícios no campus do Antigo Observatório Naval. Em 1937, o instituto absorveu o restante da Divisão de Pesquisa Científica, da qual antes fazia parte.
O NIH mudou-se em 1938 para o campus que ocupa em Bethesda. Nas décadas seguintes, o Congresso ampliou seu financiamento e criou institutos e centros voltados a programas de pesquisa específicos. A Lei do Serviço de Saúde Pública, aprovada em 1944, incorporou o Instituto Nacional do Câncer ao NIH. Em 1948, o nome em inglês passou do singular National Institute of Health para o plural National Institutes of Health.
Na década de 1960, o virologista e pesquisador do câncer Chester M. Southam injetou células cancerosas HeLa em pacientes do Hospital Judaico de Doenças Crônicas, que depois recebeu o nome de Kingsbrook Jewish Medical Center. Três médicos se demitiram depois de se recusarem a aplicar as células sem o consentimento dos pacientes, e o experimento recebeu ampla atenção da imprensa. O NIH era uma das principais fontes de recursos para a pesquisa de Southam e passou a exigir o consentimento dos participantes antes de qualquer experimento com seres humanos. Ao examinar as instituições que recebiam suas bolsas, o NIH constatou que a maioria não protegia os direitos dos participantes. Desde então, todas as instituições beneficiárias precisam submeter propostas de experimentação humana a comitês de revisão institucional.
Em 1967, foi criada a Divisão de Programas Médicos Regionais, encarregada de bolsas para estudos de doenças cardíacas, câncer e acidente vascular cerebral. No mesmo ano, o diretor do NIH pediu ao Gabinete Executivo do presidente que aumentasse os recursos federais para acelerar as pesquisas e levar seus benefícios à população. Um comitê consultivo passou a acompanhar a expansão da agência e de seus programas. Em 1971, Richard Nixon sancionou a Lei Nacional do Câncer, que criou um programa nacional, um painel presidencial, um conselho consultivo e quinze centros de pesquisa, treinamento e demonstração.
O financiamento do NIH foi muitas vezes disputado no Congresso dos Estados Unidos, acompanhando as correntes políticas de cada época. Em 1992, a instituição respondia por quase 1% do orçamento operacional federal. Administrava mais de 50% dos recursos destinados à pesquisa em saúde e 85% do financiamento de estudos de saúde nas universidades. Desde a década de 1970, os recursos públicos para outras áreas de pesquisa cresceram em ritmo próximo ao da inflação. O financiamento do NIH quase triplicou na década de 1990 e no início dos anos 2000, mas depois permaneceu relativamente estável.
Na década de 1990, os comitês do NIH voltaram sua atenção para o estudo do DNA e deram início ao Projeto Genoma Humano.
Em 22 de janeiro de 2025, a administração Trump suspendeu imediatamente reuniões, entre elas os painéis de avaliação de bolsas, além de viagens, comunicações e contratações no NIH. As medidas atingiram atividades no valor de US$ 47,4 bilhões. Ao fim do primeiro ano do segundo mandato de Trump, mais de 5.800 bolsas haviam sido canceladas ou suspensas em algum momento. Algumas voltaram a vigorar por ordem judicial, mas cerca de 2.600, no valor de US$ 1,4 bilhão, ainda estavam suspensas em janeiro de 2026.
O Gabinete do Diretor define as políticas do NIH e planeja, administra e coordena os programas de todos os seus componentes. O diretor orienta as atividades da agência e identifica necessidades e oportunidades que envolvam mais de um instituto ou centro. O gabinete abriga a Divisão de Coordenação, Planejamento e Iniciativas Estratégicas de Programas, formada por doze divisões, entre elas:
Escritório de Pesquisa sobre Aids
Escritório de Pesquisa sobre a Saúde da Mulher
Escritório de Prevenção de Doenças
Escritório de Pesquisa sobre Minorias Sexuais e de Gênero