Isidoro Ngei Ko Lat (Taw Pon Athet, c. 1918 – Shadaw, 25 de maio de 1950) foi um leigo católico birmanês, que serviu como catequista junto ao missionário Mario Vergara. Reconhecido como mártir pela Igreja Católica, foi beatificado pelo Papa Francisco em 24 de maio de 2014.
As poucas informações que se têm sobre a vida de Isidoro vêm das cartas do padre Mario Vergara. Os pais de Isidoro, agricultores, se converteram ao catolicismo por meio do padre Paolo Manna, do PIME. Ele foi batizado em 7 de setembro de 1918, em Taw Pon Athet, sua cidade natal. Após perder os pais ainda adolescente, foi morar com o irmão mais novo e uma tia. Ele era próximo dos missionários e muitas vezes os acompanhava. Isidoro ingressou no seminário menor em Toungoo, onde se dedicou aos estudos para o sacerdócio.
Contudo, Isidoro tinha uma saúde frágil, sofrendo de asma brônquica, e por isso foi obrigado a deixar o seminário e voltar para sua família. Mesmo assim, decide não se casar. Auxiliava o catequista da aldeia e abriu uma escola gratuita na aldeia de Dorokhò, onde ensina birmanês e inglês às crianças, além de aulas de catecismo, música e cânticos sacros.
Em 1948, Mario Vergara conhece Isidoro, o qual imediatamente aceitou o convite para servir como catequista em Shadaw. Ele também serviu de intérprete para o padre Galastri. Após a independência da Birmânia em 1948, a região em que o padre Vergara trabalhava recebeu vários confrontos de grupos locais. Aconteceram vários episódios de intimidação por parte de uma facção de rebeldes fanáticos batistas. As perseguições contra os católicos intensificaram-se em abril de 1950, quando um catequista foi preso e outro foi morto. Para evitar novas capturas ou mortes, o padre Mario solicitou um encontro com o grupo rebelde em Shadaw, em 24 de maio de 1950.
No dia marcado, em que Vergara foi acompanhado de Isidoro, o plano de negociar a libertação do catequista preso deu errado; em vez disso, o missionário foi submetido a interrogatório e tortura. Ao mesmo tempo, a casa da missão foi atacada e outro missionário foi arrastado para a floresta e morto. Após o interrogatório, Vergara e Isidoro foram algemados e levados pelos rebeldes ao rio Saluém. Após uma caminhada de algumas horas, por volta do amanhecer do dia seguinte, quinta-feira, 25 de maio de 1950, foram mortos a tiros. Seus corpos foram jogados em sacos no rio e nunca foram encontrados.
A causa de Vergara e Isidoro recebeu o nihil obstat em 23 de outubro de 2001. O inquérito diocesano na Diocese de Loikaw aconteceu entre novembro de 2003 e fevereiro de 2004, sendo validado no mesmo ano por decreto da Congregação para a Causa dos Santos em 12 de novembro de 2004.
O dossiê Positio foi publicado em 2006. Os consultores teológicos discutiram a causa duas vezes: em 4 de dezembro de 2008 e em 11 de julho de 2013. Após o parecer positivo dos cardeais e bispos membros da Congregação, em 3 de dezembro de 2013, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto sobre o martírio dos dois em 9 de dezembro de 2013.
A celebração de beatificação do Padre Mario Vergara e seu catequista Isidoro Ngei Ko Lat aconteceu em 24 de maio de 2014, na Catedral de Aversa, pelo Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. Isidoro se tornou o primeiro birmanês elevado aos altares da Igreja.
No dia seguinte, 25 de maio, foi celebrada uma Missa de Ação de Graças na Basílica de San Sossio, em Frattamaggiore, presidida pelo bispo de Aversa, Monsenhor Angelo Spinillo.
«Beato Isidoro Ngei Ko Lat» (em italiano). Santi e Beati
«Blessed Isidore Ngei Ko Lat» (em inglês). CatholicSaints.Info