D. Jaime I de Bragança (cerca de 22 de julho de 1478 — 20 de setembro de 1532) foi o 4.º Duque de Bragança, etc.
Secundogénito de D. Fernando II de Bragança, assistiu à decapitação do pai em Évora, ordenada pelo rei D. João II de Portugal, arqui-rival da casa ducal e do contra-poder que ela representava à centralização do Estado. Depois da execução de D. Fernando II, D. Jaime I fugiu para Castela com o resto da família, e aí permaneceu toda a adolescência até 1498. Nesse ano, o novo rei D. Manuel I de Portugal, seu tio materno, perdoou a família e concedeu-lhe de novo os títulos, terras e bens confiscados a seu pai.
No entanto, D. Jaime I decidiu partir acompanhado por um criado para Roma com o fim de anular o seu casamento e de se tornar monge capucho. D. Manuel I enviou mensageiros que o interceptaram em Calatayud e obrigaram a voltar para Portugal.
Devido à importância da Casa Ducal de Bragança, em 1498, para não existir o risco da coroa de Portugal cair em rei estrangeiro, a pedido das cortes, D. Jaime I foi jurado príncipe herdeiro de Portugal durante a viagem do rei D. Manuel I a Castela, em virtude deste não ter então ainda filhos.
Foi ainda o responsável pela construção do Paço Ducal de Vila Viçosa, em 1501.
Casamentos e assassinato de Leonor de Gusmão
Em 1502, D. Jaime I, 4.º Duque de Bragança, desposou em primeiras núpcias D. Leonor de Gusmão, filha de D. Juan Alfonso Pérez de Guzmán, 3.º Duque de Medina Sidônia, união da qual nasceram dois filhos, incluindo o herdeiro do título ducal, D. Teodósio I. Uma década mais tarde, na madrugada trágica de 2 de novembro de 1512, o Paço Ducal de Vila Viçosa tornou-se o cenário de um dos crimes mais impactantes da nobreza portuguesa: num violento ataque de ciúmes, D. Jaime assassinou a golpes de espada a duquesa D. Leonor e ordenou a execução sumária de António Alcoforado, moço-fidalgo da sua própria criagem. O crime foi justificado perante os autos jurídicos e perpetuado na tradição historiográfica sob a alegação de um suposto adultério entre a duquesa e o jovem pajem. O episódio inspirou o poeta brasileiro Antônio Gonçalves Dias a escrever a peça "Leonor de Mendonça" em 1846.
A genealogia do trágico pajem revela a sua proximidade com as esferas mais elevadas do poder. António Alcoforado é identificado em registos de linhagem como filho legítimo de Afonso Pires Alcoforado e de sua esposa, D. Genebra Isabel Alcoforado. O prestígio do núcleo familiar está fixado na própria Chancelaria do rei D. Manuel I; num alvará régio datado de 13 de março de 1502 (PT/TT/CHR/K/7/5-89V), o nobre fidalgo Afonso Pires Alcoforado surge formalmente documentado como fidalgo da casa do duque e sobrinho do rei D. Manuel I, também ostentando o cargo de Vedor da Fazenda (gestor financeiro do ducado) e gozando do estatuto de "privilegiado e escusado", o que o isentava de encargos públicos segundo o restrito estilo e foro jurídico dos fidalgos de linhagem.
O matrimónio entre Afonso Pires Alcoforado e D. Genebra Isabel Alcoforado, por ordem do rei D. Manuel I, veio a unir um nobre fidalgo de sua corte à linhagem e descendência natural da Casa de Bragança. Fontes de linhagem identificam D. Genebra Isabel Alcoforado como filha natural de D. Fernando II, o 3.º Duque de Bragança — executado por decapitação em 1483 —, com Maria Alcoforado. Em 13 de março de 1502, no contexto da restituição dos bens e títulos do ducado por D. Manuel I, o monarca emitiu um alvará régio declarando ao nobre e riquíssimo Fidalgo Afonso Pires Alcoforado o estatuto de "privilegiado e escusado" por ser sobrinho do rei D. Manuel I. O documento (PT/TT/CHR/K/7/5-89V) vinculava este privilégio ao seu cargo de Vedor da Fazenda da casa senhorial. Sob o ordenamento jurídico das Ordenações Afonsinas, esta carta de privilégio retirava o fidalgo e a sua família da jurisdição senhorial do ducado, transferindo-os para o foro exclusivo da justiça da Coroa portuguesa.
No rescaldo do crime, a prerrogativa de fidalgo escusado outorgada em 1502 impediu que a justiça senhorial de Bragança confiscasse os bens ou processasse os restantes membros da família Alcoforado. O caso foi avocado pela Coroa com base no crime de Lesa-Majestade — aplicado à execução ilegal de nobres sem autorização real —, o que garantiu a integridade física e patrimonial da linhagem sobrevivente.
Os descendentes de Afonso Pires Alcoforado e Genebra Isabel Alcoforado, seus dois filhos Antonio Alcoforado e Pedro Martins Afonso Alcoforado, fixaram-se na região de Besteiros e Tonda. O filho do pajem executado, Frei Amador Alcoforado, matriculou-se no Colégio de Santa Cruz de Coimbra em 13 de outubro de 1535. Ingressou na ordem religiosa dos Gracianos (Eremitas de Santo Agostinho) e ascendeu a confessor e conselheiro da duquesa D. Catarina de Bragança (neta de D. Manuel I), restabelecendo os laços institucionais da linhagem com a casa ducal.
D. Jaime I casou-se em segundas núpcias com Joana de Mendonça, filha de Diogo de Mendonça, alcaide-mor do castelo de Mourão, e de sua mulher Brites Soares de Albergaria.
Embora fosse dos mais altos nobres da corte portuguesa, sobre ele recaíram as suspeitas do assassinato. Para escapar aos foros da nobreza, o rei D. Manuel I ordenou-lhe que se redimisse entregando-se à guerra. Dessa forma, D. Jaime I foi obrigado a custear pessoalmente uma expedição de 25 mil cavaleiros e 19 mil infantes transportados em 400 embarcações, destinada a tomar Azamor, em Marrocos, em 28-29 de agosto de 1513, que foi facilmente conquistada pelos Portugueses a 1 de setembro, e da qual desde esse dia foi o primeiro capitão até algures nesse ano.
Mandou pintar o seu feito da tomada de Azamor no Paço Ducal de Vila Viçosa por si mandado construir.
Descendência do primeiro matrimónio
D. Teodósio I de Bragança (1505-1563), sucedeu-lhe no título;
D. Isabel de Bragança (1511-1576), casou em 1537 com D. Duarte, Duque de Guimarães (1515-1540), sendo mãe de D. Catarina de Portugal, Duquesa de Bragança (1540-1614), que casou com o seu primo direito D. João I, Duque de Bragança (1543-1583), ambos netos de D. Jaime I.
Descendência do segundo matrimónio