Jean-Claude Georges René Bernardet ou Jean-Claude Bernardet OMC (Charleroi, 2 de agosto de 1936 – São Paulo, 12 de julho de 2025) foi um teórico de cinema, crítico cinematográfico, cineasta, ator, roteirista e escritor belga, naturalizado brasileiro.
Interessou-se por cinema a partir do cineclubismo, e começou a escrever críticas no jornal O Estado de S. Paulo a convite de Paulo Emílio Salles Gomes. Tornou-se grande interlocutor do grupo de cineastas do cinema novo, e especialmente de Glauber Rocha, que rompeu com ele a partir da publicação de Brasil em Tempo de Cinema (1967). Foi um dos criadores do curso de cinema da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, e deu aulas de História do Cinema Brasileiro na ECA, até se aposentar em 2004.
Além de sua importância como teórico, é também ficcionista, com quatro volumes publicados. Participou de vários filmes, como roteirista e assistente de direção, eventualmente como ator em pequenos papéis. Nos anos 1990 dirigiu dois ensaios poéticos de média-metragem: São Paulo, Sinfonia e Cacofonia (1994) e Sobre Anos 60 (1999).
Foi também inventor do brinquedo infantil Combina-cor, lançado pela Grow.
Jean-Claude Bernardet faleceu no Hospital Samaritano, em São Paulo, onde estava internado. Segundo informações preliminares, o cineasta teria sofrido um AVC.
Nascido na Bélgica, de família francesa, Jean-Claude passou a infância em Paris, e veio para o Brasil com sua família aos 13 anos, quando seu pai, pertencente à Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial, decepcionado com o resultado das eleições de 1948, muda-se junto com a família para o Brasil e passa a morar, em 1949, na cidade de São Paulo.
Bernardet formou-se em artes gráficas no pelo Senac. Ainda jovem, se interessava por cinema e frequentava cineclubes. Diplomou-se pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) e obteve doutorado em Artes pela ECA USP.
Na década de 1950, conheceu Paulo Emílio Salles, figura importante na sua formação. Bernardet é então convidado pelo crítico para escrever resenhas de filmes para o Suplemente Literário do Jornal O Estado de S.Paulo.
Em 1964 se naturalizou brasileiro. No ano seguinte, junto com Paulo Emílio, Pompeu de Souza e Nelson Pereira dos Santos, fundou o primeiro curso universitário de cinema no Brasil, na Universidade de Brasília (UnB), que foi fechado no final de 1965 pelo governo militar.
Interlocutor dos cineastas da geração do Cinema Novo, especialmente de Glauber Rocha (1938-1981), Jean-Claude publicou, em 1967, seu primeiro livro de crítica cinematográfica, Brasil em Tempo de Cinema. No mesmo ano, colaborou com o cineasta Luís Sérgio Person na elaboração do roteiro do filme O Caso dos Irmãos Naves. Em 1968, ingressou como docente na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA USP), instituição onde atuou até sua aposentadoria, em 2004. Durante a década de 1970, viveu um período de exílio em Paris, onde estudou na École des Hautes Études en Sciences Sociales. Reconhecido como um dos mais importantes críticos de cinema do Brasil, publicou obras de referência, entre as quais Cineastas e Imagens do Povo (1985) e Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro (1995).
Após publicar, em parceria com o crítico e professor Teixeira Coelho, os livros Os Histéricos e Céus Derretidos, Bernardet lançou, em 1996, A Doença, uma Experiência, obra parcialmente ficcional na qual relata sua vivência com o vírus HIV. No mesmo ano, dirigiu o filme São Paulo-Sinfonia & Cacofonia, que lhe rendeu o prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Montevidéu.
Participou da chamada "retomada" do cinema brasileiro, especialmente como corroteirista de Um Céu de Estrelas (1995), e Através da Janela (1999), filmes da diretora Tata Amaral.