Jerónimo Emiliano (em latim: Gerolamo Emiliani; Veneza, 1481 – Somasca, 8 de fevereiro de 1537) é um santo da Igreja Católica.
Inicialmente seguiu carreira militar, que abandonou para se dedicar ao serviço dos pobres. Distribuiu por eles todos os seus bens. É o fundador da Ordem dos Clérigos Regulares de Somasca, destinada a socorrer as crianças órfãs e as pobres.
Canonizado em 1767, foi nomeado pelo Papa Pio XI padroeiro dos órfãos e dos jovens abandonados. Sua festa é comemorada no dia 8 de fevereiro e em 20 de julho no calendário romano tradicional.
Jerônimo Emiliani nasceu no seio de uma família nobre em Veneza na Itália em 1486 e faleceu em Somasca com 51 anos.
Jerônimo vinha de uma família com posses e bastante propriedades na Itália. Tinha também três irmãos. Em 1496, com 10 anos de idade, Jerônimo ficou órfão.
Aos 25 anos de idade, em 1511, foi envolvido na guerra contra a Liga de Cambrai e, em Castelnuovo, ficou preso no cativeiro durante um mês. Foi acorrentado nos pés e penduraram uma bola de pedra em seu pescoço. Enquanto estava preso e acorrentado fez uma promessa a Nossa Senhora de uma peregrinação penitencial, para o caso de ser libertado. Na manhã do dia 27 de setembro de 1511, apareceu-lhe uma mulher vestida de branco, que lhe entregou as chaves para abrir as algemas e a porta da torre. Conquistada a liberdade, ele se encontrou no meio do exército inimigo e, pior ainda, sem conhecer a estrada. Recorreu então novamente a Ela, que o guiou até a vista da muralha da cidade.
Jerônimo continuou servindo à República de Veneza até o final da guerra.
Em 1514 morreu sua mãe e em 1519 morreu seu irmão Lucas, deixando três filhos, o mais velho com quatro anos. Em 1526, faleceu seu outro irmão, Marcos, e Jerônimo ficou tomando conta de todos os seus sobrinhos. Ele já estava com 40 anos e não tinha constituído família.
Precisamente em 1531 deliberou abandonar tudo. Permanecendo leigo, consagrou-se a uma missão muito especial: compartilhar a vida com os pobres e viver em comunidade com os órfãos. Seu crescimento espiritual foi aprofundado através do contato com um movimento da Reforma Católica, o Oratório do Amor Divino. Outros envolvidos foram pessoas de crescente impacto, como os fundadores dos Teatinos, Caetano Thiene e João Pedro Carafa, futuro Papa Paulo IV.
Ia acontecendo com Jerônimo uma profunda transformação. A escuta da palavra de Deus foi o ponto de partida: "Ouvindo frequentemente a palavra de Deus, ele começou refletir sobre sua própria ingratidão, lembrando-se das ofensas contra o Senhor”. Por isso, muitas vezes ele chorava e se ajoelhava aos pés do crucifixo, rogando-lhe que não fosse seu juiz, mas seu Salvador". Foi aí então que Jerônimo começou suas atividades em favor dos pobres. Ele alimentava, vestia e hospedava, na própria casa, os pobres. Confortava os doentes, trabalhava em um hospital. À noite sepultava os cadáveres abandonados pela cidade, enquanto em sua casa se preparava o pão, que distribuiria de manhã. Em poucos dias, ele gastou nestas atividades todo o dinheiro que possuía, vendeu as roupas, os tapetes e outros objetos de casa, consumindo tudo nesta santa atividade. Ele doou todos os seus bens em favor dos pobres e necessitados. A atenção de Jerônimo voltou-se especialmente para os meninos e meninas órfãos e sem família.
Vitimado pela peste que ele contraiu servindo aos doentes durante uma terrível epidemia que se alastrou no vale de São Martinho, no dia 4 de fevereiro de 1537, foi recolhido em Somasca, sobre uma cama que não era sua, num pequeno quarto de amigos. Antes de se deitar, traçou uma cruz avermelhada sobre a parede da frente. Apenas quatro dias depois, na noite de 7 para 8 de fevereiro, Jerônimo morria.
S. Jerónimo Emiliano, presbítero, +1537, evangelhoquotidiano.org
Ordem dos Somascos – Site oficial