José Agripino Maia (Mossoró, 23 de maio de 1945) é um engenheiro civil, empresário e político brasileiro, filiado ao União Brasil. Foi prefeito de Natal, governador do Rio Grande do Norte por dois mandatos e senador da República pelo mesmo estado em quatro legislaturas, tendo exercido papel de destaque na política potiguar e na reorganização do campo liberal-conservador brasileiro após o fim do regime militar.
Filho do ex-governador Tarcísio Maia, Agripino pertence a uma família de longa presença na vida pública do Nordeste. Formou-se em engenharia civil pela antiga Universidade do Estado da Guanabara, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e iniciou sua trajetória profissional na iniciativa privada antes de ingressar na administração pública, primeiro como prefeito nomeado de Natal no fim da década de 1970.
A sua carreira nacional ganhou projeção com a eleição para o governo do Rio Grande do Norte em 1982, no primeiro pleito direto para governador após o ciclo de eleições indiretas estaduais do regime militar. Em 1985, esteve entre os governadores do então Partido Democrático Social que romperam com a candidatura presidencial de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral e aderiram à campanha de Tancredo Neves, movimento que contribuiu para a criação da Frente Liberal e, em seguida, do Partido da Frente Liberal.
No Senado, foi membro da Assembleia Nacional Constituinte, presidiu a comissão mista que elaborou o anteprojeto do Código de Defesa do Consumidor e ocupou funções de liderança partidária, incluindo a liderança do PFL/DEM no Senado e a presidência nacional do Democratas entre 2011 e 2018.
Família, formação e atividade privada
José Agripino Maia nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 23 de maio de 1945. É filho de Tarcísio de Vasconcelos Maia e de Joseresa Tavares Maia. Seu pai foi deputado federal e governador do Rio Grande do Norte; seu tio João Agripino Filho foi constituinte em 1946, deputado federal, ministro das Minas e Energia, senador, governador da Paraíba e ministro do Tribunal de Contas da União.
A família Maia possui presença relevante na política do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do Rio de Janeiro. Além de Tarcísio Maia e João Agripino Filho, o círculo familiar inclui políticos como Lavoisier Maia, ex-governador do Rio Grande do Norte; Cesar Maia, ex-prefeito do Rio de Janeiro; e Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil.
Por causa da atuação política do pai, Agripino viveu parte da juventude no Rio de Janeiro. Estudou no Colégio Andrews e graduou-se em engenharia civil em 1967 pela Universidade do Estado da Guanabara, instituição posteriormente incorporada à atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Segundo registros biográficos do Senado, também realizou especialização na área de estabilização de encostas, formação compatível com sua atuação profissional no setor de engenharia.
Antes da carreira política, atuou na iniciativa privada em empresas ligadas à construção civil e a atividades agroindustriais. O perfil parlamentar do Senado registra sua passagem pela Mossoró Agro-Industrial S.A. e por empresas de engenharia, entre elas a EIT e a CIT, antes de seu ingresso em cargos executivos no Rio Grande do Norte.
Agripino casou-se com Anita Louise Catalão Maia, com quem teve dois filhos. Um deles, Felipe Maia, seguiu carreira política e foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte por três legislaturas.
Início na vida pública e Prefeitura de Natal
Agripino entrou na vida pública durante o período final do regime militar. Em 1979, foi nomeado prefeito de Natal pelo então governador Lavoisier Maia, seu primo, quando ainda estava filiado à Aliança Renovadora Nacional, partido de sustentação do regime. Com a reorganização partidária de 1979, passou ao Partido Democrático Social, sucessor político da Arena.
A Prefeitura de Natal foi o primeiro cargo executivo de Agripino. O período coincidiu com a transição política nacional, marcada pela abertura gradual, pelo retorno do pluripartidarismo e pelo fortalecimento das disputas eleitorais estaduais e municipais. A biografia do Senado registra que sua passagem pela administração municipal antecedeu sua candidatura ao governo estadual em 1982.
Como prefeito, Agripino buscou consolidar uma imagem administrativa associada à gestão técnica e à execução de obras urbanas. O período, entretanto, ainda ocorreu em contexto de nomeações indiretas para capitais, pois as eleições diretas para prefeito de capitais brasileiras só seriam restabelecidas posteriormente no processo de redemocratização.
Primeiro governo do Rio Grande do Norte
Em 1982, Agripino foi eleito governador do Rio Grande do Norte pelo PDS, derrotando o ex-governador Aluízio Alves, então candidato do PMDB. A disputa ocorreu no primeiro pleito direto para governador após a longa interrupção das eleições estaduais diretas durante o regime militar, o que conferiu peso simbólico à vitória de candidatos ligados tanto ao antigo partido governista quanto à oposição emergente.
Agripino tomou posse em março de 1983. Durante o primeiro mandato, presidiu o Conselho de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte e governou em um cenário nacional de crise econômica, inflação elevada, transição institucional e crescente pressão popular por eleições diretas para presidente da República.
No plano político nacional, sua trajetória passou por inflexão em 1985. Embora eleito pelo PDS, Agripino aderiu à dissidência que se opôs à candidatura de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral e apoiou Tancredo Neves. Essa ala dissidente ajudou a formar a Frente Liberal, que posteriormente se estruturou como Partido da Frente Liberal, legenda que se tornaria uma das principais forças de centro-direita no período pós-redemocratização.