Juan Martín Díez, alcunhado El Empecinado (Castrillo de Duero, Valladolid, 2 de setembro de 1775 – Roa, Burgos, 19 de agosto de 1825), foi um militar espanhol, e líder de guerrilha destacado na Guerra Peninsular.
A 8 de outubro de 1808, o privilégio de usar o nome Empecinado foi dado a Juan Martín Díez, não só para si mas para todos os seus descendentes. A sua alcunha deu à língua espanhola o verbo empecinarse, significando persistir ou insistir em alcançar os seus objetivos.
Juan Martín Díez nasceu na localidade de Castrillo de Duero, na província de Valladolid, numa casa que ainda hoje existe, a 2 de setembro de 1775. Filho de um abastado agricultor local, Juan Martín e de sua esposa, Lucía Díez, foi baptizado na mesma localidade, aos 5 dias do mesmo mês. Na sua certidão de batismo, consta o seguinte: No quinto dia do mês de setembro de mil setecentos e setenta e cinco, na igreja paroquial desta cidade de Castrillo de Duero, eu, o pároco abaixo assinado, batizei solenemente Juan, filho legítimo de Juan Martín e Lucía Diez, residentes nesta cidade, casados aqui, ele natural de Castro de Fuentidueña e ela natural desta cidade; seus avós paternos, Juan Martín e Micaela Sancristóbal, naturais de Castro de Fuentidueña; seus avós maternos, Andrés Díez e Lucía González, residentes nesta cidade, ele natural de Olmos e ela desta cidade; seu padrinho foi Gregorio González, residente nesta cidade, a quem informei sobre o parentesco espiritual e demais obrigações: o dito menino nasceu no segundo dia do referido mês e ano, e para atestar isso, assino como acima. Dom José de Subirán.
Os habitantes da localidade, eram apelidados de "empecinados" (teimosos), devido a um riacho próximo, chamado Botijas, cheio de pecina (a lama verde das águas em decomposição) que atravessa a cidade; acredita-se que seja daí que vem o apelido desse personagem. Desde jovem, Juan Martín demonstrou uma aptidão e vocações militares. Aos 15 anos tentou juntar-se ao Regimento de Cavalaria Lanceiros de Farnese, sem sucesso.
Aos dezoito anos de idade, decidiu alistar-se na Campanha do Rossilhão (Guerra dos Pirinéus), contra a Primeira República Francesa. Esses dois anos de conflito foram o contacto inicial para o jovem Díez sobre a arte da guerra, além de marcarem o início da sua animosidade em relação aos franceses. Em 1796, casou-se com Catalina de la Fuente, natural de Fuentecén, e estabeleceu-se nessa aldeia como agricultor até à ocupação de Espanha pelo exército de Napoleão em 1808, altura em que decidiu lutar contra os invasores. Diz-se que tomou esta decisão na sequência de um incidente na sua aldeia, em que uma jovem foi violada por um soldado francês que Juan Martín matou mais tarde.
Atuação nas Guerras Peninsulares
Após este evento, Juan Martín Díez decide organizar um grupo paramilitar, composto por amigos e familiares, também descontentes com a ocupação francesa da região e da atuação dos militares franceses na região. A táctica utilizada pelo mesmo seria a da guerrilha, de forma a maximizar os embaraços ao inimigo, diminuindo as suas baixas ao mesmo tempo. Inicialmente, a sua área de atuação se estendia ao longo das estradas e caminhos entre Madrid e Burgos. Mais tarde, lutou ao lado do exército espanhol em algumas instâncias: na ponte de Cabezón de Pisuerga (Valladolid), em 12 de junho de 1808; e em Medina de Rioseco (Valladolid), onde se deu a Batalha do mesmo nome. Foram essas batalhas, perdidas em campo aberto que o levaram a acreditar que obteria melhores resultados concentrando-se em embates com táticas de guerrilha. Com isto, iniciou, com sucesso, as suas ações militares em Aranda do Douro, Sepúlveda, Pedraza e por toda a bacia do rio Douro.
Em 1809, foi nomeado capitão de cavalaria. Na primavera desse mesmo ano, o seu campo de atuação estendeu-se pelas cordilheiras de Gredos, Ávila e Salamanca, e posteriormente continuou pelas províncias de Cuenca e Guadalajara.
O principal objetivo dos guerrilheiros era interromper as linhas de comunicação e abastecimento do exército francês, interceptando correspondências e mensagens inimigas e apreendendo comboios de provisões, dinheiro, armas e outros mantimentos. Os danos infligidos ao exército de Napoleão foram consideráveis, a ponto de o General Joseph Léopold Sigisbert Hugo ser designado como perseguidor e interceptor de El Empecinado e seus homens. Após uma tentativa frustrada de capturá-lo, o general francês optou por prender a mãe do líder guerrilheiro e alguns outros parentes. A reação de Juan Martín foi intensificar as ações militares e ameaçar executar 100 soldados franceses capturados. Sua mãe e os demais foram posteriormente libertados.
Em 1810, teve que se refugiar no castelo da cidade de Cidade Rodrigo, em Salamanca, que estava sitiada por soldados franceses. No ano seguinte, El Empecinado comandava já o Regimento de Hussardos de Guadalajara, que na época tinha uma força de cerca de 6.000 homens.
Em 1812, após deixar Brihuega (Guadalajara), mudou-se para Torija (Guadalajara) e decidiu explodir o castelo da mesma localidade, para que as tropas francesas não pudessem fortificar o recinto.
Em 22 de maio de 1813, ele auxiliou na defesa da cidade de Alcalá de Henares e, na Ponte Zulema sobre o rio Henares, derrotou um grupo de soldados franceses que o superavam em número de dois para um. Mais tarde, Fernando VII concedeu permissão para que a cidade de Alcalá erguesse uma pirâmide em comemoração a essa vitória. Contudo, em 1823, o mesmo rei ordenou sua destruição por considerá-la um símbolo de "liberalismo". Em 1879, o povo de Alcalá ergueu outro monumento a El Empecinado, a quem consideravam seu libertador. Este monumento permanece de pé até hoje.
Em 1814, Juan Martín foi promovido a marechal de campo e ganhou o direito de assinar oficialmente como El Empecinado. Em 9 de outubro de 1814, por Ordem Real, Dom Juan Martín Díez, natural de Castrillo de Duero (Valladolid), recebeu o privilégio de usar o apelido "Empecinado" para si, seus filhos e herdeiros. O apelido dessa figura histórica enriqueceu a língua castelhana, e " empecinarse" significa ser obstinado ou determinado a alcançar um objetivo. A palavra "empecinado", quando se referia a uma pessoa, significava sujo e descuidado. Mas essa figura mudou definitivamente o significado da palavra, conferindo-lhe um sentido maior de nobreza.
Atuação durante o Governo dos Cem Dias
Durante o chamado período dos Cem Dias (entre o retorno de Napoleão do exílio em Elba e sua derrota em Waterloo e segunda abdicação), El Empecinado permaneceu no comando de diferentes forças localizadas nos Pirenéus, entre elas as companhias do Regimento de Infantaria de Burgos, posicionadas no vale do Broto (Huesca), cidade onde residiu em julho de 1815 e onde, entre seus costumes, estava a caça ao urso no vale do Bujaruelo, na cidade de Torla.
Restauração Absolutista e o Triénio Liberal (1820–1823)
Quando o rei Fernando VII retornou à Espanha e restaurou o absolutismo, tomou fortes medidas contra aqueles que considerava inimigos liberais, incluindo El Empecinado, que foi exilado para Valladolid. Em 1820, ocorreu a revolta de Riego, e El Empecinado voltou às armas, desta vez contra as tropas realistas de Fernando VII. Durante os anos seguintes, durante o Triénio Liberal, foi nomeado governador militar de Zamora e, posteriormente, capitão-general.
Aparentemente, o rei Fernando VII tentou convencer El Empecinado a juntar-se à sua causa (apesar de ter jurado anteriormente à Constituição de Cádis ) e a juntar-se aos " Cem Mil Filhos de São Luís "; ofereceu-lhe um título de nobreza e uma grande soma de dinheiro, um milhão de reais. A resposta de El Empecinado foi: "Diga ao rei que, se ele não quisesse a constituição, não a teria jurado; que El Empecinado a jurou e que nunca cometerá a infâmia de quebrar os seus juramentos."