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Käthe Kollwitz

Uma desenhista, pintora, gravurista e escultura alemã

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Käthe Kollwitz (Königsberg, 8 de Julho de 1867 – Moritzburg, 22 de Abril de 1945) foi uma desenhista, pintora, gravurista e escultora alemã, cuja obra reflete uma eloquente visão das condições humanas na primeira metade do século XX.

Kollwitz foi uma das mais importantes artistas dentro do movimento expressionista alemão e certamente uma das artistas mais politicamente engajadas do século XX. Como legado de sua participação política, Kollwitz defendeu o movimento feminista, pautas progressistas e eternizou as mulheres da classe proletária em suas pinturas.

Kollwitz nasceu em Königsberg, na Prússia, atual Kaliningrad, a Rússia, sendo a quinta filha da família. Seu pai, Karl Schmidt, era um social-democrata que trabalhava como pedreiro e construtor de casas. Sua mãe, Katherina Schmidt, era filha de Julius Rupp, um pastor luterano que foi expulso da Igreja Evangélica Estatal oficial e fundou uma congregação independente. Sua formação e sua arte foram profundamente influenciadas pelas lições de religião e socialismo ministradas por seu avô. Seu irmão mais velho, Conrad, tornou-se um economista de destaque no SPD.

Reconhecendo seu talento, o pai de Kollwitz providenciou para que ela começasse a ter aulas de desenho e de cópia de moldes de gesso em 14 de agosto de 1879, quando ela tinha 12 anos. Entre 1885 e 1886, ela iniciou seus estudos formais de arte sob a orientação de Karl Stauffer-Bern, amigo do artista Max Klinger, na Escola para Mulheres Artistas em Berlim. Aos dezesseis anos, começou a trabalhar com temas associados ao movimento realista, criando desenhos de trabalhadores, marinheiros e camponeses que via nos escritórios de seu pai. As águas-fortes de Klinger, com sua técnica e suas preocupações sociais, serviram de inspiração para Kollwitz.

Em 1888-1889, ela estudou pintura com Ludwig Herterich em Munique, onde percebeu que seu forte não era a pintura, mas sim o desenho. Aos dezessete anos, seu irmão Konrad apresentou-lhe Karl Kollwitz, um estudante de medicina. Posteriormente, Käthe ficou noiva de Karl enquanto ainda estudava arte em Munique. Em 1890, ela retornou a Königsberg, alugou seu primeiro ateliê e continuou a retratar o trabalho árduo da classe operária. Esses temas serviram de inspiração para sua obra durante anos.

Em 1891, Kollwitz casou-se com Karl, que na época, já atuava como médico, atendendo à população pobre de Berlim. O casal mudou-se para o amplo apartamento que seria o lar para Kollwitz até ser destruído durante a Segunda Guerra Mundial.

Kollwitz se declarava progressista e apoiou abertamente o partido Partido Comunista Alemão. Como parte de seu legado e atuação política, a artista utilizou sua arte como forma de mobilizar temas sensíveis e em disputa na Alemanha durante o período da República de Weimar. Em 1923, como parte de seu legado político e em apoio ao movimento feminista alemão, Kollwitz produziu um pôster com os dizeres “Nieder mit dem Abtreibungsparagraphen!” (Abolir a Lei do aborto!). O pôster foi encomendado pelo gabinete das mulheres do KPD (Partido Comunista Alemão), para uma campanha contra o parágrafo 218, que criminalizava e punia judicialmente o aborto na Alemanha.

Kollwitz defendia que a gravidez indesejada contribuía para o agravamento da situação de pobreza e miséria enfrentada pela classe trabalhadora na Alemanha afetada pelo tratado de Versalhes, além de ressaltar os problemas de sobrecarga e duplas jornadas de trabalho enfrentadas pelas mulheres. Em 1912, já renomada internacionalmente, fundou a Associação Artística Feminina, que reivindicava a admissão da mulher em academias, quer como aluna, quer como professora, além de uma participação mais igualitária em exposições e juris.

Em 1919, Käthe Kollwitz foi eleita membro da Academia de Belas-Artes e tornou-se a primeira mulher a fazer parte dessa instituição. Às vésperas da consolidação do poder de Hitler na Alemanha, Kollwitz participou do abaixo assinado a favor da união entre os partidos de esquerda da Alemanha. Após a ascensão do partido nazista, Kollwitz foi destituída de sua cátedra na Academia de Belas-Artes de Munique, além de ter sido proibida de trabalhar e expor suas obras e ameaçada pela Gestapo. Para Kollwitz, a guerra significou um fim de vida doloroso, pois representava a derrota de seus ideais pacifistas.

Em 1933, após a instauração do regime nazista, as autoridades do Partido Nazista forçaram-na a renunciar ao seu cargo no corpo docente da Akademie der Künste (Academia de Artes) devido ao seu apoio ao Dringender Appell (Apelo Urgente). Suas obras foram retiradas dos museus. Embora estivesse proibida de expor, uma de suas obras retratando "mãe e filho" foi utilizada pelos nazistas para fins de propaganda.

Em julho de 1936, ela e o marido receberam a visita da Gestapo, que a ameaçou de prisão e deportação para um campo de concentração nazista; o casal decidiu que cometeria suicídio caso tal perspectiva se tornasse inevitável. No entanto, Kollwitz já era uma figura de renome internacional, e nenhuma outra medida foi tomada contra ela. Em seu 70º aniversário, ela "recebeu mais de 150 telegramas de personalidades de destaque do mundo da arte", bem como ofertas para se mudar para os Estados Unidos, convites que recusou por receio de provocar represálias contra sua família.

Ela sobreviveu ao marido (que faleceu devido a uma doença em 1940) e ao neto Peter, morto em combate na Segunda Guerra Mundial dois anos mais tarde. Em 1942, a Sociedade de Arte Contemporânea da Austrália organizou sua "Exposição Antifascista", exibindo duas litografias e gravuras de Kollwitz e incluindo no catálogo uma reprodução de sua litografia de 1919, "As Mães" ("Die Mütter"). O catálogo também lhe prestou homenagem com uma biografia que afirmava: "O nazismo prestou-lhe o tributo de banir sua obra e incluí-la em sua notória exposição de 'Arte Degenerada', a qual, na verdade, representava as maiores glórias da arte democrática alemã".

Ela foi evacuada de Berlim em 1943. Mais tarde, naquele ano, sua casa foi bombardeada, resultando na perda de muitos desenhos, gravuras e documentos. Mudou-se primeiro para Nordhausen e depois para Moritzburg, uma cidade próxima a Dresden, onde passou seus últimos meses como hóspede do Príncipe Ernst Heinrich da Saxônia. Kollwitz faleceu apenas 16 dias antes do fim da guerra, em 22 de Abril de 1945, aos 77 anos. Seu corpo foi cremado e homenageado com um Ehrengrab (túmulo de honra) no Cemitério de Friedrichsfelde, em Berlim.

de 1888: Em seus primeiros trabalhos, Kollwitz trata da questão das mulheres . Vários desenhos foram criados sobre o tema Gretchen do Fausto de Goethe

1913–1915: Criação dos amantes da escultura

1919: Xilogravura em memória de Karl Liebknecht (35 × 49,9 cm)

Depois da Primeira Guerra Mundial : Ciclos de guerra, proletariado, morte e fome infantil

1924: Cartaz Nunca mais guerra para a Jornada da Juventude da Alemanha Central em Leipzig

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