Neste Dia

Khaled Mohieddin

Khaled Mohieddine (em árabe egípcio: خالد محيي الدين, arz; 17 de agosto de 1922 – 6 de maio de 2018) foi um oficial mili

Anúncio

Khaled Mohieddine (em árabe egípcio: خالد محيي الدين, arz; 17 de agosto de 1922 – 6 de maio de 2018) foi um oficial militar, revolucionário e político egípcio. Como membro do Movimento dos Oficiais Livres, ele participou da deposição do Rei Faruque que iniciou a Revolução Egípcia de 1952, e levou à criação da República do Egito.

Mohieddine desempenhou papéis políticos e na imprensa importantes durante a presidência de Gamal Abdel Nasser, embora os dois também tivessem vários desentendimentos. Sendo uma pessoa franca, ele foi um dos poucos membros do círculo revolucionário do Egito capaz de discordar apaixonadamente de Nasser, enquanto ainda mantinha o respeito e a admiração dele. Sua influência política diminuiu durante a fase inicial da presidência de Anwar Sadat, até que fundou um partido político de esquerda, o Partido Unionista Progressista Nacional (Tagammu), em 1976.

Sob a liderança de Mohieddine, o Tagammu tornou-se uma força de oposição significativa durante o governo de Hosni Mubarak.

Mohieddine nasceu em Kafr Shukr (Qalyubia), no Baixo Egito, em 1922, em uma família abastada que possuía grandes propriedades de terra na região do Delta do Nilo. Ele se formou na Academia Militar Egípcia em 1940 e serviu como oficial de cavalaria. Em 1942, tornou-se amigo de Gamal Abdel Nasser em uma academia militar. Em 1943–44, juntou-se ao Movimento dos Oficiais Livres, tornando-se um dos dez membros originais. Seu primo, Zakaria Mohieddin, também era membro desse grupo.

Em 1951, obteve o bacharelado em comércio pela Universidade do Cairo (então conhecida como Universidade Fuad). Ele adotou o marxismo mas, embora tivesse ligações com o Movimento Democrático de Libertação Nacional, de orientação comunista, Mohieddine na verdade não ingressou na organização.

Na primavera de 1952, os Oficiais Livres elaboraram um comando operacional para depor o Rei Faruque, com Mohieddine responsável pelas tropas blindadas. Em 23 de julho, ele comandou suas unidades blindadas pelo Cairo e o golpe foi realizado com sucesso. Ele e Nasser escreveram a primeira proclamação da "revolução" na Rádio do Cairo. Mohieddine compareceu à despedida cerimoniosa do rei e, segundo ele, Faruque declarou aos oficiais presentes que "pensou em fazer a mesma coisa que eles estavam fazendo".

Depois que Muhammad Naguib tornou-se presidente, Mohieddine passou a fazer parte do Conselho do Comando Revolucionário Egípcio (CCR). Quando oficiais do exército leais a Nasser sequestraram Naguib em fevereiro de 1954, Mohieddine inesperadamente ordenou que Naguib fosse libertado imediatamente, o que foi feito. Ele explicou que tomou essa atitude porque sentia que Nasser e os Oficiais Livres não podiam governar o Egito sem Naguib. Nasser, que era primeiro-ministro, respondeu à sua ação exonerando todos os oficiais leais a ele. Aconselhado por seu primo e colega do CCR, Zakaria Mohieddine, Khaled desapareceu de vista por alguns dias após o protesto, retornando ao Cairo em 5 de março. Os membros do CCR, incluindo Mohieddine, concordaram que ele fosse enviado para a Europa como parte de uma missão comercial. Segundo fontes próximas, sua separação de Nasser foi sóbria, mas não isenta de "tristeza compartilhada". O regime egípcio o designou como representante do CCR no exterior, deixando a impressão de que seu exílio informal era temporário.

Com Nasser assumindo oficialmente a presidência e o fim da Crise do Suez em 1956, Mohieddine retornou ao Egito e assumiu um papel de liderança no governo, ficando encarregado do jornal vespertino Al Messa, que ele próprio fundou. Ele também era o editor do diário. Um ano depois, ele serviu no comitê central da União Nacional e foi eleito membro da Assembleia Nacional. Foi uma das quatro pessoas nomeadas por Nasser para organizar a primeira conferência da Organização de Solidariedade aos Povos Afro-Asiáticos durante 1957–58. Mohieddine mais tarde presidiu o Conselho Egípcio da Paz e, a partir de então, tornou-se membro do conselho presencial do Conselho Mundial da Paz em 1958.

Em 8 de março de 1959, uma rebelião nacionalista árabe estourou em Mosul, no Iraque, com a intenção de depor o presidente anti-Nasser e pró-comunista Abdel Karim Qasim. Quando a revolta foi sufocada, os sentimentos anticomunistas de Nasser aparentemente se aprofundaram e ele acusou Mohieddine de apoiar Qasim. Em seguida, Nasser o demitiu sem cerimônia, junto com outros doze editores, do Al Messa em 13 de março. Mohieddine foi preso logo em seguida e permaneceu encarcerado até o final de 1960. Ele se tornou presidente do conselho do Akhbar al-Yawm em 1964. Em abril de 1965, depois que Nasser começou a adotar uma postura mais pró-União Soviética em assuntos internos, Mohieddine foi nomeado secretário do Comitê de Imprensa da União Socialista Árabe (USA). Nessa mesma época, ele também presidiu o comitê da Represa de Assuão e foi condecorado com o Prêmio Lenin da Paz em 1970.

Devido às suas posições políticas, Mohieddine foi preso por dois meses na Revolução Corretiva de 1971, lançada por Anwar Sadat, que assumiu a presidência após a morte de Nasser no ano anterior. Dentro da USA, Kamal Rifaat e ele logo assumiram a liderança da plataforma de esquerda que mais tarde evoluiu para o Partido Unionista Progressista Nacional (também conhecido como "Tagammu") em 1976. Mohieddine foi um dos seus três delegados eleitos para a Assembleia do Povo do Egito naquele mesmo ano.

Ele foi suspeito pelas autoridades governamentais de incitar a Revolta do Pão no Egito em 1977. Em 1978, ele fundou e editou o órgão de imprensa do seu partido, o Al Ahali. No ano seguinte, foi acusado de atividades "contra o Estado", mas não foi julgado. Por ser um ex-membro do CCR, Mohieddine foi poupado quando Sadat prendeu outros dissidentes em 1981. Ele continuou atuando na política e era considerado parte da "oposição leal" ao presidente Hosni Mubarak. Em 1990, conquistou um assento parlamentar após três derrotas.

Seu sobrinho, o ministro do Investimento Mahmoud Mohieddin, anunciou que havia desistido dos planos de concorrer às eleições pelo distrito eleitoral de Kafr el-Shukr em outubro de 2005, abrindo espaço em favor de Khaled Mohieddin, que não conseguiu se eleger. Após a morte de seu primo Zakaria Mohieddin em 2012, ele tornou-se o último sobrevivente do conselho dos Oficiais Livres que liderou a Revolução de 1952. Mohieddine morreu em 6 de maio de 2018, em um hospital no distrito de Maadi, no Cairo, aos 95 anos.

Memories of a Revolution: Egypt 1952 ("Memórias de uma Revolução: Egito 1952"). (1995). Cairo: American University in Cairo Press.

For This We Oppose Mubarak ("Por Isso Nos Opomos a Mubarak"). (1987). Cairo.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Khaled Mohieddin | World in Stories