Neste Dia

Lázaro Barbosa de Sousa

Criminoso Brasileiro (1988-2021)

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Lázaro Barbosa de Sousa (Barra do Mendes, 27 de agosto de 1988 – Águas Lindas de Goiás, 28 de junho de 2021) foi um ladrão, homicida, estuprador e assassino sequencial que ganhou notoriedade em junho de 2021, após cometer uma série de crimes, incluindo o assassinato de quatro pessoas da família Vidal em Ceilândia, no Distrito Federal.

Após os assassinatos, Lázaro foi perseguido pela polícia durante 20 dias (9 a 28 de junho de 2021), enquanto seguia numa onda de crimes em chácaras no município goiano de Cocalzinho, com ampla cobertura da mídia. A familiaridade do criminoso com as regiões de mata, as dificuldades inerentes às buscas e a ajuda do fazendeiro Elmi Caetano Evangelista permitiram que ele continuasse foragido na época.

O criminoso foi morto na manhã de 28 de junho de 2021 após uma troca de tiros com policiais. Lázaro foi, erroneamente, classificado algumas vezes como assassino em série, mas Ilana Casoy, uma das grandes especialistas brasileiras na área, negou que ele fosse um assassino em série, oferecendo uma explicação em seu Twitter sobre o assunto. Para a Jovem Pan ela declarou, enquanto Lázaro estava foragido, que ele era um "latrocida estuprador em fuga". "Não vi ritual", completou também.

Em 2007, foi preso na Bahia em sua cidade natal, Barra do Mendes, por um duplo homicídio, porém fugiu dez dias depois, mudando-se de estado. Dois anos depois, foi recapturado e levado para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desta vez por suspeita de roubo, estupro e posse ilegal de arma. Em 2013, passou por um laudo médico que constatou problemas mentais sérios, que retratava Lázaro como impulsivo, ansioso, desequilibrado mentalmente e com "preocupações sexuais".

Em 2014, recebeu atestado de bom comportamento e, com isso, obteve o direito de cumprir a pena no regime semiaberto. Escapou da Papuda em 2016 e foi recapturado somente em 7 de março de 2018, sendo encaminhado para um presídio em Águas Lindas de Goiás, do qual fugiu pelo teto no dia 23 de julho. Desde então, encontrava-se foragido da cadeia.

No dia 8 de abril de 2020, foi acusado de invadir uma chácara e, utilizando um machado, golpear na cabeça um homem; o homem sobreviveu, mas ficou com graves sequelas. Em 26 de abril de 2021, invadiu uma casa em Sol Nascente, tendo trancado o pai com o filho no quarto e estuprado a mulher no matagal. Em 17 de maio de 2021, invadiu outro sítio no Sol Nascente, onde rendeu e prendeu em um quarto todos os homens da casa, deixou as mulheres nuas e fez com que elas o servissem.

No dia 9 de junho de 2021, Lázaro invadiu um sítio em Incra 9 na cidade de Ceilândia, onde assassinou a sangue frio Cláudio Vidal, de 48 anos, e seus dois filhos Gustavo Marques Vidal, de 21 anos, e Carlos Eduardo Marques Vidal, de 15 anos. Em sua fuga após o crime, levou em sua posse Cleonice Marques, de 43 anos, esposa e mãe dos outros falecidos, como sua refém. Antes de ser raptada, Cleonice Marques conseguiu avisar seu irmão sobre a situação por um telefone celular. Seu irmão chegou ao local do crime e logo ligou para a polícia, que iniciou uma força-tarefa na esperança de encontrar Cleonice Marques viva. Ela, no entanto, foi encontrada morta.

Outros crimes e perseguição policial

No dia 10, Lázaro invadiu outro sítio a 3 km daquele no qual havia praticado o primeiro crime, fazendo de refém a proprietária e o caseiro da chácara durante três horas. Durante este tempo, obrigou a proprietária a cozinhar para ele enquanto fazia comentários orgulhosos sobre o crime anterior, que havia passado na televisão, para as vítimas amedrontadas. Lázaro também obrigou as vítimas a beberem e usarem drogas com ele. Após o episódio, ele fugiu levando celulares, uma jaqueta e duzentos reais. Nesta ocasião, Lázaro não matou nem feriu ninguém. No dia 11, Lázaro roubou um veículo em Ceilândia e dirigiu até Cocalzinho, em Goiás, onde incendiou o carro para dificultar seu reconhecimento. Após o ato, um comparsa facilitou sua fuga.

No dia 12, invadiu uma chácara e fez um caseiro refém, passando toda a tarde bebendo com o mesmo. Neste episódio, não feriu nem roubou o caseiro, apenas o obrigou a ingerir bebidas alcoólicas com ele. No mesmo dia, a inteligência da policia mapeou o modus operandi de Lázaro, o que os levou a dois esconderijos do assassino, onde foram encontrados os restos mortais de Cleonice Marques. Durante a noite do dia 12, Lázaro invadiu outra chácara. Os policiais civis que estavam no local reagiram e foram baleados; ao total, três foram feridos, e dois deles ficaram em estado grave. Após balear os residentes do sítio, Lázaro fugiu roubando duas armas do local. Mais tarde no mesmo dia, incendiou uma casa e trocou tiros com a polícia, porém, conseguiu fugir do local.

No dia 13, Lázaro conseguiu despistar os policiais, roubar um carro estacionado e dirigir por 30 km até chegar próximo a uma das barreiras montadas pela policia. Ele saiu do carro e fugiu a pé para dentro do mato, onde ficou foragido. Em 15 de junho, Lázaro foi encontrado por viaturas rurais da zona que participavam do cerco, trocou tiros com os agentes e acabou baleando, de raspão, um policial militar.

No dia 16, Lázaro foi visto por moradores da cidade de Cocalzinho de Goiás, onde invadiu uma residência com três pessoas, rendendo duas das três vítimas. Uma das vítimas, adolescente, conseguiu enviar uma mensagem para a polícia enquanto se escondia no quarto. A casa estava sendo vigiada pelos policiais militares e Lázaro entrou no local logo após a saída da guarnição. Lázaro encontrou a adolescente e levou os três reféns para o mato, onde destruiu seus telefones celulares. Após perceber o cerco policial com helicópteros, ele liberou os reféns e seguiu sua fuga. Numa casa num sítio abandonado a polícia encontrou posteriormente sinais de arrombamento e uma camiseta com sangue, levantando à suspeita de que ele teria passado a noite escondido no local. No dia seguinte, na mesma cidade, Lázaro trocou novamente tiros com a polícia.

No dia 26 de junho, a polícia também revelou que Lázaro havia criado um perfil falso no Facebook usando o nome "Patrik Sousa", provavelmente para acompanhar as notícias do caso. A conta foi criada a partir de um celular roubado que ficou com o criminoso entre os dias 15 e 18 de junho.

No dia 24 de junho, o Secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, disse que a polícia havia prendido duas pessoas suspeitas de ajudarem Lázaro. Eles eram o fazendeiro Elmi Caetano Evangelista e o seu caseiro Alain Reis dos Santos. Segundo depoimento posterior de Alain à polícia, Lázaro dormiu cinco dias na propriedade de Elmi, além de jantar e almoçar, sendo chamado pelo fazendeiro através de gritos em direção à mata. Elmi negou tudo inicialmente, mas foi depois condenado à prisão, morrendo em 2022 de câncer e outras doenças quando ainda estava cumprindo pena. Alain chegou a ser preso também, mas foi solto após colaborar com a polícia, que entendeu que ele só seguia as ordens do patrão sobre manter as porteiras trancadas e não permitir o acesso dos agentes da força-tarefa.

Uma força-tarefa foi montada em conjunto com as policias militar, civil e rodoviária federal, com a participação de mais de duzentos homens. Os policiais criaram barreiras em estradas, ocuparam e monitoraram 34 chácaras da região para proteger os moradores e realizaram patrulhas em áreas de mata, já que segundo a autoridades, Lázaro era um "mateiro experiente". Os bombeiros militares também auxiliaram nas buscas pelo criminoso, utilizando drones.

Por medo, moradores da região abandonaram suas casas e pequenos comerciantes mantiveram suas lojas fechadas.

No dia 28 de junho, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou a prisão do criminoso. No entanto, pouco depois a imprensa divulgou que ele havia morrido enquanto era levado ao hospital, após ser baleado numa troca de tiros. Ele havia sido encontrado na casa da ex-sogra, no município de Águas Lindas de Goiás, e resistido à prisão.

Lázaro encontrava-se foragido desde 2018 e trabalhava em propriedades rurais. Análises de especialistas não encontraram uma motivação exata para a morte da família Vidal ou mesmo os estupros cometidos pelo criminoso, mas num laudo psicológico de 2021 ele havia sido descrito como uma pessoa impulsiva, ansiosa e com "preocupações sexuais".

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