Léon Gambetta (Cahors, 2 de abril de 1838 – Sèvres, 31 de dezembro de 1882) foi um advogado e político francês, uma das figuras centrais da fundação e consolidação da Terceira República. Foi ele quem, na noite de 3 para 4 de setembro de 1870, proclamou a queda do Segundo Império e o regresso da República, e quem, poucos dias depois, escapou de Paris sitiada a bordo de um balão para organizar, a partir de Tours, a continuação da resistência francesa na Guerra Franco-Prussiana. Foi ainda líder dos republicanos moderados ("oportunistas"), presidiu à Câmara dos Deputados entre 1879 e 1881 e ocupou o cargo de Presidente do Conselho de Ministros da França entre 14 de novembro de 1881 e 30 de janeiro de 1882, no chamado "Grande Ministério".
Gambetta nasceu em Cahors, filho de um comerciante genovês instalado em França. Ainda criança, um acidente fez-lhe perder a visão do olho direito. Estudou no seminário de Montfaucon e no liceu de Cahors — mais tarde renomeado, em sua homenagem, Lycée Gambetta —, tendo depois seguido para Paris, onde estudou direito, concluindo a licenciatura em 1860 e inscrevendo-se na Ordem dos Advogados de Paris em 1861.
Gambetta destacou-se como advogado próximo dos meios republicanos e, em 1868, defendeu os promotores de uma subscrição pública — lançada pelo jornal do republicano Charles Delescluze — destinada a erguer um monumento ao deputado Baudin, morto em 1851 ao resistir ao golpe de Estado de Napoleão III. O discurso de defesa de Gambetta transformou-se numa acusação direta às origens do Segundo Império e tornou-o subitamente conhecido. No ano seguinte, foi eleito deputado por Marselha (Bouches-du-Rhône), mandato que exerceu no Corpo Legislativo até à queda do Império, em setembro de 1870.
Guerra Franco-Prussiana e proclamação da República
Após a derrota francesa em Sedan, Gambetta proclamou, na noite de 3 para 4 de setembro de 1870, a queda do Segundo Império, integrando de seguida o Governo de Defesa Nacional como ministro do Interior. Com Paris sitiada pelas tropas prussianas, deixou a capital em 7 de outubro de 1870 a bordo do balão Armand-Barbès, lançado a partir de Montmartre. O voo decorreu sob fogo prussiano, tendo Gambetta lançado sobre as linhas inimigas panfletos redigidos por Victor Hugo, até o balão aterrar de emergência perto de Montdidier. Instalado em Tours, assumiu também a pasta da Guerra, mobilizando mais de 600 mil homens para prosseguir a resistência nas províncias, esforço que a capitulação de Paris e o armistício de janeiro de 1871 acabariam por frustrar.
Liderança da oposição republicana
Terminada a guerra, Gambetta fundou o jornal La République française (1871) e tornou-se o principal dirigente dos republicanos moderados, então designados "oportunistas". Contribuiu para a aprovação da emenda Wallon, em 28 de janeiro de 1875, que lançou as bases constitucionais da Terceira República. Durante a crise política de 16 de maio de 1877, na sequência da dissolução da Câmara pelo marechal Mac-Mahon, Gambetta declarou que este teria de "submeter-se ou demitir-se", contribuindo para a vitória republicana nas eleições seguintes. Foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em 30 de janeiro de 1879, cargo que exerceu até 1881.
Gambetta formou o seu único governo em 14 de novembro de 1881. O executivo, conhecido como "Grande Ministério", encontrou forte oposição parlamentar à proposta de Gambetta de rever a Constituição e de restabelecer o escrutínio de lista nas eleições legislativas, o que levou à sua demissão em 26 de janeiro de 1882; foi sucedido por Charles de Freycinet em 30 de janeiro seguinte, após um mandato de pouco mais de dois meses.
Composição do governo (14 de novembro de 1881 – 26 de janeiro de 1882)
Léon Gambetta – Presidente do Conselho e Ministro dos Negócios Estrangeiros
Jean-Baptiste Campenon – Ministro da Guerra
Pierre Waldeck-Rousseau – Ministro do Interior
François Allain-Targé – Ministro das Finanças
Jules Cazot – Ministro da Justiça
Maurice Rouvier – Ministro do Comércio e das Colónias
Auguste Gougeard – Ministro da Marinha
Paul Bert – Ministro da Instrução Pública e dos Cultos
Antonin Proust – Ministro das Belas-Artes