Neste Dia

Lee "Scratch" Perry

Produtor musical, cantor-compositor e engenheiro de som jamaicano (1936–2021)

Anúncio

Rainford Hugh Perry (Kendall, 20 de março de 1936 — Lucea, 29 de agosto de 2021), conhecido profissionalmente como Lee "Scratch" Perry, foi um produtor musical, cantor-compositor e engenheiro de som jamaicano. Considerado uma das figuras mais influentes da história da música popular moderna, Perry foi um dos pioneiros no desenvolvimento do reggae e do dub, revolucionando as técnicas de produção em estúdio através do uso inovador de efeitos, colagens sonoras e sobreposições de faixas (overdubbing). Ao longo de sua carreira, que se estendeu por mais de seis décadas, trabalhou com os principais nomes da música jamaicana, incluindo Bob Marley and the Wailers, Max Romeo, Junior Murvin e The Congos influenciar gêneros internacionais como o hip-hop, o pós-punk e a música eletrônica.

Primeiros Anos e Início na Indústria (1936–1967)

Nascido na paróquia rural de Hanover, Jamaica, Perry mudou-se para Kingston no final da década de 1950.

Iniciou sua trajetória na música trabalhando para Clement "Coxsone" Dodd, fundador do influente selo e sistema de som Studio One. Inicialmente contratado como assistente e caçador de talentos, logo passou a atuar como compositor e gravou suas primeiras faixas como vocalista, como "Chicken Scratch" (1965), canção que lhe rendeu o apelido que carregaria por toda a vida.

Devido a desavenças financeiras e criativas com Dodd, Perry deixou o Studio One e transferiu-se temporariamente para a Amalgamated Records, de Joe Gibbs. Ali, continuou a desenvolver sua identidade sonora agressiva e satírica, evidente no compacto "People Funny Boy" (1968), uma faixa direcionada contra Gibbs que se destacou pelo uso inédito do choro de um bebê sampleado, um prenúncio de suas experimentações futuras.

The Upsetters e a Parceria com os The Wailers (1968–1972)

Em 1968, Perry fundou seu próprio selo fonográfico, o Upsetter Records. Formou também sua banda de estúdio, The Upsetters (que contava com a base rítmica dos irmãos Aston "Family Man" Barrett no baixo e Carlton Barrett na bateria). O grupo instrumental obteve sucesso internacional com a faixa "Return of Django" (1969), que alcançou o Top 10 nas paradas do Reino Unido. Entre 1970 e 1971, Perry produziu os primeiros grandes clássicos de Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer (The Wailers). Sob a direção de Scratch, o grupo refinou sua estética, abandonando a velocidade do ska e do rocksteady em favor de um andamento mais lento, pesado e espiritual. Sessões históricas desse período geraram os álbuns Soul Rebels e Soul Revolution, além de compactos fundamentais como "Small Axe", "Duppy Conqueror" e "Sun Is Shining". Os irmãos Barrett integraram-se permanentemente aos Wailers logo em seguida.

O Estúdio Black Ark e a Era de Ouro do Dub (1973–1979)

Em 1973, Perry construiu o estúdio Black Ark no quintal de sua residência, no distrito de Washington Gardens, em Kingston. Apesar de dispor de equipamentos tecnicamente rudimentares — incluindo uma mesa de som de apenas quatro canais —, Perry extraiu do espaço uma sonoridade densa, atmosférica e densamente texturizada que definiu a era de ouro do dub. No Black Ark, o produtor utilizava técnicas não convencionais para a época, como enterrar microfones sob palmeiras, aplicar fumaça de maconha diretamente nas fitas magnéticas e introduzir efeitos de eco (delay), reverberação e sons ambientais (quebras de vidro, mugidos de gado e sirenes). Desse período derivam obras-primas do reggae e do dub, tais como: "Blackboard Jungle Dub" (1973) com The Upsetters (um dos marcos iniciais do gênero dub), Super Ape (1976) "War Ina Babylon" (1976) com Max Romeo & The Upsetters, "Police & Thieves" (1977) com Junior Murvin e "Heart of the Congos" (1977) com a banda The Congos.

No final da década de 1970, o ambiente no Black Ark deteriorou-se devido a pressões de criminosos locais, problemas de gestão financeira e o colapso da saúde mental de Perry. O estúdio parou de funcionar e, em 1983, foi totalmente destruído por um incêndio, ato que o próprio produtor posteriormente afirmou ter cometido para purificar o local de "espíritos malignos".

Exílio, Renascimento e Carreira Tardia (1980–2021)

Após o encerramento das atividades do Black Ark, Perry passou a residir e trabalhar no exterior, dividindo seu tempo entre a Inglaterra, os Estados Unidos e, posteriormente, a Suíça, onde se estabeleceu ao lado de sua esposa e empresária, Mireille Ruegg. Durante as décadas de 1980, 1990 e 2000, manteve uma prolífica rotina de gravações e turnês mundiais, colaborando com produtores britânicos de vanguarda como Adrian Sherwood (do selo On-U Sound) e Mad Professor. Sua performance artística nesta fase acentuou-se por um visual excêntrico, caracterizado por roupas vibrantes, barbas coloridas e chapéus adornados com espelhos, moedas e insígnias religiosas. Em 2003, Perry recebeu o prêmio Grammy de Melhor Álbum de Reggae pelo trabalho Jamaican ET. Continuou ativo até seus últimos meses de vida, colaborando com novos artistas e explorando fusões com a música eletrônica. Lee "Scratch" Perry faleceu em 29 de agosto de 2021, aos 85 anos, no hospital de Lucea, na Jamaica, em decorrência de enfermidades não especificadas.

É considerado uma grande influência no desenvolvimento e aceitação do reggae e do dub na Jamaica e no exterior. Formou a banda The Upsetters, e também é conhecido como Pipecock Johnson ou Upsetter.

Lee "Scratch" Perry faleceu na manhã de 29 de agosto de 2021, aos 85 anos, no Hospital Geral de Lucea, capital da paróquia de Hanover, na Jamaica. A causa formal da morte não foi divulgada detalhadamente pela família ou pelas autoridades de saúde, que se limitaram a confirmar que o artista sucumbiu a uma enfermidade abrupta após ser hospitalizado.

O falecimento foi comunicado oficialmente pelo primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, que prestou homenagens públicas destacando a contribuição indelével de Perry para a projeção internacional da cultura jamaicana. O sepultamento ocorreu em solo natal, após cerimônias que reuniram as principais lideranças do movimento Rastafári e da comunidade musical de Kingston.

Histórico O impacto de Lee "Scratch" Perry na música global transcende as fronteiras do reggae tradicional, sendo amplamente reconhecido na musicologia como um dos teóricos e práticos mais revolucionários da engenharia de som do século XX.

2003: Vencedor do prêmio Grammy de Melhor Álbum de Reggae por Jamaican E.T.

2004: Incluído na lista dos "100 Maiores Artistas de Todos os Tempos" da revista especializada Rolling Stone.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Lee "Scratch" Perry | World in Stories