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Leny Andrade

Leny de Andrade Lima (25 de janeiro de 1943 – 24 de julho de 2023), conhecida profissionalmente como Leny Andrade, foi u

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Leny de Andrade Lima (25 de janeiro de 1943 – 24 de julho de 2023), conhecida profissionalmente como Leny Andrade, foi uma cantora brasileira cuja carreira durou mais de seis décadas. Surgiu no circuito de boates do Rio de Janeiro no fim dos anos 1950 e desenvolveu uma maneira de cantar que reunia o pulso rítmico do samba e da bossa nova ao fraseado e à improvisação do jazz. Sua voz grave e rouca e o uso do scat estiveram presentes em suas apresentações e gravações.

Andrade gravou mais de 30 álbuns e passou boa parte da carreira se apresentando fora do Brasil, sobretudo no México, nos Estados Unidos e na Europa. Seu repertório passava pelo samba, pela bossa nova, pela MPB, pelo bolero e por standards de jazz, com a improvisação sempre presente em seu canto. Em 2007, ela e o pianista César Camargo Mariano venceram o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira por Ao Vivo.

Leny de Andrade Lima nasceu no Rio de Janeiro em 25 de janeiro de 1943. Sua mãe era professora de música, e Andrade começou a aprender piano clássico com ela ainda criança. Aos seis anos, prosseguiu os estudos de piano e mais tarde recebeu uma bolsa para estudar no Conservatório Brasileiro de Música.

Andrade também cantava desde pequena. Aos nove anos, participou do programa Clube do Guri, da Rádio Tupi, onde cantou "Risque", de Ary Barroso. Anos depois, recordou que a escolha da música surpreendeu o apresentador e o violonista do programa por causa de sua idade. Vieram depois outras participações no rádio, entre elas programas apresentados por Silveira Lima e César de Alencar.

Na adolescência, Andrade decidiu que queria cantar profissionalmente. Em 1958, aos quinze anos, começou a trabalhar como crooner da orquestra de Permínio Gonçalves. Seu meio-irmão Dudu, saxofonista e flautista, apresentou-a a músicos e às boates onde eles se apresentavam. Nessa época, também ouvia com atenção Dolores Duran. Ao escutar Duran improvisar sem palavras, Andrade começou a experimentar a mesma técnica em seu próprio canto.

Em 1961, Andrade já cantava nas casas do Beco das Garrafas, em Copacabana. No Bacará, apresentou-se com um dos primeiros trios liderados por Sérgio Mendes, e também cantou no vizinho Bottles Bar. Seu primeiro álbum, A Sensação, foi lançado pela RCA Victor naquele ano. Andrade já usava scat no disco, técnica que continuaria usando por décadas. Em 1962, passou a integrar a orquestra de Dick Farney, em São Paulo. Seu segundo LP, A Arte Maior de Leny Andrade, saiu em 1963, com músicos como o baterista Milton Banana.

Ela já havia cantado fora do Brasil, inclusive durante uma curta temporada em Buenos Aires. Em 1965, juntou-se a Pery Ribeiro e ao Bossa Três em Gemini V, espetáculo apresentado na boate Porão 73, no Rio de Janeiro, com direção de Ronaldo Bôscoli e Luiz Carlos Miele. O espetáculo foi lançado em disco ao vivo. Naquele mesmo ano, Andrade gravou Estamos Aí, e a faixa-título passou a fazer parte de seu repertório habitual.

Depois de uma temporada de Gemini V na Cidade do México, Andrade se mudou para o país em 1966. Apresentou-se ali com frequência ao lado de Ribeiro antes de voltar ao Brasil no início da década de 1970. No México, passou a cantar boleros com maior frequência e manteve o gênero em seu repertório depois de voltar ao Brasil. Também conheceu Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan quando as duas cantoras visitaram o país.

Andrade e Ribeiro voltaram a trabalhar juntos em Gemini Cinco Anos Depois, de 1972. O álbum trazia "Águas de Março", de Antônio Carlos Jobim, e "Como Dois e Dois", de Caetano Veloso. Nos discos seguintes, o samba e a MPB apareceram com mais frequência. Alvoroço saiu em 1973, ano em que Andrade também participou, ao lado de Márcia, Simone e Ari Vilela, do álbum ao vivo Expo-Som 73. Seu disco de 1975 trouxe músicas de Wilson Moreira e Egberto Gismonti. Registro, lançado em 1979, incluiu "Nós", de Johnny Alf.

Em 1983, Andrade gravou o álbum duplo Leny Andrade ao Vivo – Volumes 1 e 2 no auditório da RCA Victor, no Rio. O repertório incluía "Cantor da Noite", escrita para ela por Ivan Lins e Vitor Martins. Naquele ano, também estreou em Nova York, no Blue Note, acompanhada pelo baterista Portinho, pelo trompetista Cláudio Roditi, pelo pianista Aluizio Milanês e pelo baixista Lincoln Goines. Uma crítica do The New York Times elogiou a rapidez e a agilidade de seu scat e o comparou ao de Fitzgerald.

No fim dos anos 1980, gravou um álbum dedicado a Cartola e lançou Luz Neon. Em 1991, voltou ao repertório da bossa nova no álbum Bossa Nova. Em Embraceable You, gravado nos Países Baixos, cantou standards norte-americanos em arranjos brasileiros. Em 1992, apresentou-se durante quatro noites no Ballroom, em Manhattan, e recebeu críticas favoráveis. Manteve um apartamento em Nova York por anos e voltou com frequência aos palcos dos Estados Unidos, entre eles o Birdland, o Jazz at Lincoln Center e o Hollywood Bowl.

Nos anos 1990, Andrade gravou com músicos que se tornaram parceiros frequentes. Fez Nós com o pianista César Camargo Mariano, Maiden Voyage com Fred Hersch e o álbum de voz e violão Coisa Fina com Romero Lubambo. Em 1995, ela e o pianista Cristóvão Bastos gravaram um disco com canções compostas por Jobim sem parceiros letristas. No mesmo ano, lançou Luz Negra, dedicado às músicas de Nelson Cavaquinho.

Em 2000, Andrade se apresentou com Gilson Peranzzetta e Guilherme de Brito em A Histórica Parceria, programa dedicado a Nelson Cavaquinho apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio. Também lançou um álbum com músicas de Altay Veloso. Voltou a gravar com Lubambo em Lua do Arpoador, de 2006. No mesmo período, registrou Ao Vivo com Mariano no Teatro Guaíra, em Curitiba. O álbum venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira em 2007.

Andrade e Lubambo se apresentaram juntos no festival Umbria Jazz, na Itália, em 2009. No ano seguinte, ela lançou Alma Mia e voltou aos boleros que cantava desde os anos no México. Canciones del Rey, gravado em espanhol com músicas de Roberto Carlos, saiu em 2013. Em 2015, gravou Alegria de Viver com o violonista Roni Ben-Hur.

As quedas passaram a tornar as apresentações mais difíceis. Em maio de 2016, Andrade caiu ao entrar no palco do Birdland, mas terminou a apresentação. Nos anos seguintes, continuou cantando e muitas vezes se apresentou sentada. Em 2018, lançou Bossa Nossa, com músicas de Fred Falcão, e um disco dedicado a Cartola e Nelson Cavaquinho com Gilson Peranzzetta. Uma de suas últimas apresentações públicas foi com Peranzzetta, em 2019.

Andrade tinha uma voz grave e rouca, e cantava bossa nova com mais força do que a maneira quieta e intimista ouvida em muitas das primeiras gravações do gênero. Seu fraseado trazia elementos do jazz, enquanto o pulso vinha muitas vezes do samba. O compositor Carlos Lyra percebia em seu canto o swing de Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Carmen McRae, e diferenciava sua maneira de cantar do estilo vocal mais leve da bossa nova.

Andrade usava scat desde o começo da carreira. Quando deixava a letra de lado por alguns compassos, improvisava com sílabas sem palavras e usava a voz como mais um instrumento. Em 1960, definiu-se como "uma musicista que canta". Em uma dissertação de mestrado sobre as gravações de Andrade entre 1958 e 1965, Lívia Scarinci Nestrovski observou que a cantora mantinha a estrutura improvisada do scat do jazz, mas usava sílabas e acentos mais próximos dos sons do português brasileiro e do samba. Nestrovski chamou o resultado de uma forma brasileira de scat.

Dolores Duran foi uma das cantoras que Andrade ouvia com atenção quando jovem. Na adolescência, ouviu Duran improvisar sem palavras e começou a experimentar a técnica. Andrade continuou cantando o repertório de Duran por décadas, ao lado de bossa nova, samba e samba-canção. Também manteve os boleros no repertório depois de voltar do México. Em discos posteriores, canções brasileiras por vezes dividiam espaço com standards norte-americanos.

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