Luís António Verney (23 de julho de 1713 – 23 de março de 1792) foi um filósofo, teólogo e pedagogo português. Estrangeirado, Verney é por vezes considerado a figura mais importante do Iluminismo português.
Notavelmente, Verney defendeu um plano para reformar completamente o sistema educacional em Portugal, em oposição radical aos métodos empregados na época pelos jesuítas, que há muito detinham um quase-monopólio do ensino no país; seu controverso manifesto, Verdadeiro Método de Estudar (publicado anonimamente em 1746), serviria mais tarde como base para muitas das reformas educacionais instituídas sob o Marquês de Pombal.
Luís António Verney nasceu em Lisboa em 1713, filho de Denys Verney (1650 – c. 1734), natural de Saint-Clément-les-Places, em Lyon, França, e de Maria da Conceição Arnaut, natural da freguesia de Santa Eufémia, na vila de Penela, Coimbra. A família de comerciantes abastados estava estabelecida na Rua Nova do Almada, onde possuíam uma botica. Um dos 10 irmãos (4 rapazes e 6 raparigas — por meio de uma das quais Verney seria cunhado de João Frederico Ludovice), Luís António foi batizado a 6 de agosto desse ano, na Igreja de São Julião. Teve como primeiro preceptor o capelão da família, o padre Manuel de Aguiar Paixão, aos seis anos de idade, nos primeiros estudos de Gramática Latina, Espanhol, Francês e Italiano.
Estudou no Colégio jesuíta de Santo António, o Abade, provavelmente entre 1720 e 1727, e daí até 1729, Filosofia com os oratorianos, no Convento do Espírito Santo da Pedreira. Em abril de 1729, Luís António Verney interrompeu os estudos para se alistar como voluntário numa expedição militar na Índia Portuguesa; por razões desconhecidas, porém, parece ter mudado de ideias — em novembro desse ano, matriculou-se na Universidade de Évora, dirigida pelos jesuítas, onde concluiu os estudos em Filosofia e Teologia, obtendo o grau de Artium Magister em 1736.
Depois, Verney viajou para Roma para doutorar-se em Teologia e Direito na Universidade Sapienza de Roma. Lá, tornou-se membro da Academia dos Árcades, e correspondeu-se com importantes figuras do Iluminismo italiano, como o principal enciclopedista Ludovico Antonio Muratori e Antonio Genovesi. Em 1741, foi nomeado Arcediago da Arquidiocese Metropolitana de Évora.
Foi nessa época que Verney concebeu seu plano para reformar o sistema educacional em Portugal, aproximando-o das correntes de progresso cultural que permeavam os espíritos da Europa progressista. Seu Verdadeiro Método de Estudar, expondo de forma resumida suas duras críticas ao sistema existente e suas propostas para modificá-lo, foi inicialmente publicado anonimamente em 1746: logo se tornou foco de muita controvérsia, o que fez Verney perder a influência necessária na corte de D. João V. Em Verdadeiro Método de Estudar, Verney argumentava que a gramática deveria ser ensinada em português, não em latim, e defendia veementemente métodos experimentais, em oposição a um sistema de argumentação baseado na autoridade, colocando em questão a influência da Companhia de Jesus, que detinha um quase-monopólio do ensino superior no país; Verney também abordou (sem necessariamente adotar) alguns dos princípios dos jansenistas e galicanos em relação aos métodos utilizados nos estudos teológicos. O livro provocou uma polêmica furiosa: entre sua primeira publicação e 1757, mais de quarenta livros foram escritos em resposta ao manifesto de Verney.
A posição de Verney junto às elites políticas tornou-se mais forte com a ascensão do ministro-chefe de D. José I, o Marquês de Pombal, ele próprio um estrangeirado. Após a supressão nacional da Companhia de Jesus em 1759, as reformas subsequentes de Pombal implementaram muitas das ideias de Verney no sistema educacional português. O próprio Verney foi nomeado, em abril de 1768, secretário da Legação Portuguesa em Roma; no entanto, o envolvimento de Verney em questões políticas resultou em sua queda em desgraça e demissão em 1771. Viveu exilado em San Miniato até sua reabilitação após a morte de D. José I e a ascensão de D. Maria I em 1777. Em 1780, tornou-se correspondente da Academia das Ciências de Lisboa em Roma e, em 1790, foi nomeado membro honorário da Mesa de Consciência e Ordens.
Velho e doente, Luís António Verney faleceu em Roma em março de 1792, após passar oito dias em coma. Já estava cego e enfermo em 18 de agosto de 1791, quando ditou seu testamento.
De recuperata sanitate Joannes Regis, etc. Oratio. (Roma, 1745)
Verdadeiro Método de Estudar, Para Ser Útil à República, e à Igreja (Nápoles, 1746)
De conjungenda Philosophia cum Theologia. Oratio. (Roma, 1747)
De Ortographia Latina liber singularis (Roma, 1747; Coimbra, 1818)
Apparatus ad Philosophiam et Theologiam ad usum lusitanorum adolescentium, liber sex (Roma, 1751)
De Re Logica ad usum lusitanorum adolescentium, libri quinque (Roma, 1751)
Serenissimo Principi Ludovico Burgundia Duci, Gallorum Delphini filio, Carmen genethliacum (Roma, 1752)
De Re Metaphysica ad usum lusitanorum adolescentium, libri quatuor (Roma, 1753)
Grammatica Latina, tractada por um methodo novo, claro e facil (Barcelona, 1758)
Cartas de Luis Antonio Verney e Antonio Pereira de Figueiredo aos padres da Congregação do Oratorio de Goa (Nova Goa, 1858)