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Lucy Geisel

30.ª Primeira-dama da República Federativa do Brasil

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Lucy Markus Geisel (Estrela, 24 de novembro de 1917 — Rio de Janeiro, 3 de março de 2000) foi uma professora brasileira e a primeira-dama do país entre 1974 e 1979, durante a presidência de seu marido, o general Ernesto Geisel, 29.º presidente do Brasil. Descendente de imigrantes alemães e criada em uma família luterana, formou-se como professora primária em 1935 e exerceu o magistério antes de se transferir para o Rio de Janeiro com o marido.

Como primeira-dama, adotou um perfil de baixa exposição pública. Sua atividade concentrou-se na organização da residência presidencial, no acompanhamento de cerimônias, recepções e viagens oficiais e no patrocínio ocasional de ações beneficentes. Embora tenha sido identificada por parte da historiografia como presidente honorária da Legião Brasileira de Assistência (LBA), uma pesquisa acadêmica sobre a história do primeiro-damismo brasileiro concluiu que sua participação no órgão foi inexpressiva e que suas iniciativas sociais ocorreram sobretudo fora da instituição.

Depois do término da presidência, voltou a residir no Rio de Janeiro e manteve-se afastada de funções políticas. Morreu aos 82 anos, em consequência de ferimentos sofridos em um acidente automobilístico. Documentos pessoais e peças de sua indumentária encontram-se preservados no Museu da República e no Museu Histórico Nacional.

Lucy Markus nasceu em 24 de novembro de 1917, no município de Estrela, no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul. Era filha de Joana Markus e de Augusto Frederico Markus, comerciante e político local que exerceu a prefeitura de Estrela em mais de uma ocasião. Tanto a família Markus quanto a família Geisel descendiam de imigrantes alemães e pertenciam à tradição religiosa luterana.

No acervo histórico do Museu da República encontra-se preservado seu registro de batismo, datado de 24 de novembro de 1917 e redigido em alemão e português. O mesmo conjunto documental conserva o diploma que lhe conferiu o grau de “aluna-mestra” pela Escola Complementar de Cachoeira, em Cachoeira do Sul, expedido em 28 de julho de 1935.

Após a conclusão dos estudos, Lucy trabalhou como professora primária. Deixou de exercer regularmente o magistério quando passou a viver no Rio de Janeiro, acompanhando a carreira militar de Ernesto Geisel. Sua formação como professora e a educação recebida em uma comunidade de origem germânica e luterana permaneceram elementos recorrentes nas descrições posteriores de sua vida privada e de sua atuação como primeira-dama.

Lucy e Ernesto Geisel eram parentes pelo lado materno. A mãe de Ernesto, Lídia Beckmann Geisel, pertencia ao mesmo núcleo familiar da mãe de Lucy. O relacionamento entre os dois começou no final da década de 1930, quando Ernesto já seguia a carreira militar. Segundo uma exposição biográfica organizada pelo Superior Tribunal Militar, o pedido formal de casamento foi transmitido pelo irmão do noivo, Bernardo Geisel, e o casamento foi celebrado em Estrela em 10 de janeiro de 1940.

O primeiro filho do casal, Orlando, nasceu em novembro de 1940. Morreu aos 16 anos depois de ser atingido por um trem em Osasco, no estado de São Paulo, onde Ernesto Geisel servia como comandante de uma unidade de artilharia antiaérea. A segunda filha, Amália Lucy Geisel, nasceu em 1945 e posteriormente tornou-se antropóloga, professora e pesquisadora.

A morte de Orlando constituiu uma perda duradoura para a família. Amália permaneceu como a única filha sobrevivente do casal e acompanhou os pais em diferentes momentos da vida pública. Durante a presidência, afastou-se temporariamente de algumas atividades profissionais para organizar documentos referentes ao governo do pai e auxiliar a mãe no cumprimento dos compromissos associados à condição de primeira-dama.

Ernesto Geisel foi escolhido presidente da República por meio de uma eleição indireta e tomou posse em 15 de março de 1974, durante a ditadura militar. Seu governo correspondeu ao início de um processo de liberalização política controlada, chamado pelo próprio governo de distensão “lenta, gradual e segura”, mas também foi marcado pela manutenção de instrumentos autoritários, da censura e da repressão política.

Lucy esteve presente à cerimônia de posse ao lado da filha Amália. Aos 56 anos, sucedeu Scylla Médici como primeira-dama. A transmissão simbólica das funções ocorreu durante o cerimonial da posse, quando as duas compareceram juntas aos atos oficiais no Palácio do Planalto.

A posição de primeira-dama não correspondia a cargo constitucional ou administrativo, mas estava associada a expectativas públicas de acompanhamento do presidente em solenidades, recepções, viagens e ações beneficentes. A atuação de Lucy permaneceu subordinada a esse caráter familiar e protocolar, sem que ela assumisse função governamental própria.

A historiadora Dayanny Deyse Leite Rodrigues classificou a atuação de Lucy como “metódica e discreta”. Sua atenção cotidiana concentrava-se especialmente no funcionamento do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, e na organização da vida doméstica do casal.

Segundo o jornalista Elio Gaspari, Lucy atravessou os anos no poder sem modificar substancialmente o penteado, a cor dos cabelos ou a costureira que já utilizava antes da presidência. Também se interessava pela preparação das refeições e chegou a ensinar aos cozinheiros do Alvorada receitas de tortas.

O casal raramente utilizava a residência oficial para reuniões políticas ou grandes recepções privadas. Ernesto Geisel procurava separar a vida familiar das atividades do governo e chegou a pedir que fossem evitadas reportagens sobre sua esposa e sua filha. Apesar dessa orientação, Lucy e Amália apareceram regularmente na cobertura de cerimônias, viagens e eventos sociais relacionados à Presidência.

A postura reservada de Lucy aproximava-se da adotada por Scylla Médici. Ambas evitavam comentar publicamente assuntos políticos e limitavam a exposição pessoal, embora comparecessem aos espaços simbólicos e cerimoniais tradicionalmente associados às esposas dos presidentes.

A participação social de Lucy desenvolveu-se principalmente por meio de patronatos, inaugurações, visitas a entidades e eventos destinados à arrecadação de recursos. Entre os compromissos registrados pela imprensa esteve o Chá da Acácia Dourada, realizado no Hotel Nacional, no Rio de Janeiro, em benefício da instituição psiquiátrica Casa das Palmeiras. Também reuniu no Palácio da Alvorada as patronesses de uma apresentação beneficente do cantor francês Gilbert Bécaud.

Em 1974, participou da inauguração do Centro Social Cantinho do Girassol, em Ceilândia, no Distrito Federal. Na ocasião, também foi inaugurada uma creche com capacidade para cem crianças. O projeto era mantido por uma comunidade evangélica de confissão luterana com recursos provenientes de uma associação de assistência sediada na então Alemanha Ocidental.

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