Maria Anna Olga Luisa Bonomi (Meina, 8 de julho de 1935) é uma artista plástica ítalo-brasileira que trabalha como gravadora, escultora, pintora, muralista, curadora, figurinista, cenógrafa e professora.
Neta de Giuseppe Martinelli, construtor do primeiro arranha-céu da América Latina, o Edifício Martinelli, datado de 1929, emigrou para o Brasil em 1946, fixando-se em São Paulo. Filha de mãe brasileira, Georgina Martinelli Bonomi e pai italiano Ambrógio Bonomi, a família deixa a Europa no rastro da Segunda Guerra Mundial.
Por volta de 1946-1947 Maria passa a estudar no Colégio Des Oiseaux, onde conclui o colegial clássico. Em 1950 Georgina a leva até o ateliê de Lasar Segall que, após averiguar a pasta da iniciante, telefona para a pintora Yolanda Mohalyi, solicitando que ela guie a futura artista. Com Yolanda Mohalyi, Maria Bonomi continua a desenhar e já dá início ao uso do guache, do lavis e do óleo.
É válido ressaltar que, desde tenra idade, Maria Bonomi estava inserida nos circuitos da arte. Nesse momento, os amigos pessoais da família passarão a ser em breve algumas das personalidades mais importantes do país: Pietro Maria Bardi, Lina Bo Bardi e Ciccillo Matarazzo.
Em 1952, a artista viaja para Europa, hospeda-se com seu tio Ginetto Luigi Bonomi e visita ateliês e coleções de arte da Itália, convivendo com colecionadores, restauradores e artistas, entre eles Marino Marini, Mario Sironi e Alberto Magnelli. Futuramente, é através de seu tio que Maria conhece, em Roma, o artista Enrico Prampolini.
Entre 1953-1954 a artista volta ao Brasil, prosseguindo seus estudos com Karl Plattner, ajudando-o mais adiante na execução do Painel das Folhas, junto de Wesley Duke Lee.
Por volta de 1954-1955 Maria conhece Lívio Abramo e após insistências, como conta Maria, ele a aceita como aprendiz. A partir daí inicia-se lixando madeira, afiando instrumental e imprimindo as matrizes de Abramo em papel arroz; após esse contato com o material de xilogravura ela começa a gravar em linóleo, gradativamente prosseguindo para a gravura em madeira, de fio e de tôpo.
Em 1956 Maria escreve um artigo que é publicado na XXe Siècle (Paris) intitulado "Rencontre Avec Sophie Tauber-Arp". viaja novamente para a Europa e em 1957 passa a visitar o ateliê de Emilio Vedova em Veneza, na Itália. Junto dele, frequenta museus e galerias da Áustria, Bélgica e Holanda. Partindo da Europa, Bonomi vai para os Estados Unidos (possivelmente no final de 1957). Nesse mesmo ano, acompanhada de Henri Zerner, começa a frequentar o ateliê gráfico de Tânia Grossman, onde habitualmente encontrava Rauschenberg, Jasper Johns, Lee Bontecou e Lee Krasner, pintora abstrata norte-americana e viúva de Pollock.
Por volta de 1958, iniciou o curso Museum Training I com o professor Weinberger, oferecido pela New York University e desenvolvido majoritariamente nas dependências do Metropolitan Museum of Art. Na mesma época, cursou Advanced Graphic Arts com Hans Müller e Fine Arts com Meyer Schapiro, ambos na Columbia University. Ainda naquele ano, estudou com o artista chinês Seong Moy e, em junho, recebeu uma bolsa da Ingram-Merril Foundation para frequentar o Pratt-Contemporaries Graphic Art Centre, centro de estudos gráficos vinculado ao Pratt Institute, em Nova Iorque.
De volta ao Brasil, em 1959, frequenta a oficina de gravura em metal de Johnny Friedlaender (1912-1992), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Em 1960, em São Paulo, funda o Estúdio Gravura, com Lívio Abramo, de quem foi assistente até 1964. Em 1961, Bonomi se casa com o diretor Antunes Filho e tem um filho no ano seguinte chamado Cássio Luis Bonomi Antunes. Conectada com o universo das peças teatras que o diretor produz, a artista cria juntamente ao marido um programa de televisão intitulado "TV Arte", onde convida personalidades do mundo artístico. Dentre elas estão: Hilda Hilst, Arcângelo Ianelli, Dora Vasconcellos e Viveca Lindfors. O programa fora veiculado pela emissora Excelsior, que deixou de existir.
A partir dos anos 1970, passa a dedicar-se também à escultura. Produz também grandes painéis para espaços públicos, sendo amplamente reconhecida e aclamada por suas obras, nacional e internacionalmente.
Por volta de 1972, passa a explorar novas possibilidades para a matriz de gravura, criando peças em poliéster colorido, entre elas Solombras, em homenagem à poeta Cecília Meireles. Também desenvolveu desenhos para azulejos destinados às Indústrias Matarazzo e estampas para tecidos da Rhodia, participando de projetos que reuniram importantes artistas brasileiros, entre eles Fayga Ostrower.
Com base em suas experiências em cenografia e artes gráficas, Bonomi tem seus projetos de arte pública marcados pela monumentalidade. Entre 1974-1976 realizou seu primeiro grande trabalho em concreto, o altar da igreja Mãe do Salvador (igreja da Cruz Torta), em São Paulo.
Em 1999, defende sua tese de doutorado Arte Pública. Sistema Expressivo/Anterioridade, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).
Em 2001, foi agraciada com a comenda da Ordem do Rio Branco e, em 25 de outubro de 2010, recebeu a Ordem do Ipiranga, no grau Grande Oficial, pelo Governo do Estado de São Paulo.
A artista foi uma das personagens reais retratadas pelos autores Alcides Nogueira e Maria Adelaide Amaral na minissérie Um Só Coração, exibida em 2004 pela Rede Globo, tendo sido interpretada pela atriz Maria Luísa Mendonça.
Bonomi desenvolveu projetos de ilustração de livros em parceria com escritoras com quem também matinha laços de amizade, como Cecília Meireles e Hilda Hilst. As obras resultantes dessas colaborações estão Qadós e Ou Isto ou Aquilo. A artista ainda faz parte do desenvolvimento do livro O Elogio da Xilo - Situações Xilográficas, em conjunto com Haroldo de Campos, resultando em um conjunto de gravuras e textos.
Maria Bonomi participou ao longo de sua trajetória de importantes mostras coletivas nacionais e internacionais, consolidando sua projeção no circuito artístico brasileiro e estrangeiro. Sua presença em exposições de grande destaque teve início na década de 1950, quando integrou a III Bienal de São Paulo (1955); I Biennale de Paris, Musée d'Art Moderne (1959); V Bienal de São Paulo. Onde expôs juntamente a outras artistas abstratas, como: Edith Behring; Ione Saldanha; Maria Leontina; Sheila Brannigan; Lygia Clark; Yolanda Mohalyi e entre outros.