Maria Luísa Gabriela de Saboia (em italiano: Maria Luisa Gabriella di Savoia; castelhano: María Luisa Gabriela de Saboya; Turim, 17 de setembro de 1688 – Madrid, 14 de fevereiro de 1714) foi a primeira esposa do Rei Filipe V e Rainha Consorte da Espanha de 1701 até sua morte. Era filha do então Vítor Amadeu II, Duque de Saboia, e sua esposa, a princesa francesa Ana Maria de Orleães.
Como rainha, Maria Luísa exerceu influência sobre as decisões de seu marido. Com a ajuda de sua camareira-mor, a Princesa dos Ursinos, procurou limitar a influência francesa na corte espanhola, promovida principalmente pelo avô de seu marido, o rei Luís XIV de França. Também exerceu o cargo de governadora e administradora geral do reino durante a ausência de Filipe V em 1702. Morreu em 1714, poucos meses antes do fim da Guerra da Sucessão Espanhola, deixando três filhos sobreviventes, dos quais dois, Luís I e Fernando VI, se tornariam reis da Espanha.
Segundo descrições de contemporâneos, Maria Luísa era de baixa estatura, mas distinguia-se pela elegância. Tinha cabelos castanhos, olhos quase negros, descritos como vivos e expressivos, além de tez muito clara. Sua fisionomia conservou por longo tempo um aspecto juvenil, combinado a uma aparência considerada inteligente e graciosa. Também eram destacados sua cintura fina, pés pequenos e mãos delicadas. De acordo com a Condessa de La Roca, sua aparência pessoal era mais atraente do que sugeriam seus retratos, que não faziam justiça aos seus encantos. O Marquês de Castel-Rodrigo igualmente ressaltou sua elegância, vivacidade e inteligência em carta dirigida ao seu futuro marido.
Nascida no Palácio Real de Turim, em agosto de 1688, Maria Luísa foi a terceira dos seis filhos de Vítor Amadeu II, Duque de Saboia, e de sua primeira esposa, a princesa francesa Ana Maria de Orleães. Maria Luísa era muito próxima de sua irmã mais velha, Maria Adelaide de Saboia, e de sua mãe, que, contrariando o protocolo da época, criou as filhas pessoalmente. Durante a infância, ambas as princesas passavam muito tempo na Villa della Regina, nos arredores de Turim, e visitavam a avó paterna, Maria Joana Batista de Saboia, semanalmente no Palácio Madama, em Turim. Apesar de sua natureza alegre e brincalhona, Maria Luísa era uma aluna dedicada.
Em 1701, Maria Luísa casou-se com Filipe V da Espanha, neto de Luís XIV da França e primeiro monarca da Casa de Bourbon na Espanha. A união foi resultado de um acordo político entre Luís XIV e o duque Vítor Amadeu II de Saboia, pelo qual o Ducado de Saboia passou a apoiar a candidatura francesa ao trono espanhol durante a Guerra da Sucessão Espanhola, em oposição ao arquiduque Carlos da Áustria, filho do imperador Leopoldo I do Sacro Império Romano-Germânico. O acordo contrariava, contudo, as recomendações deixadas em testamento por Carlos II da Espanha, que havia sugerido que Filipe se casasse com uma filha de Leopoldo I, na expectativa de preservar o equilíbrio entre Espanha, França e o Sacro Império Romano-Germânico.
Com treze anos de idade, Maria Luísa contraiu casamento por procuração em 11 de setembro de 1701, na Basílica do Santo Sudário, em Turim. Na cerimônia, Filipe V foi representado pelo príncipe Emanuel Felisberto de Saboia-Carignano, na presença de representantes da monarquia espanhola, chefiados pelo Marquês de Castel Rodrigo. Após sua chegada à Península Ibérica, o casamento foi ratificado pessoalmente pelos soberanos em 3 de novembro de 1701, na cidade de Figueres, com a bênção do Patriarca das Índias, Carlos de Borgia-Centelles.
Do casamento nasceram quatro filhos. Três sobreviveram à morte de Maria Luísa, embora apenas dois tenham alcançado a idade adulta: Luís, Príncipe das Astúrias, que sucedeu ao pai como Luís I da Espanha, e Fernando, futuro Fernando VI. Luís faleceu poucos meses após sua ascensão ao trono, enquanto Fernando reinou entre 1746 e 1759. Nenhum dos dois deixou descendência, levando à extinção da linha direta do casal.
Aos treze anos, Maria Luísa de Saboia chegou à corte espanhola durante o início do reinado de Filipe V, marcado pela forte influência francesa de seu avô, Luís XIV. Para limitar a influência de sua família saboiana e dos nobres espanhóis sobre a jovem rainha, Luís XIV nomeou Marie-Anne de La Trémoille, Princesa dos Ursinos, como sua camareira-mor, com a função de acompanhar e orientar a soberana.
Inicialmente, Maria Luísa se opôs à nomeação, principalmente pela substituição de suas damas saboianas por servidoras francesas. Com o tempo, porém, a Princesa dos Ursinos conquistou sua confiança e tornou-se uma de suas principais conselheiras. Embora tivesse sido indicada por Luís XIV, a Princesa dos Ursinos passou a defender cada vez mais os interesses da monarquia espanhola.
Durante a Guerra da Sucessão Espanhola, Maria Luísa teve importante participação política ao lado de Filipe V e da Princesa dos Ursinos. Em 1702, enquanto o rei estava em campanha militar na península Itálica, foi nomeada governadora e administradora geral do reino, assumindo a condução do governo durante sua ausência. Em 1706, com o avanço das tropas austracistas, deixou Madrid com a corte e estabeleceu-se em Burgos.
Defensora de um governo centralizado inspirado no modelo absolutista de Luís XIV, Maria Luísa apoiou as medidas de Filipe V contra os privilégios dos territórios da Coroa de Aragão. Segundo relatos contemporâneos, ela chegou a afirmar que preferiria lançar seus próprios filhos da sacada a permitir a manutenção das constituições aragonesas.
Maria Luísa morreu em 14 de fevereiro de 1714, aos 25 anos, em consequência de tuberculose, enfermidade agravada por escrófula. Sua morte ocorreu poucos meses antes da conquista de Barcelona pelas tropas de Filipe V, episódio que marcou o desfecho da Guerra da Sucessão Espanhola. Durante a fase terminal da doença, os médicos prescreveram repouso absoluto à rainha. No entanto, segundo relatos de contemporâneos, Filipe V continuou a visitá-la todas as noites para manter relações sexuais, contrariando as recomendações médicas e contribuindo para o agravamento de seu estado de saúde. Essa versão, baseada em testemunhos de época, foi posteriormente reproduzida por diversos historiadores.
O médico do rei descreveu Filipe V como um marido "assíduo" e "implacável em suas exigências amorosas", afirmando que sua primeira esposa, "mortalmente doente", "não teve um único dia de descanso", em alusão às frequentes relações conjugais mantidas durante sua enfermidade.