Maria Valéria da Áustria (em alemão: Marie Valerie Mathilde Amalie von Österreich; Buda, 22 de abril de 1868 — 6 de setembro de 1924) foi uma arquiduquesa austríaca, terceira filha do imperador Francisco José I e de sua esposa, a imperatriz Isabel, conhecida como "Sissi".
Após o colapso da monarquia em 1918, seu nome foi alterado para Marie Valerie Habsburg-Lothringen (Maria Valéria Habsburgo-Lorena) pela Lei de Abolição da Nobreza, promulgada pela República da Áustria Alemã em 3 de abril de 1919.
Nascida em 22 de abril de 1868, em Buda, no Reino da Hungria, Maria Valéria foi a filha mais nova do imperador Francisco José I da Áustria e de Isabel da Baviera (Sissi). A imperatriz, admiradora da Hungria e de sua cultura, escolheu deliberadamente o local de nascimento de sua filha; nenhum filho da família real havia nascido na Hungria havia séculos. Se Maria Valéria tivesse sido um menino, teria recebido o nome de Estêvão, em homenagem ao rei canonizado e padroeiro da Hungria, Estêvão I. Segundo a historiadora Brigitte Hamann, o nascimento de um menino, filho da rainha da Hungria, no Castelo de Buda, teria levantado a possibilidade de que ele um dia se tornasse seu rei, separando a Hungria da Áustria. Por esse motivo, houve alívio generalizado na corte vienense quando se soube que Maria Valéria era uma menina.
Ao contrário de seus irmãos, Maria Valéria permaneceu sob os cuidados de sua mãe e tornou-se sua filha favorita. Por isso, nos círculos da corte imperial, era frequentemente chamada de "a filha única". Durante sua infância e juventude, Maria Valéria manteve uma estreita amizade com sua prima, a duquesa Amália na Baviera. As duas meninas chamavam uma à outra de "primas de sangue". Essa relação teve uma forte influência sobre ela e, contrariando as intenções de sua mãe, mais tarde começou a rejeitar tudo o que fosse húngaro e a conversar em alemão com seu pai. Além do húngaro e do alemão, falava francês, inglês e italiano, e apreciava música e arte. Um dos companheiros de longa data da arquiduquesa foi o afro-austríaco Rudolph Rustimo, que sua mãe, Isabel, havia recebido como presente do vice-rei do Egito, Ismail Paxá.
Em 4 de junho de 1882, Maria Valéria foi confirmada na presença de sua família na Capela do Palácio de Schönbrunn. Em um baile, em 1886, conheceu o arquiduque Francisco Salvador da Áustria, seu primo de terceiro grau, por quem se apaixonou. No Natal de 1888, os dois ficaram noivos e, em 31 de julho de 1890 (um ano após a morte de seu irmão, o príncipe herdeiro Rodolfo), casaram-se em Bad Ischl. O célebre compositor Anton Bruckner tocou, na ocasião, o órgão Hans-Mauracher da então igreja paroquial da cidade de Bad Ischl. Por ocasião do casamento, foi fundada a Igreja de Nossa Senhora na Jacquingasse, em Viena, que ainda hoje funciona como igreja paroquial. Depois disso, o casal mudou-se para Wels, instalando-se no Castelo de Lichtenegg. Em 1892, nasceu a primeira filha, Isabel Francisca, chamada Ella. O casal teve, ao todo, dez filhos.
Mesmo após o casamento, Maria Valéria manteve contato próximo com seu pai já idoso, que apreciava muito o ambiente descontraído da numerosa família de sua filha caçula. Maria Valéria também se dedicou intensamente a diversas associações de caridade. Entretanto, o casamento, inicialmente harmonioso, deteriorou-se com o tempo. Francisco Salvador teve casos com outras mulheres, incluindo a princesa Stéphanie de Hohenlohe-Waldenburg-Schillingsfürst, com quem um filho ilegítimo, que reconheceu enquanto Maria Valéria ainda era viva.
Politicamente, a partir do final da década de 1880, Maria Valéria aproximou-se cada vez mais do nacionalismo alemão e chegou a considerar a possibilidade de emigrar para a Alemanha. Ela tentou convencer seu noivo a emigrar com argumentos surpreendentes para uma filha de um imperador Habsburgo: "Antes de tudo, somos alemães, depois austríacos e somente em terceiro lugar Habsburgos. O bem da pátria alemã deve estar acima de tudo em nossos corações — se ela prosperar, tanto faz se sob os Habsburgos ou os Hohenzollern". Às objeções de Francisco Salvador, ela respondeu: "Por isso você está errado ao dizer que, a serviço do kaiser Guilherme, estaria servindo a uma potência estrangeira. — Alemão é alemão, e a pátria vem antes da família". Com isso, ela se encontrava em forte oposição ao seu irmão Rodolfo, que era um austríaco convicto, chegando a ser considerado fanático, e via o kaiser alemão seu principal adversário.
Após o assassinato de sua mãe, Isabel, Maria Valéria herdou dois quintos do patrimônio total, avaliado em 10 milhões de florins. Também herdou a Hermesvilla, embora Isabel tivesse concedido por testamento a seu marido, Francisco José, que morreu em 1916, o direito de residência vitalício na propriedade. Em 1900, Maria Valéria assumiu compromissos com a Cruz Vermelha, mandou construir hospitais de campanha e providenciou doações. Ao contrário de sua mãe, Maria Valéria gostava de permanecer na Hermesvilla e viveu no edifício com sua família entre 1903 e 1906. Em 1911, vendeu a Hermesvilla ao Hofärar (patrimônio estatal da Áustria-Hungria), que já possuía direito de preferência desde 1890.
Após a abolição da monarquia, em 1918, seu nome foi alterado para Marie Valerie Habsburg-Lothringen em consequência da República da Áustria Alemã e da Lei de Abolição da Nobreza (Adelsaufhebungsgesetz), promulgada em 3 de abril de 1919. Com base na “Lei de 3 de abril de 1919 relativa à expulsão do país e à transferência do patrimônio da Casa de Habsburgo-Lorena” (Lei dos Habsburgos), em 1920 ela "renunciou expressamente à sua filiação a esta Casa [Habsburgo] e a todas as reivindicações de soberania dela derivadas, e declarando-se uma cidadã leal da República". Isso teve como consequência não apenas que ela pudesse permanecer na Áustria como cidadã austríaca, mas também que ela e seus descendentes pudessem conservar seu patrimônio privado dos Habsburgos, incluindo o Castelo de Wallsee.
Em 1924, Maria Valéria foi diagnosticada com câncer dos gânglios linfáticos. Ela faleceu em 6 de setembro do mesmo ano e foi sepultada na Cripta dos Habsburgos.
Maria Valéria e Salvador tiveram dez filhos: